Alavancagem financeira: o que é, para que serve e como utilizar

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Pixabay

No mundo das finanças, existem diversos instrumentos que podem ser utilizados para potencializar os ganhos dos investimentos. É isso o que faz a alavancagem financeira, muito praticada por traders e por investidores dispostos a assumir riscos mais elevados.

Nesse artigo, veremos como funciona a alavancagem financeira, e de que forma ela pode ser utilizada nos investimentos. Confira a seguir!

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Como funciona a alavancagem financeira

Basicamente, a alavancagem financeira ocorre quando o investidor opera com recursos superiores ao seu patrimônio. Em outras palavras, ele investe mais dinheiro do que efetivamente tem em conta. Isso tanto pode ocorrer por meio de uma margem de garantia ou pela movimentação de recursos de terceiros.

Antes de vermos as formas mais frequentes de alavancagem financeira nos investimentos, precisamos entender o conceito de margem de garantia. Acompanhe a seguir.

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Margem de garantia

A margem de garantia é um depósito realizado para cobrir algumas operações financeiras. Basicamente, funciona como uma caução, pois o seu objetivo é garantir que o investidor consiga cobrir eventuais prejuízos decorrentes dessas negociações.

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O valor da margem de garantia corresponde a um percentual sobre o ativo negociado. Nesse sentido, varia de acordo com o prazo da operação e, também, conforme a instituição financeira.

Além do depósito, a margem de garantia também pode ser constituída por aplicações como CDBs ou títulos do tesouro, por exemplo. A vantagem das aplicações é permitir que os recursos continuem rendendo juros, mesmo estando em garantia.

Chamada de margem

No início de algumas operações (como contratos futuros de commodities, por exemplo), acontece a chamada de margem. Isso significa que o investidor deverá fazer o depósito ou disponibilizar uma aplicação para garantir esses contratos.

No entanto, algumas vezes a chamada de margem pode ser exigida durante a vigência da aplicação. Isso acontece quando é identificada alguma situação de risco que, ou não existia, ou não estava evidente no início do contrato.

Assim que convocado à chamada de margem, o investidor precisa realizar o depósito ou direcionar a aplicação para a instituição financeira. Se não o fizer, corre o risco de que a operação seja liquidada e a sua operação encerrada, mesmo com prejuízo.

Quem determina os valores da chamada de margem é a bolsa de valores. Nesse sentido, eles sofrem alterações dependendo da volatilidade dos ativos.

Neste artigo, entenda a importância da volatilidade para os investimentos.

Alavancagem financeira nos investimentos

A estratégia de alavancagem financeira pode ser utilizada em diversos investimentos. A seguir, veremos algumas das formas mais comuns dessa técnica.

Alavancagem no day trade

A alavancagem no curtíssimo prazo (day trade) é uma das mais utilizadas no mercado financeiro.

Nessa modalidade, normalmente, o trader realiza diversas operações no mesmo dia. Como o seu objetivo é lucrar com a oscilação dos preços de um ativo no mesmo dia, ele pode realizar essas operações alavancado. Ou seja, não é preciso ter os recursos disponíveis para a compra das ações, somente o valor necessário para cobrir a diferença de preços, caso não haja lucro com as transações.

Um exemplo ajuda a entender a alavancagem financeira no day trade:

1° – Ao abrir o mercado, o trader toma um empréstimo de R$ 50 mil junto a sua instituição financeira.

2° – Logo após, adquire ações com esse valor.

3° – No final do pregão, esses títulos valorizaram 5%. Dessa forma, o lucro da operação foi de R$ 2.500.

4° – No mesmo dia, o trader liquida o empréstimo junto à instituição financeira, e aufere um lucro de R$ 2.500 sem ter precisado investir nenhum recurso próprio.

Alavancagem na venda a descoberto

Também chamada de short, a venda a descoberto é uma estratégia de alavancagem que permite lucrar com a desvalorização de um ativo. Esse tipo de operação pode acontecer no day trade, assim como iniciar em um dia e terminar em uma data posterior.

Um exemplo de venda a descoberto que começa e termina em datas distintas é o aluguel de ações ou defundos imobiliários. Na prática, quando o investidor acredita na queda de uma ação ou FII, ele pode alugar esses ativos no mercado. O objetivo é vender esses títulos antes da queda dos preços, e recomprá-los futuramente quando estiverem desvalorizados e, dessa forma, obter lucro com a operação.

Para o vendedor, esse tipo de operação é mais uma forma de lucrar com ações e FIIs, além dos dividendos e da valorização dos títulos. Já para o comprador, a vantagem é poder investir com menos dinheiro do que precisaria para adquirir esses ativos. No entanto, é preciso também contar com a possibilidade de os ativos estarem mais caros no momento da recompra. Nesse caso, o comprador terá prejuízo, pois precisará devolvê-los ao vendedor no vencimento acordado, independentemente do preço que estejam.

Alavancagem no mercado futuro

O mercado futuro também permite a estratégia de alavancagem. Os contratos futuros são instrumentos financeiros cujos valores derivam de outros ativos. Por meio desses contratos, pode-se negociar ativos financeiros (como moedas estrangeiras), índices e commodities, por exemplo.

Dessa forma, não é necessário que o investidor tenha o valor integral desses contratos para montar uma posição. Em vez disso, basta constituir uma margem de garantia, definida de acordo com o objeto e prazo da negociação.

Cabe lembrar que, assim como no caso das ações, os preços no mercado futuro também podem se movimentar na direção contrária à expectativa do investidor. Nesse caso, há chances de prejuízos, que serão proporcionais ao grau de alavancagem da operação.

Alavancagem nos fundos de investimento

Um fundo de investimento alavancado é aquele que movimenta um volume financeiro superior ao seu patrimônio líquido. Na prática, isso é possível principalmente por meio da utilização de derivativos, como contratos futuros, por exemplo.

Alguns fundos multimercado utilizam alavancagem em suas estratégias. Nesse sentido, os gestores regulam o nível de exposição dos ativos do fundo, de forma a controlar o risco.

Alavancagem de uma empresa: como calcular

Dizemos que uma empresa está alavancada quando há capital de terceiros na sua estrutura patrimonial. Nesse sentido, quanto maior for o seu passivo (recursos de terceiros) em relação ao seu patrimônio líquido (recursos próprios) maior será o Grau de Alavancagem Financeira (GAF). Logo, mais endividada a empresa estará.

Analisar a alavancagem nas empresas é importante para que possamos entender como os recursos próprios e de terceiros estão sendo utilizados na atividade. Nesse sentido, alguns indicadores da análise fundamentalista são bastante utilizados:

Índice de endividamento geral (EG)

O EG é o mais básico dos indicadores de endividamento. Isso porque ele simplesmente mostra o quanto dos ativos da empresa está comprometido com o financiamento do capital de terceiros.

Esse indicador é expresso em percentual, e a sua fórmula é a seguinte:

EG = (Passivo / Ativo) x 100

Dívida líquida/Ebitda

Esse é um dos indicadores de endividamento mais observados por investidor. Basicamente, a dívida líquida/Ebitda mostra em quantos anos a empresa pagaria as suas dívidas com a própria geração de caixa. De forma geral, uma relação até 2 é considerada aceitável pelo mercado.

Dívida líquida/Patrimônio Líquido

Já a dívida líquida/PL serve para mostrar o quanto há de recursos próprios (patrimônio líquido) para cobrir o endividamento total da empresa. Por isso, normalmente uma relação elevada entre dívida e PL é considerara um alto risco.

Índice de cobertura de juros (ICJ)

O ICJ é utilizado para mostrar a capacidade da empresa de quitar os juros da sua dívida. Ele é calculado da seguinte forma:

ICJ = Ebitda / Resultado financeiro.

Logo, quanto maior o índice, melhor a situação financeira da empresa.

Afinal, vale a pena utilizar alavancagem financeira?

Existem pontos favoráveis e desfavoráveis em operar alavancado. Como vimos, uma das principais vantagens que a alavancagem proporciona é a chance de potencializar o resultado das operações. Além disso, essa estratégia permite que se façam operações mesmo sem muito capital, somente com o depósito de uma margem de garantia. Ou seja, no caso de prejuízo, é preciso somente arcar com a variação de preço do ativo negociado

No entanto, é preciso lembrar que a alavancagem não aumenta somente as chances de ganhos, mas também a possibilidade de prejuízos. E, dependendo do tipo de operação e da volatilidade do mercado, essas perdas podem ser bem expressivas.

Por isso, essa estratégia é indicada somente para perfis mais arrojados, pois, em alguns casos, pode levar à perda total do capital investido. Além disso, é muito importante que se tenha bons conhecimentos sobre investimentos, e o hábito de acompanhar com frequência o mercado financeiro.

(Por Carla Carvalho)

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.