PIB: o que é e como é medido o Produto Interno Bruto

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

O PIB, ou Produto Interno Bruto, é um dos principais indicadores da economia de um país. Basicamente, ele funciona como um termômetro da atividade econômica pois, quanto maior ele for, mais aquecida estará a economia local, e vice-versa.

No Brasil, o indicador é calculado a cada trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele é utilizado para comparar a performance econômica de diferentes países, ou para avaliar a evolução de um mesmo país no decorrer dos anos.

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Existem diversas variáveis que influenciam no cálculo do PIB, conforme veremos a seguir.

Como é medido o PIB?

O PIB representa a soma de todos os produtos finais da economia. Ou seja, o seu cálculo leva em consideração apenas os bens da ponta de consumo, para que não haja duplicação no resultado.

Para explicar isso, o IBGE costuma utilizar o seguinte exemplo: se um país produzir R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, o seu PIB será de R$ 300, que representa o valor do pão. Isso porque os valores dos outros itens já estão contemplados no preço do pão.

É importante não confundir o PIB com a riqueza total que existe em um país. Isso porque ele é um indicador de bens e serviços produzidos em um determinado período, e não o estoque total desses itens.

A cada ano, o cálculo do PIB começa do zero, e tem como referência o período anterior. Dessa forma, se a produção atual do país for menor no comparativo anual, dizemos que ele teve um PIB negativo no período.

Cálculo do PIB

Para o cálculo do PIB, o IBGE utiliza dados produzidos pelo próprio órgão e outros de fontes externas. Ao todo, são 12 índices de produção, entre eles o Balanço de Pagamentos do Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a Pesquisa Anual de Comércio (PAC) e de Serviços (PAS), a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e outros índices setoriais e de consumo.

Existem duas formas de se calcular o PIB. Uma delas é a partir da demanda dos consumidores. A outra, considerando a oferta de produtos.

Em relação ao cálculo da demanda, são considerados os seguintes itens: consumo das famílias exclusivamente no mercado interno, gastos e investimentos do governo, investimentos das empresas e diferença entre as exportações e importações do período.

Por outro lado, o cálculo com base na oferta considera toda a produção dos setores de serviço, indústria e agropecuária. Ao longo dos anos, ocorrem mudanças nos percentuais de participação de cada uma das três categorias. Porém, os serviços sempre estão à frente, sendo que, no final de 2020, esse setor representou 74% no cálculo.

PIB per capta

O PIB per capta nada mais é do que a divisão do PIB pelo número de moradores do país ou estado em questão.

Em tese, quanto maior o PIB per capta, mais riqueza existe nas mãos da população. No entanto, não se pode utilizar esse indicador para avaliar a qualidade de vida das pessoas. Isso porque um local com PIB per capta alto pode não ter uma distribuição de renda equilibrada.

Estimativa para o indicador no Brasil em 2022

As projeções para o desempenho do PIB brasileiro em 2022 não estão nada animadoras. Isso porque diversos analistas e instituições financeiras esperam crescimento próximo a zero no ano que vem.

Basicamente, a piora dos prognósticos veio depois da última reunião do Copom, que elevou novamente a Selic. De acordo com o mercado, o salto do juro real e a perspectiva de novos aumentos da taxa básica compromete o desempenho da atividade econômica por aqui.

Para o JP Morgan, a taxa de juros real de 6% está significativamente acima da taxa neutra calculada pelo banco, que é de 3%. Segundo seus analistas, a deterioração da política fiscal também contribuiu para essa alta.

Diante desse cenário, o banco teme pelo crescimento do consumo doméstico e dos investimentos no país, que já estavam fracos frente à retomada da economia pós-Covid em outros lugares do mundo.

O Banco do Brasil também se posicionou a respeito da estimativa do PIB para 2022. Em relatório divulgado no final de outubro, a instituição declarou que: “O renovado estímulo fiscal anunciado pelo governo deve, em certa medida, amortecer o entrave ao crescimento econômico no curto prazo, mas as condições financeiras mais apertadas e, sobretudo, crescentes incertezas políticas em nossos cálculos mais do que compensam esse efeito”.

De acordo com o Boletim Focus, que semanalmente capta as percepções das instituições financeiras, o PIB brasileiro deve fechar 2022 com crescimento de 1%. Mas esta é a quinta redução consecutiva para o indicador, vale frisar. Há quatro semanas, a estimativa era de 1,54%.