FII Summit: O que você precisa saber sobre operar vendido em FIIs

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Você certamente já ouviu falar em FIIs e, por isso, está acompanhando atentamente a edição 2021 do FII Summit. Mas você sabia que já é possível alugar FIIs? A operação, liberada pela B3 desde novembro, é chamada de operar vendido (ou shorts), e oferece alguns riscos, principalmente para quem não tem experiência de mercado.

Para explicar os prós e contras da novidade do segmento de Fundos Imobiliários, o painel desta quinta-feira, último dia de palestras do evento, foi formado por três especialistas do País.

André Bacci, investidor profissional e autor do livro “Introdução aos Fundos de Investimentos Imobiliários”, Daniel Nigri, investidor há 21 anos, engenheiro de produção e CEO do Dica de Hoje Research, e Roberto Varaschin, sócio e co-fundador da EQI Investimentos, esmiuçaram o assunto e tentaram esclarecer para o público interessado um pouco mais sobre operar vendido em FIIs.

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“Varejo ainda não chegou”, diz Varaschin no FII Summit

FII Summit

Na visão de Roberto Varaschin, sócio e cofundador da EQI Investimentos, a opção de operar vendido em FIIs, por enquanto, ainda está engatinhando no Brasil, especialmente entre as pessoas físicas.

“Clientes têm ligado até pouco para falar sobre esse tema, pois ainda não entrou na mídia, mas, quando vem, vem em lote. Ainda não está em 5, 6, 7%. Muito incipiente. Quem está fazendo isso são os institucionais. O varejo ainda não chegou”, informou, ao público atento ao painel do FII Summit.

O executivo se posicionou favoravelmente à abertura desse novo caminho pela B3 e apostou que, quando o assunto tiver um alcance maior, trará benefícios ao mercado. “Tenho certeza de que vai chegar um momento que isso vai explodir e todo mundo vai querer. Então você tem que antecipar, ter informação e, na hora que quiser fazer, fazer da maneira certa”, alertou.

“Operar vendido ou entrar no aluguel de uma cota de FII tende a trazer mais liquidez e deixar o mercado mais maduro. Não tem como não ser positivo. Esse ano vamos ver cada vez mais esse tipo de operação, mas ainda temos utilizado pouco. Será muito importante para quem quiser ganhar dinheiro e aumentar os ganhos com fundo imobiliário”, completou Varaschin.

Dica de Daniel Nigri é evitar os fundos recebíveis

Daniel Nigri fez coro com Varaschin e também disse ver com bons olhos a liberação da B3 ao aluguel de Fundos Imobiliários, “porque é bom o mercado ter mais opções e não cercear os direitos de escolha dos investidores”.

No entanto, Nigri fez um alerta para os interessados pelo assunto que apenas “ouviram falar” do “short”, nome dado ao processo de operar vendido.

“Eu tomaria cuidado, principalmente pessoa física, se for operar short. Existem duas formas de operar no mercado. Uma delas é comprar o FII, ser dono da cota e colocar para aluguel. Agora quem aposta na queda da cota, operando vendido, precisa tomar mais cuidados”, avisou.

“Esse tipo de pessoa vai ter que ficar pagando todos os fatores. Rendimento, subscrição. Nessa situação, precisa pesar na balança. Se demorar para cair ou não cair, você precisará ficar pagando todos esses eventos corporativos”, complementou Nigri.

Para tentar minimizar esse risco, a dica de Daniel Nigri aos espectadores do FII Summit é direta: “Eu evitaria de cara os fundos de recebíveis, mas isso é muito óbvio. O fundo passivo é um pouco melhor, pois dificilmente vai fazer novas emissões. Só se precisar gastar, fazer remodelação nos imóveis. Minha dica é essa: quer começar a investir vendido em fundo, embora eu não recomende, eu falo para evitar os recebíveis e busque para começar fundos que sejam passíveis. Provavelmente esse vai se assemelhar com a ação e vai te dar um pouco menos de dor de cabeça”.

André Bacci alerta: Cuidado com a intuição

Convidado a participar da última edição do Money Week, André Bacci também marcou presença no FII Summit e, como costuma fazer, deu uma verdadeira aula, misturando didática e simplicidade, ao abordar um assunto novo, e ainda bastante confuso, como o de operar vendido em FIIs.

Na visão do investidor profissional, a diferença é básica: “Quando você compra, tem direitos econômicos. Quando opera vendido, ou seja, tomou em aluguel e vendeu a cota, quem fornece os direitos? Sai do bolso do vendedor, e a chance de quem opera vendido ter que devolver 150, 200, 300 cotas é bastante alta”, explicou.

“Operar vendido em FII é igual a ação, mas tem uma parte perigosa e diferente na prática. Os Fundos Imobiliários fazem muita emissão, o que pode levar quem opera vendido a perder valor, quando há ajustes na cota. Se está operando vendido no dia da emissão, é você quem recebe dinheiro a menos e tem que devolver cotas a mais”, explicou.

De acordo com André Bacci, a liberação da operação chamada de short pela B3 é positiva “para o mercado ficar mais parecido com o de ações”, mas é importante lembrar que quem está vendido tem que fazer o papel do fundo, ou seja: “Pagou rendimento, pagou amortização, o cara que tá vendido tem que tirar do bolso e pagar”.

Por conta disso, o investidor fechou sua participação no FII Summit 2021 com um conselho de ouro para quem está de olho nesse novo filão do mercado financeiro: “Opere pequeno e cuidado com a intuição e com a emissão. Fundo imobiliário faz muita emissão”, concluiu.

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