Inflação em alta: saiba como proteger seus investimentos do aumento de preços

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.

Crédito: Reprodução / Canva

A inflação é uma inimiga das pessoas. Enquanto você está lá, batalhando para ganhar o seu dinheiro e comprar as coisas que necessita, a inflação está trabalhando no sentido contrário para diminuir o seu poder de compra e dificultar a sua vida.

Mas e se nós te dissermos que dá para usar a inflação a seu favor e ainda ganhar mais? Esse é um dos princípios em ser um bom investidor e em tomar boas escolhas na sua vida financeira.

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Resumidamente, inflação é o aumento geral de preços que implica na redução do poder de compra. Sabe quando você vai ao mercado e compra quatro tomates com R$ 10 e, no dia seguinte, o tomate aumentou de preço e só é possível comprar três? É a mágica da inflação.

Vale dizer que a inflação é um conceito e não uma taxa. O indicador oficial do governo brasileiro que mede a taxa de inflação é o IPCA (publicado pelo IBGE). Além dele, existem outros indicadores que também medem a inflação como o IGP-M (publicado pela Fundação Getúlio Vargas).

Se a função da inflação é diminuir o seu poder de compra, você precisa fugir dela, certo? Infelizmente, todas as pessoas são afetadas pela inflação: ela está desde o seu salário até o cafezinho que você comprou no bar da esquina. O que dá para fazer é tentar passar por cima da inflação e ganhar mais dinheiro.

Se você já investe, provavelmente, está acostumado com alguns investimentos atrelados ao IPCA. Mas neste post vamos mostrar opções diferenciadas que podem te ajudar a ganhar mais. Se você ainda não investe, essa é a hora de você parar de temer a inflação e usá-la a seu favor.

Vamos transformá-la de inimiga das pessoas comuns para amiga dos investidores inteligentes!

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Poupança versus inflação

Se você é daqueles que têm medo da inflação e não querem perder poder de compra, fuja da poupança! A poupança é o “investimento” queridinho dos brasileiros, mas é uma péssima opção para quem quer ganhar mais e ter uma vida financeira tranquila. Nós colocamos a palavra investimento entre aspas porque a poupança nem pode ser considerada um investimento.

Qual é o objetivo dos investidores? Ganhar mais dinheiro! Qual é o MÍNIMO que uma aplicação financeira pode fazer por você? Manter o seu poder de compra. Ou seja, estar igual ou acima da inflação. E se eu disser que a poupança não faz nem isso?

Para começar, a rentabilidade da poupança é baixíssima. Se a Selic for menor ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais a TR (Taxa Referencial). Já se a Selic for superior a 8,5% ao ano, ela tem rentabilidade fixa: 0,5% mais a TR.

Ela pode render tão pouco que pode ficar abaixo da inflação, ou seja, parece que você está ganhando dinheiro, mas, na realidade, você está perdendo o seu poder de compra. E isso ninguém quer, certo?

Exemplo

Para ficar um pouco mais visual: você guardou R$ 1.500 para comprar uma televisão, mas desistiu e resolveu comprar só no próximo ano. Em um ano, seu dinheiro, na poupança, “rendeu” R$ 65, ou seja, você ficou com R$ 1.565. Ao ir na loja para comprar a televisão, você descobre que, por causa da inflação, a televisão agora custa R$ 1.800.

O que aconteceu? Parecia que o seu dinheiro estava rendendo, mas ele não servia para nada: nem para ultrapassar a inflação. Você perdeu poder de compra, perdeu dinheiro e perdeu a chance de comprar uma televisão com seus rendimentos.

Como dissemos, o objetivo do investimento é, no mínimo, manter o seu poder de compra. Não precisa ter medo da inflação! Existem diversos tipos de investimento que podem te ajudar a aumentar seu poder de compra e ainda ganhar mais dinheiro.

Tesouro Direto

Você provavelmente já ouviu falar no programa de investimento em títulos públicos: o Tesouro Direto. Ele está sendo cada vez mais procurado pelos brasileiros por serem títulos simples, seguros e que rendem mais que a poupança. E o melhor, dá para investir com a partir de R$ 30!

A segurança dos títulos públicos está nas mãos do próprio Tesouro Nacional. Eles não são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mesmo porque não há essa necessidade. Afinal, é praticamente impossível que o governo deixe de pagar os investidores. Mesmo com uma situação econômica muito ruim, os bancos quebrariam antes do Tesouro Nacional. Ou seja, investir no Tesouro Direto é a opção mais segura do Brasil.

Além disso, é um tipo de investimento rentável. Ao entrar na plataforma de investimentos do governo, existem cinco tipos de títulos públicos: Tesouro IPCA+, Tesouro IPCA+ com juros semestrais, Tesouro Prefixado, Tesouro Prefixado com juros semestrais e Tesouro Selic.

Há alguns títulos públicos que vão te manter sempre acima da inflação, ganhando poder de compra. São eles:

  • Tesouro IPCA+: é pós-fixado, ou seja, indexado a um indicador. O indicador é o IPCA, o índice oficial que mede a inflação no Brasil. Em outras palavras, você vai receber a taxa definida no dia da compra do título + a variação do IPCA do período. Isso significa que o seu rendimento SEMPRE estará acima da taxa da inflação!
  • Tesouro IPCA+ com juros semestrais: é exatamente a mesma coisa que o Tesouro IPCA+, mas, ao invés de você receber toda a rentabilidade no prazo de vencimento, você receberá em parcelas semestrais.

Resumindo: aplicando seu dinheiro no Tesouro IPCA+ (seja com juros semestrais ou não), você sempre estará acima da inflação. Se quiser ver os títulos do Tesouro Direto disponíveis no dia de hoje, clique aqui.

LCI/LCA

Os títulos de renda fixa privada também podem ser boas opções para ganhar da inflação. Dentre as opções existentes, duas se destacam: a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Ambas são emitidas por bancos e são muito seguras, já que a garantia se dá pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Caso a instituição financeira quebre, você vai receber o seu dinheiro de volta! Isso, é claro, se você estiver dentro das regras do FGC: investimentos de até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição financeira sob o teto de R$ 1 milhão.

LCI e LCA são dois títulos praticamente idênticos, mas com exceção de um detalhe. Na LCI, o seu dinheiro vai para o setor imobiliário diretamente – não pode ir para outras áreas! Na LCA, vai direto para o agronegócio.

Vale lembrar que esses títulos são isentos de Imposto de Renda e que a liquidez só pode ser no vencimento. Isto é, nada de resgatar o dinheiro a qualquer momento. O seu investimento fica “preso” até o prazo de vencimento. Dá para investir em LCI e LCA com a partir de R$ 1.000.

Existem LCIs e LCAs que são pós-fixadas e atreladas ao IPCA ou IGP-M. Não são tão fáceis de encontrar, mas é uma ótima opção para quem quer sempre ganhar poder de compra.

A maioria dos títulos são atrelados ao CDI (uma taxa bem próxima à SELIC), mas isso também não é um problema. Basta fazer uma pequena projeção para ver se a rentabilidade estará acima da inflação e pronto, é só investir! Se interessou por esse tipo de investimento? Dê uma olhada nas opções em LCI ou LCA.

Fundos de inflação

Os fundos de investimento são opções diferenciadas para aplicar o seu dinheiro. Eles são um serviço e não um produto e isto faz com que o investidor possa ter menos trabalho e mais rentabilidade. O ponto negativo é que eles não são garantidos pelo FGC: mais risco significa mais rendimento.

Em um fundo, os cotistas (investidores) deixam o seu dinheiro com o gestor do fundo. Ele fará a distribuição desse valor de acordo com a característica daquele fundo em especial. Existem centenas de tipos de fundo de investimento, mas, como o foco aqui é a inflação, vamos falar sobre os fundos de inflação.

Os fundos de inflação têm o objetivo de superar o índice de inflação. O dinheiro do cotista vai para, principalmente, títulos do Tesouro Direto atrelados ao IPCA. O gestor do fundo tem a função de comprar diversos títulos com diferentes taxas e prazos de vencimento para criar uma carteira que esteja sempre acima da inflação brasileira.

Desvantagem

A grande desvantagem é que os fundos de inflação têm a fama de não ter uma boa rentabilidade. Como ele fica restrito aos títulos que dependem dos índices de inflação, sua carteira não é muito diversificada e isso pode diminuir o rendimento final.

Por isso, vale a pena ficar ligado para ver se esse tipo de investimento é uma boa opção para o seu perfil investidor e o seu objetivo financeiro.

Outro ponto é entender a taxa de administração daquele fundo. Como o seu dinheiro só será aplicado em títulos de renda fixa que são atrelados ao IPCA ou ao IGP-M, não faz sentido que o fundo cobre uma taxa muito alta. Afinal, é um trabalho que você poderia fazer sozinho. Fique esperto!

Uma solução interessante para ter uma rentabilidade maior, mas não depender só do IPCA ou IGP-M, é aplicar nos fundos DI (fundos de renda fixa). O seu dinheiro irá só para renda fixa e o gestor do fundo vai diversificar a sua carteira em diferentes tipos de investimento em renda fixa. Mas atenção: olho nas taxas de administração para não ser explorado pelos fundos!

Se a sua principal preocupação é aumentar o poder de compra, basta escolher um fundo que tenha essa característica e te prometa um rendimento sempre acima da inflação. Existem diversos fundos no mercado e, com certeza, um vai se encaixar nos seus objetivos.

Resumindo: não precisa ter medo da inflação! É só usá-la a seu favor.

Quer saber mais sobre opções que acompanha a inflação? Converse com um assessor de investimentos. Basta preencher o formulário abaixo.

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