Money Week: BC estuda PIX para conta de investimento nas corretoras

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

Sistema de pagamento instantâneo criado e regulado pelo Banco Central, o PIX já entrou em funcionamento e deverá contar com uma importante novidade aos investidores: operacionalidade entre contas correntes dos investidores e suas contas nas corretoras. Isso deverá ocorrer nos próximos três anos.

Este foi um dos temas abordados no segundo dia de painéis da Money Week, que começou com o debate “PIX: a revolução nas transações bancárias e o impacto na economia”.

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O encontro contou com a participação de Breno Lobo, chefe de subunidade no Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro, e Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do mesmo departamento do BC.

Meio de pagamento concorrente a DOCs, TEDs, boletos, pagamentos em dinheiro e, também, cartão de débito, as novas funcionalidade do PIX , nos próximos anos, foram indicadas pelos representantes do BC.

Assunto que muito interessa aos investidores, as operações entre contas correntes e de investimento de maneira ágil e econômica podem alterar a dinâmica das transações.

Nós entregamos um produto bastante interessante, mas há muita coisa bacana ainda a ser entregue nos próximos meses e anos“, diz Lobo.

O PIX, hoje, é baseado no conceito de compra transacional entre contas bancárias, de poupança e pré-paga. As contas nas corretoras não são consideradas contas transacionais. Então neste primeiro momento, ficaram de fora. Mas estamos trabalhando nesse conceito, para que o PIX também possa ser utilizado”, acrescentou durante a Money Week.

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Mais novidades previstas

Em funcionamento desde o dia 16 de novembro, o PIX apresenta crescimento de 30% na quantidade de operações realizadas.

Outras novidades previstas em até três anos são essas. Confira:

  • Saque PIX: o consumidor poderá sacar dinheiro nos diversos tipos de comércio. “Além da praticidade, para os comerciantes é bom para ele não acumular muito dinheiro em loja ao longo do dia, por segurança”, aponta Lobo. Para as fintechs, a possiblidade abre uma oportunidade, já que muitas não dispõem de caixas eletrônicos.
  • QR code off-line: vai viabilizar o acesso ao meio de pagamento via código de barras mesmo que a pessoa não esteja conectada.
  • Pix Garantia: operação de agendamento. O pagamento ao fornecedor estará garantido, mesmo que o cliente não tenha dinheiro em conta na data.
  • Pagamento por aproximação: para garantir mais praticidade e minimizar contatos.
  • Requisição de pagamento: espécie de Débito Direto Autorizado (DDA). Será possível saber todos os vencimentos dentro da plataforma PIX.
  • Pagamentos internacionais: a novidade está no final da lista de avanços do PIX. Isto porque envolve regras cambiais e conexões com outros sistemas.

Quais as vantagens do PIX?

Para Breno Lobo, os grandes diferenciais do PIX são a agilidade e a redução de custos.

As pessoas não veem os custos associados aos pagamentos de TED, DOC e boleto. O PIX tem menores custos e é bem mais ágil”, diz. E complementa: “O PIX também tem potencial de substituir o dinheiro em espécie e acabar com os gastos para produzir e distribuir o dinheiro, os custos com segurança. Haverá redução de custos e aumento da eficiência como um todo”.

Já para as empresas, a vantagem é a disponibilização imediata do dinheiro. “Os demais pagamentos eletrônicos tem prazo longo para cair. E a empresa acaba tendo um custo adicional para antecipar um recebível. Com o PIX não vai ter esse custo. É uma alternativa muito mais barata de recebimento”, afirma.

PIX: segurança das operações

Como toda novidade, o PIX tem levantado alguns questionamentos quanto à segurança das operações, o que Brandt e Lobo garantem estar assegurada.

Estamos entregando para a sociedade um meio de pagamento extremamente seguro, desenhado por um grupo de trabalho com os melhores especialistas do país na área. Este grupo trabalhou no mapeamento de todas as vulnerabilidades possíveis e em soluções para elas”, aponta Brandt.

Entre as medidas de segurança, ele destaca processos de autenticação exigidos pelo Banco Central, biometria, reconhecimento fácil, estabelecimento de limites de acordo com o perfil e a vontade do cliente, e mecanismo de detecção de qualquer negociação fora do padrão, que aciona o alerta do Banco Central e, imediatamente, a operação é colocada em averiguação.

É o meio de pagamento mais seguro atualmente. Mas é importante dizer que o PIX não veio resolver um problema de segurança pública que já está dado, já existe na sociedade. Com o PIX, a segurança é maior e ele não acrescenta elementos a mais de insegurança”, pondera.

Quanto a possíveis receios de uso das chaves PIX, eles esclarecem durante a Money Week que ela só pode ser usada para quem vai fazer a transferência e não há compartilhamento de nenhum dado sigiloso, portanto não há preocupação em ser compartilhada.

Eles recomendam aos usuários nunca confiar em mensagens recebidas por e-mail, Whatsapp ou telefone. Toda e qualquer mensagem relacionada ao PIX será sempre dada na própria plataforma do meio de pagamento, acessada pelo site ou aplicativo da instituição financeira escolhida.

Gratuidade também está garantida

Outros boatos descartados pelos representantes do BC é que a gratuidade do PIX para pessoas físicas está garantida e não há intenção de alterar esta realidade.

Assim como eles descartam também qualquer vinculação da criação do PIX com um possível imposto digital.

O processo de criação do PIX começou em 2017, quando nem se falava na possibilidade de novo imposto. Da parte do Banco Central, não há qualquer relação”, afirma Brandt.

Os tributos são uma política de governo, que vem do Ministério da Economia com aval do Congresso. Nós estamos oferecendo uma nova forma de pagamento, sem vinculação nenhuma sobre novos tributos”, enfatizou em sua participação na Money Week.

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