Walter Schloss: o superinvestidor que conquistou Warren Buffett

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução

Talvez você nunca tenha ouvido falar de Walter Schloss, mas ele é reconhecido como um dos maiores investidores do mundo.

O talento de Schloss no mercado financeiro era tanto que até Warren Buffett, considerado o maior investidor de todos os tempos, faz questão de reverenciá-lo sempre que possível.

“Mais importante do que seu recorde extraordinário é o exemplo de integridade em gestão de investimentos que ele deixou”, disse Buffett certa vez sobre Schloss. Ele faleceu em 2012, aos 95 anos.

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Quem foi Walter Schloss?

Walter Schloss nasceu em Nova York, em 28 de agosto de 1916, e morreu em 19 de fevereiro de 2012.

Mesmo não sendo um “típico corretor” de Wall Street, cercado de computadores por todos os lados, Schloss se tornou uma lenda do mercado.

Ele estreou em Wall Street ainda jovem, aos 18 anos, no Carl M. Loeb & Co, como corretor. No ano seguinte, tomou gosto pelo mercado financeiro, ao ler a obra de Benjamin Graham, Security Analysis.

Discípulo de Benjamin, Schloss trabalhou ao lado do “mentor” na Graham-Newman Partnership até 1955.

Durante sua passagem pela Graham-Newman, conheceu justamente um jovem que também começava no mercado, e que se tornaria seu grande amigo: Warren Buffett.

Fundo de sucesso

O investidor foi responsável por gerir, durante mais de quatro décadas, um fundo de investimento que garantiu um lucro médio anual de 16% aos seus clientes.

“Walter Schloss nunca ganhou um centavo de seus investidores sem que eles tivessem ganhado uma significativa quantia”, testemunhou Warren Buffett, após a morte do amigo, em 2012.

O investidor tinha razão em seus elogios. Afinal, a rentabilidade do fundo gerido por Schloss superou em muito o S&P500.

O fundo, que espelha o desempenho das 500 maiores ações norte-americanas, teve, no período, média de “apenas” 10%.

Para efeito de comparação, pode-se dizer que US$ 1 aplicado no fundo de Schloss renderia US$ 600 entre 1955 e 2000, enquanto que, investido no S&P500, devolveria aproximadamente US$ 100 ao investidor.

Walter Schloss, bolsa

Negócio próprio

Disposto a alçar voos mais altos, Walter Schloss abriu seu próprio negócio em 1955, a WJS Parthership.

A empresa alcançou números excepcionais para seus clientes até 2000, quando fechou as portas . Schloss, no entanto, seguiu administrando o dinheiro dos investidores por mais três anos.

“Sempre fui melhor em olhar os números do que as pessoas. Nunca fui bom em julgar as pessoas”, comentou certa vez.

Apesar de dizer que “não era bom com as pessoas”, não era assim que Schloss era visto por quem fazia negócios com ele.

Há relatos de que ele não cobrava honorários de quem investia com ele, a menos que o fundo atingisse uma certa taxa de atratividade. Nesse caso, recebia 25% do lucro.

Schloss se afastou do mercado financeiro com 87 anos, mas seguiu colaborando, sem ser remunerado. Chegou a ser tesoureiro da Freedom House, organização americana com foco na defesa dos Direitos Humanos.

Walter Schloss e as “ações baratas”

 “Nós compramos as ações baratas”. Esse era um dos lemas que Walter Schloss seguia à risca e que contribuíram em seu sucesso como investidor.

Conhecido no meio como “caçador de barganhas”, o especialista priorizava empresas que tinham poucas ou nenhuma dívida. Sempre deu preferência à leitura dos demonstrativos financeiros do que às conversas com gestores.

A estratégia abraçada por Schloss ao longo da carreira ficou conhecida como Value Investing.

O princípio do método é o de aplicar dinheiro em ações subvalorizadas antes delas atraírem o interesse do mercado e, consequentemente, subirem de preço.

“Se uma ação está barata, eu começo a comprar. Por algum motivo eu acho difícil comprar uma ação que esteja subindo”, justificava Schlosso, quando questionado sobre o método.

Além de “caçar as barganhas”, o investidor também procurava outras características específicas antes de fechar negócio:

  • Empresas com pouca ou nenhuma dívida;
  • Boas pagadoras de dividendos;
  • Gestão honesta.

“Investir é uma arte, e nós tentamos ser mais lógicos e menos emocionais possível. Porque nós entendemos que os investidores são normalmente afetados pelo mercado, e nós podemos ganhar vantagem sobre o mercado sendo racionais. Assim como [Benjamin] Graham disse, o mercado está aí para servir você, não para te guiar”, filosofou.

As lições de Schloss para investir bem

 Quem teve a chance de conviver ou conhecer Walter Schloss foi unânime ao afirmar que se tratava de um homem fiel aos seus princípios.

Segundo o amigo Warren Buffett, “Walter supera os administradores de fundos que trabalham em templos repletos de quadros, pessoas e computadores por vasculhar as guimbas de cigarro no chão do capitalismo”.

Tendo em mente que as “guimbas de cigarro” são as ações que quase ninguém presta atenção, seguem abaixo algumas dicas valiosas de Schloss:

Ação não é somente um pedaço de papel

“Eu acredito que ações devem ser avaliadas baseadas no seu valor intrínseco, e não se ela está abaixo ou acima do valor em relação a seus concorrentes.

O segredo para comprar uma ação subvalorizada é comparar o preço com o seu valor intrínseco.”

 Mantenha a simplicidade para evitar o estresse

 “Graham sempre disse que você deve comprar ações como faz as compras no supermercado, e não como escolhe perfume.

Mantenha a emoção de fora e não tente comprar o que mais te agradou. Simplifique e não use fórmulas complexas em sua análise”.

Pense por si próprio

 “O fato de o mercado não aprovar suas escolhas não significa que você está errado. Use seu próprio julgamento e tenha coragem para segui-lo”.

Conheça suas forças e fraquezas

 “Ao pensar em como você deveria investir, é importante analisar as suas forças e fraquezas.

Eu não sou muito bom em analisar pessoas, então achei muito melhor analisar os números do que as pessoas por trás do negócio”.

Diversificar e não “casar” com as ações

 “Eu gosto da ideia de possuir um número diversificado de ações. Buffett é feliz com poucas e ele está certo, mas ele é o Buffett.

Nós não possuímos ações que nunca venderemos. Eu acredito que somos uma espécie de loja que compra mercadoria para estocar e gostaríamos de vendê-las com lucro dentro de 4 anos, se possível”.

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