EUA: preços ao consumidor avançam 0,6% em março, pouco acima da projeção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em março, pouco acima da projeção de 0,5%. Na comparação com março do ano passado, a alta é de 2,6%. A expectativa da leitura anula era de 2,5%.

O núcleo do IPC, que exclui preços de alimentos e energia, avançou 0,3% no mês, ante 0,1% da leitura anterior e 0,2% aguardados pelo mercado. Na comparação com março de 2020, o avanço é de 1,6%.

Preços ao consumidor: comparação mês a mês

preços ao consumidor

Reprodução/BEA

Preços ao consumidor: comparação entre IPC e núcleo do IPC em 12 meses

preços ao consumidor

Reprodução/BEA

Considerado um resultado em linha com o aguardado, o indicador não deve exercer muita pressão sobre os juros.

O banco central americano (Fed) afirma que a inflação está sob controle e que uma alta já é aguardada com a retomada econômica. Mas que ela dispensa qualquer interferência na política monetária adotada – que promete juros zero até 2023. O mercado, no entanto, desconfia e aposta na subida dos juros mais cedo, para conter a inflação.

Amanhã (14), o presidente do Fed, Jerome Powell discursa em evento em Washington. A fala será acompanhada bem de perto pelos investidores, à espera de qualquer alteração de rumo.

BTG Pactual (BPAC11): resultado desafia discurso de Powell

Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11), a aceleração na margem nos preços ao consumidor é um reflexo dos impactos do pacote fiscal de incentivo à retomada da economia norte-americana.

Além disso, o forte ritmo de vacinação nos EUA está permitindo a flexibilização das medidas de restrição de mobilidade social, o que naturalmente estimula a demanda interna e adiciona alguma pressão sobre os preços.

“O dado incentiva o mercado a continuar desafiando a fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que, apesar dos dados fortes de atividade nos últimos meses, a economia americana ainda está longe de sua recuperação completa”, dizem os analistas do banco.

Para eles, a proposta de pacote fiscal de infraestrutura pode ser impactada por números de atividade que demonstrem vigorosa retomada da economia, pois deve fortalecer o discurso de membros do Partido Republicano de que os estímulos já “contratados” para a economia estadunidense são mais do que suficientes para a retomada do pleno emprego e consequências indesejáveis podem ocorrer caso a política fiscal permaneça em níveis excessivamente expansionistas.