A incerteza ronda novamente as empresas de shoppings listadas na Bolsa de Valores, como brMalls (BRML3), Aliansce Sonae (ALSO3) e Iguatemi (IGTA3).
Por um lado os resultados do quarto trimestre de 2020 mostraram recuperação e os papéis voltaram a subir nos últimos meses.
Mas, por outro lado, com a esmagadora maioria dos shoppings fechados por conta da pandemia, o futuro é incerto, com possibilidade de renegociações de contratos e queda novamente nas vendas.
Certo é que neste momento, dos 601 shoppings centers de todo o Brasil, apenas 29 estão operando sem algum tipo de restrição. Ou seja, 5% do total.
A situação revela o pior momento para o setor desde o início da pandemia de Covid-19 e lança dúvidas sobre as consequências que a nova onda de fechamentos deverá impactar para comerciantes e administradores de shoppings.
Entretanto, apesar do forte desempenho das ações de empresas como brMalls (BRML3), Aliansce Sonae (ALSO3 ) e Iguatemi (IGTA3), a avaliação do BTG Pactual (BPAC11) é de que os papéis dessas empresas continuam baratas.
“É difícil apontar apenas um motivo para o desempenho recente, mas ainda vemos o lado positivo”, destaca relatório publicado essa semana pelo banco ao avaliar a situação atual dos shoppings.
De acordo com a ABF (Associação Brasileira de Franchising) a situação hoje dos shoppings é mais frágil do que há um ano. Isso por que os varejistas já carregam desempenho mais fraco de vendas há meses, e se endividaram para se manter em meio à crise.
Pressão para renegociações
Com novos lockdowns em todo o país, levantamento da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), que circula em grupos de mensagens de empresários mostra que, na sexta-feira (19), só Roraima, Alagoas, Maranhão e Espírito Santo não tinham implementado restrições que afetam a circulação nesses centros de compras, segundo apurou o Valor Econômico.
Assim, é possível esperar maior pressão para que lojistas queiram negociar isenções ou desconto de aluguéis com as administradoras de shoppings.
Alguns dos principais nomes do mercado, como Iguatemi, brMalls e Aliansce Sonae já afirmaram que não vão negociar. O argumento é de que a situação hoje é diferente da de 2020, pois o fechamento dos comércios deve durar menos tempo do que no ano passado.
Vacinação, taxas de juros e bons resultados no 4TRI20
De acordo com os analistas do BTG o banco tem sido inundado com perguntas de investidores questionando por que as ações dos shoppings centers tiveram um desempenho tão bom nas últimas semanas.
“Nós acreditamos que é uma combinação de: taxas de juros que se acomodaram após grandes oscilações em meados de fevereiro (sim, elas se acomodaram em patamares mais elevados, mas são menos voláteis); melhores perspectivas de vacinação (o governo parece mais empenhado em combater a pandemia); bons resultados do 4T20, com todas as empresas mostrando resiliência apesar dos shoppings fechados; e avaliações atraentes, uma vez que ainda encontramos valorização de 44% nos estoques de shopping”, explicam Gustavo Cambauva, Elvis Credendio e Antonio Martins em relatório do BTG.
Shoppings permanecem resilientes, diz BTG
Segundo os analistas do BTG, os resultados divulgados pelos shoppings no quarto trimestre confirmaram que os shoppings permanecem resilientes.
Mas, claro, os shoppings foram abalados pela Covid. No entanto, o BTG sinaliza que a vacância aumentou apenas 200 bps a/a, em média, no 4T20, enquanto os aluguéis das mesmas lojas caíram 3-17% a/a, mostrando claramente que os shoppings mantiveram um relacionamento saudável com os inquilinos durante esses tempos difíceis.
E, mais importante, as vendas de mesma loja (SSS) caíram apenas 12-16% a/a, apesar de todas as restrições (menores horários de funcionamento, capacidade reduzida, etc.), o que significa que as vendas podem apresentar uma recuperação em forma de V em breve, segundo o BTG.
Olhando pela perspectiva dos investidores, os analistas reconhecem as incertezas no momento diante das ações dos shoppings, fortemente impactados pela pandemia. Mas o viés ainda é positivo para o setor, especialmente no quesito valuation.
Assim, o BTG recomenda a compra de Aliansce Sonae (ALSO3), brMalls (BRML3) e Iguatemi (IGTA3). Mas mantém neutralidade em relação a Multiplan (MULT3).
Segundo reportagem do Traders Club, enquanto o Ibovespa já zerou as perdas durante a pandemia, o setor de shoppings é negociado a uma margem de 300 pontos –base a 500 pontos-base sobre as taxas de juros reais de longo prazo, ante o histórico de 150 pontos a 250 pontos.
Os resultados dos shoppings no 4TRI20
As principais operadoras de shoppings do país viram o ano terminar com viés positivo após meses nebulosos em 2020 por conta da pandemia de Covid-19. Assim, os dados reportados no quarto trimestre foram, na média, bem vistos pelo mercado.
O brMalls (BRML3), por exemplo, reportou queda de 63% no lucro líquido do 4TRI20, mas reportou um trimestre resiliente, segundo o BTG.
Os analistas ressaltaram que os dados operacionais estavam sob controle nos shoppings do brMalls, como taxa de vacância caindo 50 bps t/t para apenas 4%; índice de inadimplência de 5,5% no 4T20; e custo de ocupação ou inquilinos de 9,5% das vendas dos varejistas (-50 bps a/a).
Já a Aliansce Sonae (ALSO3 ) reportou queda de 98% no lucro líquido do 4TRI20. Mas, no acumulado do ano, o lucro foi 100% maior do que em 2019.
Para o BTG, a empresa também apresentou um trimestre resiliente, com números sólidos, mas abaixo do esperado. “O SSS caiu ‘apenas’ 11,6% a/a e o SSR caiu 5,9% a/a”, ressalta o BTG. Mas a empresa manteve os custos de ocupação dos inquilinos em um nível baixo de 9,5% das vendas (+ 40bps a/a) e a inadimplência em 5,2%. A taxa de ocupação também foi positiva, com 95,8%.
Por fim, o Iguatemi (IGTA3) teve queda de 6,7% no lucro líquido. Mas, segundo o BTG, o conjunto de indicadores foi sólido o suficiente para indicar um recuperação, apesar da queda de receita líquida (12,7%). A taxa de inadimplência observada foi de 9,3% e a vacância atingiu 9% do total.






