Indicadores de inflação: você sabe para que serve cada um e no que ele impacta a sua vida?

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores

Os indicadores de inflação funcionam como termômetros que determinam se o país está em processo de expansão ou contração da economia.

Nesse sentido, ao refletir a real situação financeira do país, eles são usados como guias que ajudam a tomar melhores decisões.

O governo pode usar o IPCA, por exemplo, para controlar a inflação e direcionar a Selic. Investidores, por sua vez, podem decidir qual o melhor investimento, a depender do nível de inflação presente e futuro.

Do mesmo modo, a população em geral, ao tomar conhecimento dos indicadores de inflação, consegue descobrir se o seu poder de compra está sendo corroído pelo aumento generalizado dos preços.

O que é IPCA?

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador oficial responsável por medir a inflação no país.

Criado em 1979 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ele é usado para medir a variação de preços de um conjunto de produtos e serviços para o consumidor final.

Com isso, o governo consegue gerenciar o controle nas taxas de inflação do país, estabelecendo metas para ela ao mesmo tempo em que revisa a taxa básica de juros da economia, a Selic.

Para os investidores, esse índice também é muito importante. Não apenas por ele estar atrelado ao rendimento de vários tipos de investimentos, mas também por fornecer uma ideia de como anda a economia do país.

O que entra no cálculo do IPCA?

O IBGE faz um levantamento mensal, em 13 áreas urbanas do País, de, aproximadamente, 430 mil preços em 30 mil locais. Então, esses preços são comparados mês a mês, no intuito de analisar sua oscilação no período.

Vale destacar que o IPCA não é calculado sobre todos os produtos e serviços. Em suma, são categorias específicas e cada uma possui um peso diferente no cálculo. Essa cesta de produtos engloba as seguintes categorias:

  • Alimentação e bebidas
  • Artigos de residência
  • Transportes
  • Comunicação
  • Despesas pessoais
  • Habitação
  • Saúde e cuidados pessoais
  • Vestuário
  • Educação

A pesquisa de preços é realizada todo mês pelo IBGE em estabelecimentos comerciais, domicílios e concessionárias de serviços públicos e reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

O que é IGP?

O IGP (Índice Geral de Preços) é o indicador que registra a alta de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços ao consumidor final.

Esse índice foi criado em 1940 pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) para avaliar de forma abrangente o movimento de preços.

O índice se desdobra em três versões, sendo que o que diferencia elas é o período de pesquisa dos dados:

  • IGP-DI

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna faz medições no mês cheio, ou seja, do dia 1º ao dia 30 ou 31 de cada mês.

  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado)

No IGP-M, o período vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês atual. Esse indicador costuma ser o mais usado para o reajuste de contratos de aluguéis, planos e seguros de saúde.

No entanto, com o salto de quase 25% no IGP-M dos últimos 12 meses, a FGV já anunciou que estuda a substituição por um novo indicador para reajustar os aluguéis.

  • IGP-10 (Índice Geral de Preços 10)

O IGP-10 mede a evolução de preços no período compreendido entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês corrente.

O que é INPC?

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é usado pelo IBGE desde 1979 para analisar a variação dos preços no mercado varejista.

Sua forma de medição é semelhante ao IPCA, contudo o objetivo é aferir o custo de vida de famílias com renda entre um e cinco salários-mínimos.

Sendo assim, o foco do INPC é analisar a variação de preços de produtos e serviços, sobretudo das famílias de baixa renda.

Além disso, a alteração de preços de serviços e produtos mais básicos é mais sentida neste índice. O peso do grupo alimentos, por exemplo, é maior no INPC que no IPCA.

O índice costuma ser muito usado como ferramenta de correção monetária aplicada ao salário mínimo, de modo a compensar perdas econômicas e garantir o poder de compra da população.