Fundos cambiais: o que são e como anda o desempenho?

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Hippopx

Você já pensou em investir em moeda e lucrar com a sua valorização? Os fundos cambiais têm justamente esse objetivo. Eles acompanham a movimentação de uma moeda, normalmente dólar e/ou euro.

Esse tipo de investimento é muito comum também para quem quer proteger o seu patrimônio. Afinal, moedas fortes como dólar e euro tendem a sofrer menos quedas que o real.

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Mas você sabe como eles funcionam na prática? Se você está pensando em investir nesse tipo de fundo, não deixe de ler esse artigo até o final.

Como funcionam os fundos cambiais?

Cada fundo cambial tem a sua moeda referência. A maioria deles é focada em dólar e euro, por serem moedas com maior liquidez e referências globais. No entanto, alguns fundos também são focados em moedas estratégicas, como o iene, do Japão, yuan, da China.

“É muito comum que eles tenham entre 70 e 80% em dólar e o restante distribuído entre outras moedas. E destas outras moedas, 15 a 20% eventualmente é euro, restando uma parcela menor em outras moedas”, explicou Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI.

Além disso, as operações dos fundos também podem acontecer no mercado futuro. “Podem tanto atuar na posição comprada quanto na vendida, abrindo a possibilidade de o investidor ganhar na alta ou na queda do ativo referência”, completa Fabian Fávero, que também é assessor EQI.

Em resumo, é possível investir em moeda com dois objetivos. O primeiro, envolvendo o mercado futuro, é lucrar com a flutuação da moeda. Já o segundo é proteger seu patrimônio, seja com hedge cambial, caso se tenha relações de compra e venda constantes com o exterior, seja apostando em moedas mais fortalecidas em relação ao real para manter o seu poder de compra.

“Ao investir em moeda, o investidor mais conservador, que apenas compra títulos do Tesouro, acaba tirando toda a concentração em ‘Brasil’. Já o investidor mais agressivo, pode utilizar como ferramenta também de especulação com a variação da moeda”, explica Fávero.

Mercado futuro

O mercado futuro é baseado na especulação. Ou seja, é uma tentativa de se prever o movimento do mercado e lucrar com isso.

Nele, os investidores assumem um contrato de compra ou venda de certa quantidade de cotas de um ativo. No entanto, essa compra não é imediata, ela tem uma data futura estipulada, assim como um preço já pré-definido.

Ou seja, quem compra no mercado futuro, acredita que esse ativo irá se valorizar na data estipulada no contrato. Já quem vende, acredita que esse ativo vai se desvalorizar no futuro.

Por isso, essa é uma modalidade de investimento de alto risco e não é recomendada para investidores conservadores. Caso você ainda não saiba o seu perfil de investidor, é possível descobri-lo por meio do nosso teste.

Contratos futuros de dólar e euro

Agora que você já entendeu o que é o mercado futuro, fica mais fácil compreender o que são contratos futuros de dólar e euro.

O dólar futuro nada mais é do que um contrato de compra ou venda de uma determinada quantidade de moeda norte-americana por preço e datas definidas no momento da compra. Trata-se de uma commoditie financeira negociada na bolsa de valores.

O objetivo dessas negociações é, justamente, obter lucros a partir das variações do dólar e do euro em relação ao real. Se o investidor acredita que a moeda estrangeira vai subir, ele compra dólar ou euro futuro. Enquanto, se a expectativa for de queda da moeda do fundo em questão, ele vende dólar ou euro futuro.

Existem fundos cambiais focados em cada um desses objetivos. Por isso, além de verificar a moeda referência do fundo, é importante que o investidor se atente à estratégia e o foco de cada fundo.

Mini dólar e mini euro

Termo muito utilizado no mercado futuro cambial, o mini dólar corresponde a 20% do contrato de dólar futuro. Considerando que o contrato cheio vale US$ 50 mil, o mini dólar representa então a compra ou venda de US$ 10 mil.

A mesma coisa vale para o mini euro. Ele equivale a €$ 10 mil, enquanto os contratos cheios de euro futuro custam €$ 50 mil .

No entanto, cada contrato cheio operado no mercado normal de câmbio, há oscilação no ponto (seja para baixo ou para cima).

Um ponto de dólar ou euro vale R$ 10. Ou seja, a oscilação do ponto representa prejuízo ou lucro com valor percentual ao dólar (R$ 10).

O lote mínimo para operar o mini dólar é de um contrato. E a variação mínima de cada contrato durante um pregão é de R$ 0,50. Então, se você obteve 5 pontos de lucro, você obteve R$ 50 de lucro.

Hedge cambial

O hedge cambial ou headging é um método que empresas e investidores têm de se protegerem das variações do mercado. Principalmente quando eles lidam diretamente com ativos de outros produtos.

“Um hedge é uma parcela da carteira destinada basicamente a proteção. Muitas empresas que mantém relações comerciais estrangeiras utilizam fundos cambiais justamente para isso, porque acaba travando o preço da moeda estrangeira no momento do aporte no fundo”, explica Fávero.

Dessa forma, o headiging assegura o valor de uma dívida que será paga no futuro. Ou, no caso dos ativos, o valor de uma commodity, dólar, ação ou título do governo.

Ele também é feito por meio dos contratos futuros, o que muda é apenas a sua intenção. A estratégia de hedge cambial visa assegurar o valor, e não necessariamente apostar em lucro.

Desempenho dos fundos cambiais no último ano

Em 2020, os fundos cambiais tiveram uma rentabilidade excelente. Isso aconteceu porque, com a crise do coronavírus, houve uma saída do fluxo estrangeiro de países emergentes, como o Brasil, e a busca por mercados mais sólidos. Isso fez com que, automaticamente, o real se desvalorizasse em detrimento do dólar e do euro.

No ano, a variação do euro foi de 40% e do dólar de 29,17%. Isso fez com que os fundos cambiais focados em euro estivessem entre os melhores de 2020. Ao passo que os com foco em dólar também não estiveram muito atrás.

“A expectativa para 2021 é um fortalecimento do real, tendo em vista a busca do investidor estrangeiro por mercados emergentes e diversas instituições internacionais classificando Brasil como ‘compra'”, comenta Fávero.

Um dos pontos que fazem do Brasil atraentes para os estrangeiros é que vemos agora um novo ciclo de commodities. E, como esses ciclos geralmente são longos, essa realidade deve perdurar por anos.

O que levar em conta na hora de investir em moeda?

Na hora de investir em fundos cambiais é importante saber que trata-se de um mercado muito volátil. Até por conta disso, é difícil determinar o tamanho desse mercado no Brasil de forma precisa.

“O principal risco do fundo cambial é a oscilação em si da moeda. O bom é o fato de que, normalmente, quem os busca já utiliza como uma forma de proteção, para justamente dirimir o risco da carteira. É pertinente também se atentar à moeda que o fundo utiliza como referência, o movimento do fundo (compra/venda), e as taxas cobradas pela gestora em si”, recomenda Fávero.

Além disso, é preciso levar em conta a valorização do real e consequente queda do dólar e do euro na hora de investir em moeda em 2021.

Se o seu objetivo é proteção cambial, vale a pena comprar ou manter fundos cambiais na sua carteira de investimentos. Agora, se a ideia é especular com a alta do ativo, as recentes altas já podem indicar um bom momento para realizar lucro. Ou seja: o momento não é ideal para comprar, mas sim vender.