Em ata, Copom confirma que Selic deve alcançar 4,25% em junho

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, publicou nesta terça-feira (11) a ata de sua última reunião, realizada nos dias 4 e 5.

Nela, o comitê reafirma a decisão de elevar a Selic em mais 0,75 ponto porcentual por unanimidade, o que elevou a taxa de 2,75% para 3,5% ao ano. Afirma ainda que o mercado pode aguardar para a próxima reunião, de 15 e 16 de junho, a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário, com “outro ajuste da mesma magnitude”.

Ou seja, no próximo mês, a Selic deve alcançar 4,25%. De acordo com as projeções do mercado, captadas pelo último Boletim Focus, a taxa básica de juros deve chegar a 5,5% até o final do ano.

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No entanto, a subida de mais 0,75 ponto porcentual em junho, diz o comitê, depende da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica. O Comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”.

Leia também: como ficam os investimentos com Selic em alta?

Posição do Copom quanto à inflação

O comitê afirma na ata que, com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuam em elevação. O que impacta as projeções de preços de alimentos e bens industriais. Além disso, a transição para patamares mais elevados de bandeira tarifária de energia elétrica deve manter a inflação pressionada no curto prazo.

Ainda assim, o Copom sustenta que os choques inflacionários atuais são temporários, mas “segue atento à sua evolução”.

Riscos ao cenário de inflação

Segundo o Copom, o país enfrenta alguns riscos que podem mudar a trajetória da inflação. O primeiro é um processo de recuperação econômica mais lento devido ao avanço da Covid. Isso provocaria uma inflação abaixo do esperado.

Outro ponto é o prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia, que podem piorar a trajetória fiscal do país e frustrar a continuidade das reformas, aumentando o prêmio de risco do país.

“O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, ressalta o comitê.

Cenário básico do Copom é Selic a 5,1% até o final do ano

No cenário básico do Copom, com base na pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de R$ 5,40, as projeções de inflação situam-se em torno de 5,1% para 2021 e 3,4% para 2022. “Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 5,50% ao ano neste ano e para 6,25% ao ano em 2022.

Como ficam os investimentos com a escalada da Selic?

Com a Selic em 3,5%, quem busca rentabilidade ainda deve focar na renda variável.

A renda fixa segue sendo indicada para a reserva de emergência e para o investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno.

Entretanto, com projeção de alta da Selic para até 6,5% ainda este ano, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa.

E ele deve ficar atento a dois aspectos: os papéis atrelados à Selic ganham destaque, mas também os ligados ao IPCA, indicador oficial de inflação.

“O investidor deve observar que a inflação segue preocupante. A rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo). Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida”, diz Paulo de Souza, da EQI Investimentos.

“Minha sugestão é alocar parte dos recursos em títulos pré-fixados atrelados à taxa, mas também nos indexados ao IPCA, para se precaver de eventuais aumentos de preços”, complementa.

Alkeos Saroglou, sócio da Alta Vista Investimentos, confirma que os pré-fixados voltam a ficar atraentes. O aumento de 0,75 vai ter mais impacto na renda fixa pós-fixada e em todos os papéis atrelados ao CDI, que começam a render mais, com destaque para o crédito privado atrelado ao CDI, ele indica.

E as ações e Fundos Imobiliários?

Para as ações, a alta da Selic já está precificada e não deve mexer com o mercado.

Já para os Fundos Imobiliários, explica Saroglou, talvez essa subida da Selic seja um pouco negativa. Isso porque o fundo imobiliário acaba refletindo de certa forma o quanto a renda fixa, que é livre de risco, está pagando.

Se a renda fixa começa a pagar mais, isso tende a ser ruim para um fundo que hoje rende 7%, 8%. Em outras palavras: se o ativo sem risco paga 6%, ele passa a competir diretamente com o fundo imobiliário que traz risco, mesmo que sua rentabilidade seja um pouco maior.

Vale lembrar, no entanto, que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. Os papéis do Tesouro Direto e o CDI voltam a ser atrativos, sim, mas é preciso “distribuir os ovos em mais cestas” como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Próximos passos para o investidor acompanhar

O próximo passo é a reunião do Copom dos dias 15 e 16 de junho, quando a taxa deve alcançar 4,25%.

Como a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.