Risco de crédito: saiba como se proteger do calote

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.

Crédito: Pixabay

Ao questionar um grupo de pessoas na rua, sobre quais são um dos principais serviços que os bancos oferecem, a maioria irá apontar o crédito. E elas estão certas. Afinal, o produto bancário mais popular está relacionado ao crédito, como financiamentos, empréstimos, cartões e cheques especiais. 

Porém, para oferecer estes serviços a instituição realiza a análise de crédito. Também é conhecida como avaliação do risco de crédito.

Quando um banco faz este estudo, ele analisa qual é a capacidade de pagamento pelo crédito pedido pelo indivíduo, além da probabilidade de calote por parte do consumidor.

Apesar da maioria das pessoas associarem o risco do crédito como uma relação entre empresas bancárias e clientes, ela também pode ser associada entre investidores e companhias e entre investidores e governos. Quando um investidor aplica o seu dinheiro em um ativo, ele deve avaliar quais são os riscos da empresa dar um calote.

Quando um investidor compra uma debênture ou título público, ele está “emprestando” o dinheiro para a empresa ou o governo. Com este dinheiro, as companhias utilizam os recursos para financiar o negócio ou ampliar a sua capacidade produtiva. Em troca deste “empréstimo”, as empresas pagam juros. 

Com isso, o investidor deve analisar qual é a capacidade de pagamento das empresas que ele está financiando. O risco de crédito é a probabilidade de não ser pago pela companhia.

Como avaliar o risco de crédito?

Para entender a capacidade financeira das empresas, o investidor deve estudar com base na análise fundamentalista. Esta tem como objetivo identificar e examinar a situação financeira, econômica e mercadológica de uma companhia, de um país, uma moeda ou até mesmo de uma commodity. 

É possível acompanhar a situação das empresas através dos resultados financeiros trimestrais. Inclusive, o mercado está em temporada de publicação dos balanços das companhias, acompanhe aqui no portal Eu Quero Investir.

Ao analisar o risco de crédito dos clientes, os bancos consultam a situação financeira das pessoas nos bancos de dados das instituições de proteção ao crédito, como Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa. Os investidores também conseguem consultar a capacidade financeira das empresas em mecanismos de pesquisa como o rating e o Índice de Basileia.

Rating: classificação de risco

O rating é uma metodologia desenvolvida por agências de classificação de risco e dá um parâmetro sobre o risco de empresas e governos. Standard & Poors, Moody’s e Fitch Ratings são alguns exemplos.

As instituições avaliam questões como tipo de negócio, cenário econômico e relação de parcerias para fazer a categorização do risco. As empresas e governos avaliados pelas agências são classificadas em:

  • Nível A (AAA, AA+, A1, A2, Aa): baixo risco de inadimplência
  • Nível B (BBB, BB+, B1, B2, Bb): risco médio de inadimplência
  • Nível C e variações: risco elevado de inadimplência
  • Nível D: em situação de calote.

Com essas informações em mãos, o investidor pode comprar um ativo de alguma empresa categorizada no rating. 

Índice Basiléia

Além das notas das agências, há a opção de pesquisar especificamente os bancos com o Índice Basiléia. Este classifica a solvência dos bancos. Revela qual é a capacidade das empresas bancárias cumprirem os seus pagamentos. 

Ao fazer investimentos em bancos privados, você pode consultar o Índice Basiléia para analisar quais são os riscos de crédito do seu banco.

Veja como se proteger do risco de crédito

Assim como os bancos se protegem do risco de crédito com os seus clientes, o investidor também também pode utilizar algumas estratégias para evitar os prejuízos e tentar minimizar esse tipo de ameaça. 

Pesquisar o rating e o Índice Basiléia já é um grande passo para se proteger do risco de crédito. Com os dados, é possível avaliar quais são as capacidades de pagamento das empresas, bancos privados e até mesmo dos governos.

Além dos índices, é possível observar se os investimentos têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Aplicações como CDB, LCI e LCA são garantidas pelo FGC em até R$ 250 mil por conglomerado financeiro, CPF ou CNPJ.

Os títulos públicos têm baixo risco de calote, uma vez que os governos dificilmente aplicam calotes em seus investidores.