Vale (VALE3): ações batem recorde com alta do minério de ferro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação

As ações da Vale (VALE3) registram alta de 3,40%, às 14h10 desta terça-feira (1), cotadas a R$ 80,41. O valor é recorde na história da empresa e desde o começo do ano acumula ganho de  47,73%.

A valorização da Vale se explica pelas notícias de que o minério de ferro deve fechar o ano acima de US$ 100 a tonelada, pela primeira vez desde 2013.

Segundo estudo S&P Global Platts, divulgado pelo Financial Times, o minério de ferro é a commodity que apresenta melhor desempenho em 2020, tendo valorização de quase 38%.

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Comparativamente, o ouro, que teve uma procura intensificada por investidores de olho no caráter de proteção da commodity durante a crise, valorizou menos: 24%.

Vale se beneficia da retomada chinesa

A alta no preço do minério de ferro, e consequentemente nas ações da Vale, vem da retomada da economia chinesa pós-pandemia.

“A China continua demandando minério e os estoques por lá estão mais baixos do que o normal. Por questões comerciais, o país diminuiu a aquisição de minério de ferro da Austrália, mas precisa manter seus novos investimentos em infraestrutura para manter a economia em crescimento”, explica Pedro Galdi, da Mirae Asset.

Neste contexto, a Vale encontra um cenário bastante positivo. “A Vale está com uma excelente estrutura de capital, praticamente sem dívida. E logo mais deve ser fechado o acordo de indenização sobre o colapso de Brumadinho”, afirma o analista.

PMI industrial da China aponta recuperação

Nesta terça-feira (1), foi divulgado mais um indicador da forte recuperação da indústria chinesa.

O Índice dos Gerentes de Compras industrial, medido pela IHS Markit, subiu para 54,9 pontos em novembro. Isto ante 53,6 de outubro, sendo que este é seu maior nível desde 2010. Leituras acima de 50 indicam crescimento.

Comentando o resultado, economista sênior Wang Zhe, do Caixin, que calcula o PMI junto à IHS Markit, afirmou que o indicador vem apresentando melhorias já há sete meses. O que demonstra que a recuperação continua a acelerar.

“A indústria continua se recuperando e a economia cada vez mais retorna à normalidade, como consequência do ambiente doméstico. A epidemia de Covid-19 desapareceu”, disse.

Ele afirmou ainda que a demanda externa continua mais fraca do que a doméstica. O que demonstra que a retomada interna chinesa por si só vem mantendo a produção de aço em patamares elevados.

“Esperamos que a recuperação econômica na era pós-epidemia continue por vários meses”, complementou.

Ontem (30), o Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou o PMI industrial oficial de novembro. Ele ficou em 52,1, acima da projeção de 51,5.

Segundo o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, a projeção é que a demanda siga em alta até pelo menos o primeiro trimestre do ano que vem.

Retomada da Vale

O aumento de preço do minério de ferro é um ingrediente a mais na trajetória de recuperação da Vale, após os trancos causados pela tragédia de Brumadinho.

De acordo com o BTG Pactual, a história de transformação da Vale nos últimos anos tem sido digna de nota, marcando o renascimento de uma gigante da mineração.

O acidente ambiental em Minas provocou uma onda de choque sobre a gestão para mudar a direção da empresa.

A agenda de segurança e ESG se tornaram metas primordiais de longo prazo, com a Vale preocupada em restaurar a credibilidade junto à sociedade.

O banco acredita que, embora houvesse receio de como a agenda acionista seria tratada neste novo ambiente, a Vale vai permanecerá altamente “amigável ao acionista” daqui para frente. Prova disso é a perspectiva de retomada do pagamento de dividendos que havia sido suspensa.

“Uma alocação de capital disciplinada e um forte impulso de retorno de caixa devem permanecer, mesmo que a empresa enfrentando infortúnios recentes.”

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