Quais foram os fundos que conseguiram se dar bem com a alta do euro e do dólar?

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Reprodução/Libreshot

A alta do dólar e do euro foi expressiva em 2020. Após a queda causada pelo momento inicial da pandemia por conta do surgimento do novo coronavírus, ambas as moedas se recuperaram bem e rapidamente.

O euro valorizou 40% no ano passado e o dólar fechou o ano com alta de 29,17%. Isso aconteceu porque, em momentos de crise, as pessoas tendem a buscar por ativos chamados de “risk off” (livres de risco).

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Esses ativos são os mais consolidados e sofrem menos risco de percas. Geralmente, eles estão nos EUA e na Europa. Por isso, ocorreu a valorização de ambas as moedas.

Por que tivemos alta do dólar e do euro durante a crise?

Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI, explica que, no momento inicial da pandemia, a incerteza dominou o mercado. Naquela época, até mesmo o dólar e o euro caíram, pois o pânico foi grande no mercado.

No entanto, com a estabilização da situação e a indicação de que os EUA e a Europa teriam boas condições de se recuperarem, essas moedas subiram. Investidores voltaram suas aplicações para países desenvolvidos. Isso porque houve um medo de países emergentes, que têm menores condições de se recuperarem em situações como esta.

Com isso, euro e dólar subiram e quem apostava em fundos cambiais ou fundos de investimentos com foco em ativos no exterior se deu bem.

Fundos cambiais que mais se valorizaram

Segundo levantamento da consultoria Economática, os fundos que entregaram melhor retorno no último ano foram os com foco em euro, a moeda que mais sofreu valorização.

O fundo BB Top Euro ficou em primeiro lugar, com 35,90% de retorno. E BB Cambial Euro em segundo, com 34,53%. Logo em seguida, temos uma série de fundos de dólar.

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Melhores fundos cambiais de 2020 -Fonte: Economática

Fabian Fávero, assessor EQI, lembra ainda que não foram só os fundos cambiais que se deram bem com a alta do dólar e do euro. “Foram duas modalidades, os fundos cambiais e os fundos atrelados a ativos estrangeiros, como os fundos de BDRs (exemplo: Arbor Global Equities e Western Asset BDR)”, explicou.

No entanto, os fundos cambiais dependem mais diretamente da flutuação da moeda. Já os fundos atrelados a ativos estrangeiros dependem também das especificidades do mercado e das empresas em questão. No entanto, de qualquer forma, na hora de se vender esses ativos, o dólar ou euro mais altos beneficiam o investidor.

Vale a pena comprar ou manter fundos cambiais agora?

Em 2021, a expectativa é que o dólar caia um pouco em relação ao real. Isso porque, com o avanço da vacinação pelo mundo e a consequente expectativa mais positiva do mercado, investidores voltaram a apostar em economias emergentes.

Além disso, vemos um novo ciclo de commodities, o que deve favorecer o Brasil. Tudo isso colabora para a valorização da nossa moeda, ainda que pequena.

Para Fávero, a pergunta sobre comprar ou manter fundos cambiais não tem uma resposta única. Tudo depende do objetivo do investidor. “Se a ideia é proteção cambial, vale a pena manter ou comprar. Porém, se a ideia é especular com a alta do ativo, as recentes altas já podem indicar um bom momento para realizar lucro”, explica.

Ele lembra ainda que, para os especuladores, há fundos que atuam na posição vendida. É possível negociar no mercado futuro também, com mini contrato de dólar. No entanto, lembramos que esse tipo de investimento é indicado para investidores com perfil mais arrojado.

Como investir em fundos de investimentos com foco em câmbio

Antes de investir em fundos cambiais, é importante entender como cada fundo funciona e qual é a estratégia. A maioria desses fundos investe em dólar e/ou euro, por garantirem maior liquidez global. Geralmente, os fundos têm pelo menos 70% da carteira voltada para essas moedas.

No entanto, também existem fundos que apostam em moedas com grande potencial de valorização por conta do mercado também consolidado e em expansão de seus países. É o caso do iene, do Japão, ou yuan, da China.

Na hora de investir, o investidor deve ter em mente se o seu objetivo é de proteção de patrimônio ou ganho de capital rápido por meio da valorização. Se for o segundo caso, é importante estudar bem o mercado e aprender a prever possíveis altas de moedas.

Dessa forma, o recomendado é, como sempre, utilizar a diversificação de carteira a seu favor. E essa diversificação vai depender justamente do seu perfil de investidor e do seu objetivo financeiro.

“Atrelar parte do capital a uma moeda estrangeira é algo essencial para diminuir o risco da carteira, seja para o investidor mais conservador e até mesmo o mais agressivo. Nos exemplos citados, o investidor mais conservador, que apenas compra títulos do Tesouro Direto, acaba tirando toda a concentração da carteira em ativos do Brasil. Já o investidor mais agressivo pode utilizar os fundos como ferramenta também de especulação com a variação da moeda”, finaliza Fávero.

Se você quer saber mais sobre fundos de investimentos e como investir, preencha o formulário abaixo que um assessor poderá auxiliá-lo em sua jornada.