PIX: entenda como funciona o novo meio de pagamento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O PIX é um novo meio de pagamento criado pelo Banco Central com a promessa de mudar a maneira como o brasileiro lida com pagamentos e transferências.

Ele estará disponível aos clientes das instituições financeiras a partir de 16 de novembro. Mas em 5 de outubro, quem tiver interesse já poderá realizar seu cadastro de chaves PIX, que serão como identificações das pessoas e empresas na plataforma.

Neste post, você vai entender em detalhes a novidade.

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O que é o PIX?

O PIX é uma plataforma idealizada e administrada pelo Banco Central do Brasil que servirá de alternativa a diversos meios de pagamentos hoje existentes: boleto bancário, DOC (documento de ordem de crédito), TED (transferência eletrônica disponível), cartão de débito e pagamento em espécie.

Com o PIX, o Banco Central busca tornar mais simples, rápidas e acessíveis as transações de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas.

Quais as vantagens?

Para o consumidor e também para o vendedor, o PIX tem uma série de vantagens:

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  • Ele será gratuito para as pessoas físicas. Para pessoas jurídicas, ainda não foram reveladas as taxas.
  • Será um meio de pagamento que funcionará 24 horas, sete dias por semana.
  • Não terá valor mínimo ou máximo para a transação financeira.
  • A transação será completada em segundos e não demandará o período de compensação de DOCs e TEDs.
  • Ele não demandará o uso de cartões ou tokens para finalizar a transação. Bastará um celular ou computador com acesso à internet.

Como o PIX funcionará na prática?

A melhor maneira de entender o PIX é por meio de exemplos.

Para ficar claro, suponha que um consumidor comprou um quadro. Se ele tiver a opção de leitura do QR Code, basta entrar no aplicativo ou site da sua instituição financeira de preferência (onde já tem ou abriu conta) e selecionar a opção de leitura. Depois, realizar o pagamento por PIX – da mesma forma que hoje é possível selecionar DOC ou TED ao fazer uma transferência.

Outro exemplo: se você quiser transferir uma quantidade de dinheiro para um amigo. Então, você deverá entrar no aplicativo ou site da instituição financeira de sua escolha e selecionar a opção de transferência via PIX.

A diferença, neste caso, será que, na hora de preencher o destinatário da transferência, não será preciso informar nome completo, CPF, banco, agência e conta. É necessário apenas informar a chave PIX informada pelo beneficiário. O aplicativo, instantaneamente, preencherá os demais campos.

É preciso continuar vinculado a uma conta bancária?

O Pix não será oferecido através de um aplicativo à parte. Mas, sim, dentro do aplicativo da instituição financeira (banco, fintech e cooperativas de crédito, por exemplo) da qual a pessoa já é cliente ou pretende se tornar cliente. Ele será, então, mais uma das opções disponíveis para pagamento. Portanto, é preciso continuar vinculado a uma conta bancária.

Ele também não é um tipo de conta específica, que deverá ser aberta em determinada instituição. É um meio de pagamento, que estará conectado a uma conta existente.

Novidade deve gerar bancarização

Exatamente por demandar uma conta para ser utilizado é que o PIX vem acirrando a concorrência entre os bancos tradicionais e as fintechs.

Com a gratuidade e a facilidade oferecida pelo PIX, a expectativa é que muitos brasileiros que hoje estão à parte do sistema financeiro se bancarizem. Para o Morgan Stanley, a novidade deve atrair de 20 milhões a 45 milhões de pessoas.

É por esses clientes que o mercado já vem se mobilizando para atraí-los e fidelizá-los.

O que é a chave PIX?

A chave PIX é a porta de entrada para este novo meio de pagamento. É como uma senha para fazer e receber transferências.

A partir de 5 de outubro, os consumidores podem realizar o cadastro das chaves na instituição financeira de sua preferência.

A chave PIX pode ser o CPF, o CNPJ, o e-mail ou o número de celular. O cliente terá a opção ainda de gerar uma chave aleatória.

Cada pessoa poderá ter até cinco chaves PIX por conta. As pessoas jurídicas, até 20 chaves PIX.

Caso o cliente queira mudar de instituição financeira, as chaves PIX são levadas junto – a portabilidade é garantida pelo Banco Central.

Todo mundo pode fazer e receber um PIX?

Sim, desde que a pessoa ou empresa realize o cadastro no sistema. Por exemplo, ao comprar algo em uma loja que não tenha o CNPJ cadastrado no PIX, não será possível realizar o pagamento por este meio.

Novidade deve ser incorporada pelos brasileiro

Para Boanerges Freire, consultor em varejo financeiro, o PIX será “simples como enviar uma mensagem” e deve, com o tempo, ter ampla aceitação pelos consumidores brasileiros.

Ele elenca como vantagens o fato de ser gratuito, prático e rápido, além de gerar inclusão financeira e aumentar a competição entre os meios de pagamento.

“Como qualquer novidade, haverá um processo de adaptação, de incorporar isso aos hábitos. Conhecer, experimentar, até tomar o PIX como meio de pagamento relevante e até prioritário”, diz.

Victor Hasegawa, gestor da Infinity Asset, também tem uma visão otimista quanto ao novo meio de pagamento. “Ainda tem muita coisa a ser conhecida e definida. No entanto, acredito que todas as mudanças tecnológicas vêm para ajudar no ganho de produtividade da indústria. No longo prazo, o PIX pode realmente ajudar a bancarizar a população. E este é o grande ponto positivo”, afirma.