Análise gráfica: saiba o que é e como utilizá-la nos seus investimentos

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Freepik

Você costuma ver o gráfico, mas ainda não utiliza esses dados com frequência para uma tomada de decisão? Embora complexo, o gráfico pode ser aplicado de forma simplificada no cotidiano a partir do uso de algumas técnicas.

Em suma, o conhecimento de indicadores são essenciais para dar embasamento nas suas operações na Bolsa de Valores.

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Ao mesmo tempo, você não precisa dominar todas as informações da análise gráfica, até porque existe uma infinidade de estratégias e ferramentas. 

O Eu Quero Investir apresentará importantes indicadores de um gráfico. Além disso, explicará porque vale se aprofundar no grafismo. 

Por que estudar a análise gráfica?

A análise gráfica são estudos de projeções e tendências dos ativos. Geralmente, os preços dos ativos são reflexos de comportamentos anteriores do papel, tais como:

  • volume de negociação;
  • riscos;
  • liquidez;
  • notícias.

Portanto, uma das funções da análise gráfica é justamente rastrear e ilustrar esses “indícios” que poderão determinar o preço de um ativo. 

Saiba que o mercado costuma respeitar topos e fundos. Por essa razão, vale entender no gráfico quais são os preços-alvo de suporte e resistênciaE quando ocorre de um papel romper o suporte ou resistência, pode ser uma confirmação de tendência. Neste caso, a análise gráfica serviu para mapear o ativo.

Dentro da análise técnica existem diversas ferramentas que auxiliam na identificação e mensuração dessas projeções e tendências. Juntas, essas técnicas poderão se complementar, trazendo informações mais precisas sobre determinados ativos do pregão.

Candle

O candle é o termômetro de um gráfico. Por mais conhecido que seja, o candle (ou vela) precisa ser bem aproveitado no gráfico, afinal essa ferramenta te dá diversas informações valiosas sobre o ativo.

Os movimentos da Bolsa e seus ativos são desenhados pelo candle. Imagine aquela pessoa que abriu o gráfico no início da tarde e quer saber o que aconteceu com um ativo pela manhã.

A performance do candle dará uma leitura visual rápida e fácil do histórico do papel naquele dia.

Traduzindo um candle:

Você sabe explicar por que às vezes um candle aparece pequeno ou aparece como uma vela comprida no gráfico?

Vamos explicar detalhadamente o que representa um determinado candle em um período do ativo:

  • Candle verde: informa que o papel fechou em alta naquele período;
  • Base do candle verde: diz quanto custava o ativo no momento que abriu o período;
  • Teto do candle verde: diz quanto custava o ativo no momento que fechou o período.
  • Candle vermelho: informa que o papel fechou em baixa naquele período;
  • Base do candle vermelho: diz quanto custava o ativo no momento que fechou o período;
  • Teto do candle vermelho: diz quanto custava o ativo no momento que abriu o período.
  • Os fios que aparecem sob e sobre o candle indicam a mínima e a máxima, respectivamente, que o ativo alcançou durante o período selecionado;
  • Candles que quase não formaram velas: sinal que os preços da abertura e do fechamento naquele período foram praticamente iguais.
  • Candles que quase não formaram velas, mas que apresentam fios compridos em cima e embaixo: sinais que os preços da abertura e do fechamento naquele período foram praticamente iguais. No entanto, seus preços variaram bastante, com altas e baixas, durante o período selecionado.

Book de Ofertas

O Book de Ofertas é a listagem de todas as intenções registradas de compra e venda de um determinado papel no mercado financeiro. Esse livro de registro apresenta as ordens programadas de todo o pregão. 

São três informações contidas no book de ofertas:

  • O preço da oferta;
  • A quantidade de ativos que alguém pretende comprar ou vender;
  • Quem está fazendo a oferta.

Um investidor poderia perguntar: mas o que me interessa saber o que os outros estão querendo comprar ou vender no pregão? 

Resposta: avaliar o andamento do mercado é fundamental para tomar uma decisão equilibrada. O vai e vem do pregão é pautado, sobretudo, por interesses de negócios.

Portanto, não é aconselhável somente olhar para si quando operar. 

Exemplo

Imagine que grandes bancos ou corretoras registraram ordens de compra caso uma ação alcance R$ 30,20. O papel está custando R$ 30. Por outro lado, suponhamos que a quantidade de intenções de venda seja bem menor. 

Esse panorama dado pelo book de ofertas não te dará a garantia de que o ativo vai mesmo subir. No entanto, a enorme quantidade de grandes investidores lançados com ordens de compra pode te dar um sinal de compra.

A listagem de ordens tem peso ainda maior para day traders. O book te dirá se o mercado está com maior interesse em comprar ou vender. Se praticamente todo o mercado está voltado a vender, pode ser um grande sinal que o ativo vai cair.

Importante frisar que seguir as tendências do book de oferta não é garantia de sucesso. Se fosse assim, bastaria emparelhar suas negociações com a listagem.   

As informações do book de ofertas podem te dar maior visão do mercado sobre determinado ativo, controlando eventual ímpeto aventureiro.  

Volume de Negociação

O volume de negociação também é uma forma de deixar o investidor mais inteirado do que está ocorrendo no pregão. Essa técnica informa as negociações de compra e venda realizadas no mercado em determinado momento. 

Por que vale acompanhar? Um movimento anormal de compra ou venda de um ativo pode ser gatilho de entrada ou saída em uma operação. 

Se o “mundo todo” decidiu comprar um papel, o gráfico do volume irá lá para cima. Quando isso acontece, a tendência é o preço do ativo subir, e vice-versa.

Outra informação importante dada pelo volume de negociação é se o ativo está tendo boa liquidez. Quem nunca quis se desfazer de um papel, mas não encontrou ninguém interessado em comprar?   

Com a utilização da ferramenta de volume de negócio, a partir de um período selecionado no gráfico, você terá uma visão global se a quantidade de negócios do papel aumentou, diminuiu ou ficou na mesma. 

Média móvel

Em tempos de Covid-19, o conceito de média móvel ficou bem claro. Essa ferramenta faz uma média de um determinado período selecionado. O intuito é facilitar a visualização da variação.

Com o gráfico da bolsa funciona da mesma forma. O interessante neste gráfico é que você pode selecionar vários períodos diferentes. Muitos investidores costumam usar 3 médias móveis ao mesmo tempo:

  • uma de curto período 
  • uma de médio período
  • uma de longo período

A presença de linhas móveis deixará mais claro como o preço de um ativo variou conforme o tempo.

Exemplo

Pense na seguinte situação: você selecionou 3 médias móveis (uma de curto período, uma de médio e outra linha de longo período).

Imagine que o ativo estava em queda contínua. Com isso, as três linhas estão na decrescente. De repente, o papel engata uma subida forte, e a linha da média móvel de período curto cruza as outras duas linhas. 

Esse cruzamento de linha ocorreu porque o movimento de alta já causa forte impacto na média móvel de curto período, mas essa subida ainda não causa tanto impacto nas linhas que medem médio e longo período.

Traduzindo: pelo cruzamento da linha de média móvel curta em relação às outras já dá para saber que houve uma subida repentina do papel, que estava caindo. 

As linhas móveis te deram um sinal de como o mercado está se comportando!  

É possível escolher os períodos de cada linha. Vai de cada um essa escolha. Muitos traders usam linhas móveis 7, 14 e 21, que registram os últimos 7, 14 e 21 movimentos do papel.

Média Móvel Exponencial

Existe também a média móvel exponencial. Neste caso, os últimos movimentos têm mais peso sobre os anteriores. 

Por exemplo: Média móvel exponencial 3 significa que o movimento último terá maior peso sobre o penúltimo, que, por sua vez, teve mais peso sobre o antepenúltimo.

A linha exponencial serve para dar mais ênfase aos impactos dos últimos movimentos de um ativo.

Vale sempre lembrar que o apontamento de uma tendência dada pela média móvel não é uma certeza de que o ativo vai se consolidar nesta direção. 

IFR (Índice de Força Relativa)

Essa ferramenta analisa se o papel está valorizado ou desvalorizado em relação ao preço médio projetado. 

Com isso, quando o IFR apresentar porcentagem acima de 70, temos uma sinalização de que o preço do papel estaria bem maior em relação ao seu preço médio. Sinal de valorização.

Muitos investidores entendem que papel com IFR muito alto (acima de 70%) pode ser um indicativo de queda, afinal a tendência é que o ativo recupere seu preço médio.

Em contrapartida, quando o IFR estiver abaixo de 30%, a sinalização é que o ativo está bem desvalorizado. Uma vez lá embaixo, o papel não teria muito mais o que cair. 

Para muitos grafistas, papel com IFR abaixo de 30% pode indicar operação de compra, pois o papel teria espaço para subir.   

Nem todos trabalham com IFRs de 70% e 30%. Existem investidores que preferem usar como parâmetro IFRs de 80% e 20% para medir sobrecompra e sobrevenda, respectivamente.

Fibonacci

O Fibonacci é uma das ferramentas mais conhecidas do gráfico e tem como objetivo indicar pontos de tensão de um determinado ativo. 

Mas como assim?

A partir da seleção do suporte e resistência de um ativo, o Fibonacci se abre e indica três linhas horizontais entre o suporte (chão) e a resistência (teto).

Essas três linhas de dentro são os pontos de tensão. Ou seja: o Fibonacci entende que um ativo encontra mais dificuldade em romper essas tensões. E quando uma dessas linhas é rompida, seja para cima ou para baixo, pode sinalizar uma tendência.

A definição do posicionamento das linhas do Fibonacci tem uma explicação interessante. O criador do método Fibonacci é o matemático italiano Leonardo Pisano, que acredita-se ter nascido no ano de 1.170.

Após inúmeros cálculos, Pisano concluiu que diversos elementos da natureza possuem pontos de tensão nas mesmas regiões. 

Ele citou a distância do ombro ao cotovelo e à ponta do dedo; a quantidade e disposição dos galhos de árvores. 

O matemático analisou que diversos elementos respeitam uma sequência natural. Esse estudo de ponto de tensão foi levado para o mercado financeiro.

As cinco retas que compõem o Fibonacci clássico são:

  • 1ª reta – Traçada na base (suporte) – 0%. 
  • 2ª reta – Traçada no nível 38,2%
  • 3ª reta – Traçada no nível 50%
  • 4ª reta – Traçada no nível 61,8% 
  • 5ª reta – Traçada no topo (resistência) – 100%

Exemplo

Vamos supor que o preço do ativo está lá no topo e começa a cair. Imagine que o preço encosta na 4ª linha e volta a subir. Neste caso, o sinal é que não houve tendência de queda, mas sim uma retração. 

Faça um exemplo na sua tela. Identifique o topo e fundo de um papel e trace o Fibonacci. Veja se os ativos encontraram dificuldades em romper as linhas do fibo.

O uso de Fibonacci divide opiniões. Muitos grafistas entendem que quando há o rompimento de uma dessas linhas com uma “vela grande” (candle), é um bom sinal de confirmação de tendência.

Reitero: as ferramentas devem ser usadas para aprimorar uma decisão. Acreditar piamente no que a técnica sinaliza pode não ser o melhor caminho. A combinação de ferramentas pode trazer informações importantes para a operação na Bolsa.

(Por Bruno Thadeu)

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