Dólar vai subir ou vai cair? Entenda o novo cenário para o câmbio

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Novo pacote de auxílio e risco de alta inflacionária nos Estados Unidos. No Brasil, Selic em tendência de alta no Brasil e risco fiscal ganhando as manchetes novamente. No mundo todo, vacinação acontecendo em ritmo mais lento do que o esperado.

Todos estes fatores atuam sobre o câmbio e todos querem saber o que vai acontecer com o dólar daqui em diante. Pois bem: as projeções são de enfraquecimento do dólar no mundo todo.

Segundo o BTG Pactual (BPAC11), existem riscos tanto baixistas quanto altistas para o câmbio. Mas o cenário de Brasil e EUA leva a crer que o real seguirá uma tendência de valorização ante o dólar até o final do ano. Isto em sentido contrário ao que aconteceu em 2020 e também em janeiro – quando a desvalorização do real perante o dólar foi de 5%.

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Na análise otimista do banco, o dólar fecha o ano em R$ 4,50. Já na pessimista, em R$ 5,50. O cenário base é dólar a R$ 4,90.

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Reprodução/BTG

Já o último Boletim Focus, do Banco Central, que traz as principais projeções da economia segundo o mercado, aponta câmbio a R$ 5,01 até o final do ano. E a R$ 5 em 2022.

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Reprodução/BC

Por que o dólar está em tendência de queda?

Isto decorre, principalmente, do novo pacote de auxílio à pandemia, já em negociação entre os congressistas americanos. O presidente Joe Biden busca algo em torno de US$ 1,9 trilhão, o que aumentaria consideravelmente a liquidez no mundo todo.

Paralelamente, os Estados Unidos vivem sob risco de alta da inflação, com aumento do dinheiro em circulação. Porém, avaliando os últimos dados econômicos do país, as preocupações quanto ao tema foram reduzidas.

Isto porque a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor subiu modestamente, em linha com o projetado pelo mercado. O que deve manter os juros do país nos patamares atuais. E juros baixos em países avançados favorecem as moedas de países emergentes, como o Brasil.

Além disso, os dados de emprego dos EUA, medidos pelo payroll (folha de pagamentos oficial não-agrícola), também vieram em linha, sem grandes surpresas de retomada acelerada do mercado de trabalho. E isto diz ao mercado que, sim, o novo pacote de auxílio faz sentido, porque os estímulos são necessários em um contexto ainda de crise.

E no Brasil?

Segundo relatório do economista Álvaro Frasson, do BTG Pactual, o recrudescimento da curva de contágio do coronavírus somado ao moderado ritmo de vacinação da população adicionou incerteza à trajetória de recuperação econômica.

Por outro lado, o desfecho das eleições nas casas legislativas, com a vitória tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados dos candidatos apoiados pelo governo, melhorou as perspectivas quanto ao andamento dos projetos econômicos estruturais, o que pode impactar positivamente a cotação da moeda brasileira.

Alta iminente da Selic favorece o real

Também pesa do lado brasileiro a taxa básica de juros (Selic) estar em vias de ser aumentada, o que fortalece o real. Isto porque, com Selic acima dos atuais 2%, o investidor estrangeiro tende a trazer mais dólares para investir no mercado brasileiro – na prática, isto significa que eles terão que comprar mais reais e, como consequência, a moeda brasileira sobe.

A crença de alta da Selic vem do fato de que, em sua última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) retirou o forward guidance, liberando possíveis mudanças da taxa de juros. E também admitiu que alguns integrantes do grupo já cogitam a retirada dos “estímulos extraordinariamente elevados”.

Entretanto, a data exata de subida da Selic é dúvida. Alguns analistas apontam que ela já sobe na reunião do Copom de março. Outros acreditam que com a inflação medida pelo IPCA desacelerando e com o resultado do varejo caindo fortemente, a alteração na taxa tende a ser adiada por mais alguns meses.

Risco fiscal preocupa

Apesar destes pontos a favor de um dólar mais fraco daqui para a frente, o Brasil vive, novamente, sob risco de estourar o teto de gastos, o que afasta investimento estrangeiro – logo, retira dólares do país.

Isto porque governo e Congresso já expressam a necessidade de um novo pacote de auxílio à pandemia. E a nova rodada ainda não tem contrapartida definida.

“O déficit público de 2020 praticamente anulou a economia conquistada pela Reforma da Previdência e teve que ser financiado via emissão de novas dívidas com vencimentos mais curtos, em função do cenário de incerteza econômica”, diz Frasson.

Até o momento, a equipe econômica segue na busca por uma saída para proporcionar um novo auxílio, sem comprometer as contas públicas.

Como investir com dólar em tendência de queda?

Para o investidor, a tendência de baixa no câmbio pode significar uma janela de oportunidade para ter parte da carteira alocada em ativos ligados ao dólar.

Isto garante uma correta diversificação e protege os investimentos de choques internacionais.

O fator proteção vem do fato de que os investidores de todo o mundo enxergam o dólar como um dos ativos mais seguros do mundo. Por isso, quando uma crise derruba todos os mercados, como no caso do coronavírus, o dólar tende a se valorizar.

Mas é preciso lembrar: os ativos atrelados ao dólar devem corresponder a uma pequena parcela da carteira de investimentos. Não é recomendado colocar “todos os ovos na mesma cesta”.

Para diversificar e se expor ao dólar, há as seguintes possibilidades de investimentos:

COE

O Certificado de Operações Estruturadas é uma versão brasileira das chamadas Notas Estruturadas, bastante populares nos Estados Unidos. É um tipo de aplicação que une a segurança da renda fixa com a rentabilidade da renda variável.

Ele é indicado para quem está começando a investir no exterior e ainda está receoso a respeito. E tem uma vantagem muito interessante: a maioria dos COE têm capital protegido. Isto quer dizer que o investidor recebe de volta todo o valor investido, mesmo que ocorra uma perda no investimento.

O COE pode estar atrelado a ações nacionais e estrangeiras, índices da bolsa brasileira e das bolsas americanas. E também a taxas de juros, commodities, e moedas. E a combinação destes ativos garante segurança, ao mesmo tempo em que busca mais lucratividade.

Fundos de investimento

Também indicado para os investidores menos experientes no mercado externo, os fundos de investimento internacional trazem a vantagem de contar com gestores que acompanham e definem as melhores opções. Você pode optar por fundos de ações, mais agressivos, ou fundos multimercado, que são mais seguros por diversificar os investimentos.

ETFs

Também é possível investir, a partir do Brasil, em fundos de índice (ETFs) que replicam ativos internacionais.

BDRs

O Brazilian Depositary Receipt (BDR), ou certificado de depósito de valores mobiliários, permite investir diretamente em empresas norte-americanas pelo mercado brasileiro.

Desde 22 outubro, os BDRs estão disponíveis na bolsa brasileira para todo investidor interessado. Até então, eles eram reservados apenas para investidores qualificados, ou seja, aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos.

A vantagem é que, ao adquirir um BDR, o investidor passa a deter, indiretamente, papéis da companhia com sede em outro país. Sem que para isso tenha que realizar os trâmites de um investimento internacional.

Dólar Futuro

É importante destacar que esta forma de investimento é de alto risco e exige maior preparo do investidor.

O investidor pode assumir uma posição de compra ou de venda do contrato futuro da moeda. Quem assume a posição comprada do contrato, ganha com a alta do dólar e perde com a queda. Se a posição for de venda, o investidor ganha com a queda do dólar e perde com a alta.

Esta negociação ocorre na B3 e exige que o investidor tenha uma conta em uma corretora de valores para operar. Trata-se de um mercado muito volátil e de alta liquidez.

No mercado de dólar futuro pode-se operar de forma alavancada. Isso significa que com um montante pequeno de dinheiro é possível movimentar grandes quantias. Ou seja, é possível ganhar muito mais do que o valor investido, mas o tombo também pode ser grande.

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