Fed mantém taxas de juros perto do zero e vê retomada com alta da inflação

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Fed

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta (28) que o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição, manteve as taxas de juros entre zero e 0,25%.

A decisão, esperada pelo mercado, foi por unanimidade. A espera dos investidores era pelo comunicado do Fed. No texto que pautou a reunião do comitê, o Fed diz que, com “o progresso na vacinação e apoio político, os indicadores econômicos melhoraram. A trajetória da economia depende da evolução do vírus e da vacinação.”

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O país tem mais da metade da população adulta vacinada.

Mas o Fed pondera que não é o momento de modificar a política monetária: “A pandemia continua causando tremendas dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos. Setores mais afetados pela pandemia seguem fracos, mas melhoraram””

“Estamos comprometidos em usar toda gama de instrumentos para apoiar economia”, escreve o comunicado da instituição.

O comitê pontua:  “A inflação aumentou, refletindo em grande parte fatores transitórios. Vamos deixar inflação moderadamente acima da meta [de 2%] por algum tempo. Manteremos acomodação na política monetária até atingirmos metas de inflação e emprego.”

Fed: indicadores melhoraram

O Fed observou que os esforços contra a circulação de pessoas para frear a pandemia da Covid-19 ajudaram a impulsionar a economia, mas analisou que é preciso tomar mais medidas para reforçar a retomada. Por esse motivo, diz o Fed, as taxas de juros serão mantidas nesse patamar “por mais algum tempo”.

“Em meio ao progresso nas vacinações e forte apoio às políticas, os indicadores de atividade econômica e emprego se fortaleceram”, disse o comitê.

No comunicado, o Fed manteve o aviso de que perseguirá a política monetária acomodatícia, até que sejam atingidas as metas de inflação e emprego, incluindo juros zerados e compras de títulos do Tesouro e hipotecários, que garantem o quadro de intensa liquidez global – bom para os emergentes.

“A atual crise de saúde pública continua pesando sobre a economia, e os riscos para as perspectivas econômicas permanecem”, alertou o comunicado. Na reunião de março, a mesma frase mencionava “emprego”. Isso indica que os dirigente estão vendo melhora no mercado de trabalho.

Fed: compras de títulos

O Fed anuncia que as “compras de títulos de US$ 120 milhões serão mantidas até que se observe progresso significativo em direção às metas.”

O banco central americano estabelece: “Manteremos compras de US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 40 bilhões em títulos hipotecários.”

“Aumentaremos carteira de ativos lastreados em hipotecas em, ao menos, US$ 40 bilhões ao mês”, diz o
Fed.

“Essas compras de ativos ajudam a promover o funcionamento regular do mercado e condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas”, explica o comunicado.

Reação do mercado

O mercado em Nova York recebeu a decisão com reservas. As bolsas tiveram oscilação discreta com comunicado do Fed. Já os juros dos Treasuries avançaram.

O Dow Jones cai 0.15%. O S&P 500 tem avanço de 0.29% e o Nasdaq sobe +0.23%

No Brasil, o dólar aumentou a queda, na mínima de R$ 5,3646 (queda de 1,76%). Já o Ibovespa ganha 1,50%, aos 121.821 pontos.

A decisão do Fed, lembra análise da CNBC, vem um dia antes do Departamento de Comércio divulgar os números preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre.

Os números podem apontar avanço de 6,5%. “A maioria dos economistas, incluindo os do Fed, espera que os EUA tenham seu melhor ano completo desde pelo menos 1984”, diz a CNBC.

A inflação também subiu: os preços ao consumidor em março atingiram 2,6%, maior elevação na comparação anual desde agosto de 2018.

Lembra a reportagem da CNBC: “Várias empresas durante a temporada de lucros em curso mencionaram pressões de custo crescentes. A Procter & Gamble e outras marcas de consumo disseram que pretendem aumentar os preços à medida que os custos dos insumos aumentam. Os mercados atualmente estão precificando uma taxa de inflação de 5 anos em torno de 2,5%. Há um ano, o nível era inferior a 0,8%.

Powell: “Economia pode retomar ritmo ainda este ano”

Após a divulgação do comunicado do Fed, o presidente da instituição Jerome Powell concedeu uma entrevista coletiva. A fala mostrou algum otimismo, mas fez alertas sobre o comportamento da economia.

“As condições devem permitir retorno a quadro mais normal na economia ainda neste ano”, analisou Powell.

Ele ressaltou que o Fed “manterá apoio poderoso até que a economia se recupere”. E acrescentou: “”Setores mais afetados pela pandemia mostram melhora, mas seguem fracos.”

Powell reforçou o que disse o comunicado: “A economia ainda depende muito do controle do vírus e de medidas para contê-lo.”

O dirigente relacionou: “O desemprego segue elevado e taxa de participação está em abaixo da pré-pandemia. A recuperação permanece desigual e longe de estar completa. A pandemia ainda preocupa, mas a vacinação deve permitir retorno mais rápido ao quadro estável.”

Powell falou também sobre a inflação: “A alta atual nos preços deve ter efeito apenas temporário na inflação. A expectativa é de que inflação suba mais antes de ficar moderada. Se inflação ficar acima da meta (2%) de modo persistente, usaremos nossos instrumentos. ”

E complementou: “Manteremos política acomodatícia até atingirmos metas para emprego e inflação. Tivemos um progresso relativamente pequeno em direção às nossas metas desde dezembro.”

“Não é hora ainda de começar a falar sobre redução de estímulos. Apoiaremos a economia pelo tempo que for necessário para garantir a retomada. Não haverá recuperação total até pessoas estarem confiantes de que estão seguras”, concluiu.

BTG: juros das treasuries passam a testar mínimas diárias

Segundo análise do time Macro Research do BTG Pactual digital, após a apresentação da decisão do FOMC e a fala do Powell, confirmando que a direção da política monetária permanece para o lado expansionista, o DXY, indicador que compara a força da moeda americana contra uma cesta de moedas fortes internacionalmente, apresentou reversão de tendência, passando a cair.

Os juros das treasuries de 10 anos, que ficaram mais bem comportados nas últimas semanas, mas estressaram na prévia da reunião, passaram a testar as mínimas diárias.

Segundo o BTG, Jerome Powell, em sua coletiva de imprensa, reafirmou que a política monetária é apropriada para o momento e permanecerá em nível estimulativo enquanto a economia precisar de apoio para retomar a trajetória de crescimento, além de reforçar o objetivo de atingir atividade econômica compatível com o pleno emprego.

Adicionalmente, prossegue a análise do BTGm também reiterou que ainda não é o momento de discutir a retirada de estímulos monetários e que avisarão com antecedência quando chegar o momento de isso ocorrer, reforçando que acredita que levará algum tempo para a economia retornar ao patamar anterior à pandemia.

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