A Berkshire Hathaway, empresa do megainvestidor Warren Buffett, investiu US$ 500 milhões no banco brasileiro Nubank.
De acordo com o Nubank, o aporte é uma extensão da Série G, realizada em janeiro deste ano.
Esta é uma rara aposta de Warren Buffett no mercado brasileiro – ainda mais se considerarmos que o Nubank é uma empresa de capital fechado.
Segundo o Valor Econômico, o Nubank foi avaliado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 152 bilhões). Ou seja, valorização de 20% em dólares em menos de seis meses.
As negociações com Warren Buffett e a Berkshire começaram em março. A gestora ficou atraída pelo ritmo de crescimento e pela nova operação de seguros do Nubank.
“O Brasil tinha condições muito únicas e, nos primeiros anos do Nubank, parecia que não ia dar para replicar o crescimento viral que temos aqui em outros países, mas México e Colômbia têm sido excepcionais”, disse David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ao Pipeline do Valor Econômico.
Vélez disse ainda que o plano de um IPO do Nubank existe, mas não é imperativo no momento.
“O valor da Série G sobe para 1,15 bilhão de dólares e passa a ser a maior rodada de investimento já realizada por uma empresa de tecnologia privada na América Latina”, afirmou o banco digital. O Nubank já levantou cerca de U$ 2 bilhões desde o seu lançamento.
Para onde vão os recursos
Em linha com os planos da empresa, o investimento levantado será utilizado no apoio ao crescimento do Nubank em três grandes frentes de desenvolvimento.
Primeiramente, vai ajudar a expandir ainda mais a oferta de produtos, introduzindo novas soluções ao portfólio, mas também mantendo o ritmo de crescimento acelerado em termos de penetração de mercado, por exemplo, no setor de investimentos.
O Nubank absorveu recentemente a Easynvest, uma das principais plataformas de investimento digital no Brasil, que possui mais de US$ 5 bilhões em ativos sob custódia e 1,6 milhão de clientes.
Assim, com este passo, a empresa pretende levar o modo Nubank de revolucionar os serviços financeiros ainda mais longe e democratizar o acesso aos investimentos.
O capital será direcionado também para a expansão internacional da empresa. O banco digital lançou seu primeiro produto no México há pouco mais de um ano e já recebeu 1,5 milhão de inscrições e é uma das maiores emissoras de novos cartões de crédito do país. A empresa anunciou recentemente que investirá US$ 135 milhões no país para acelerar o crescimento e ampliar a operação local. Na Colômbia, onde o Nubank desembarcou há cerca de seis meses e tem um produto em fase beta, mais de 300 mil colombianos já se inscreveram na lista de espera para se tornarem clientes do cartão de crédito.
Por fim, o investimento levantado com Warren Buffett também auxiliará o Nubank a continuar atraindo talentos globais, como as recentes contratações de Matt Swann, ex-Amazon e Booking, como diretor de tecnologia (Chief Technology Officer) e Arturo Nuñez, ex-Apple e Nike, como diretor de marketing (Chief Marketing Officer).
A empresa tem atraído nos últimos anos nomes internacionais de peso para todos os níveis hierárquicos, principalmente para a alta liderança.
A ascensão do Nubank
Segundo o Nubank, o banco é o maior banco digital do mundo em número de clientes — acabou de atingir a marca de 40 milhões e, nestes primeiros cinco meses do ano, cresceu a um ritmo de mais de 45 mil novos clientes por dia.
Com oito anos recém completados, o banco digital entra em um novo momento de desenvolvimento, mais amadurecido.
A empresa expandiu sua oferta de produto principal de cartão de crédito para uma plataforma bancária digital completa com um vasto portfólio que inclui empréstimo pessoal; produtos de investimentos, seja em fundos na própria plataforma ou na plataforma da Easynvest, corretora digital adquirida em 2020; seguro de vida, que em três meses alcançou cem mil contratos; produtos para microempreendedores; e serviços de pagamentos instantâneo — Nubank concentra cerca de um quarto de todas as transferências Pix do país.
A empresa tem fortalecido suas operações no México e na Colômbia, países que, junto do Brasil, representam 60% do PIB e da população da América Latina.
“É incrível ver tudo o que temos sido capazes de fazer nestes oito anos de empresa. Ninguém pensava que era possível mudar o sistema financeiro, mas nós sempre estivemos convencidos de que havia espaço para ruptura e inovação e, mais importante que isso, que os clientes mereciam melhores serviços. Ainda há muito a fazer”, afirma o fundador e CEO, David Vélez.