Tesouro Direto: guia sobre o investimento em títulos públicos

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Tesouro Direto é o nome do programa que  permite aos investidores pessoa física investir diretamente em títulos públicos do Tesouro Nacional. É um dos investimentos mais populares no Brasil. No total, são quase 10 milhões de brasileiros na aplicação.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

O investimento em títulos públicos não é uma exclusividade do país. Nos EUA, por exemplo, há o programa de Treasury Direct.

Se você for buscar na internet, o assunto é bem vasto. Por isso, reunimos abaixo as principais informações para você conhecer o investimento.

Como Investir no Tesouro Direto?

Primeiros Passos: Habilitar sua conta

  • Ter CPF e conta em uma instituição financeira (corretoras ou bancos). Aqui é importante você escolher uma instituição que não cobre taxas para liberar seu acesso. Confira aqui a lista completa de instituições habilitadas.
  • Após definir sua instituição, você deve contatá-la e fazer o cadastro.
  • Feito isso, você receberá uma senha para acessar o site do Tesouro Direto. Por meio dele, poderá realizar a compra e venda de seus títulos, bem como, consultar saldos e extratos das aplicações.

Comprar e vender Títulos

  • Pelo site do Tesouro Direto: acessando a área restrita do site, você pode efetuar a compra, venda, e até mesmo programar seus investimentos, além de consultar seu extrato.
  • Na plataforma de sua instituição financeira: as instituições financeiras habilitadas integram seus sites com o Tesouro Direto. Com isso, você também se habilita a comprar e vender seus  títulos públicos em sua própria instituição, lembrando que os preços e taxas são exatamente iguais aos encontrados no site oficial.
  • Por meio de sua instituição financeira: você também pode autorizar sua instituição financeira a negociar seus títulos públicos. Verifique se a sua instituição financeira oferece esta disponibilidade.

Se você tem dúvidas ou gostaria de obter ajuda para iniciar seus investimentos no Tesouro Direto, basta preencher o formulário no final do artigo. Assim que possível, um de nossos assessores de investimentos entrarão em contato para lhe orientar. Fique tranquilo, nossa assessoria é gratuita.

O que é o Tesouro Direto

Como dito anteriormente, Tesouro Direto é o nome do programa de venda de Títulos de Dívida Pública (títulos públicos) diretamente ao investidor. Por isso o “Direto” no nome.

Este programa foi criado em 2002 através de uma parceria entre o Tesouro Nacional e a BM&F Bovespa ( que mudou o nome para B3 ), a fim de democratizar o acesso aos títulos.

Antes do lançamento do programa, investir na dívida pública era inviável para pessoas físicas. Isso porque os títulos eram vendidos somente em lotes muito grandes, para bancos ou investidores qualificados.

Para você ter ideia, o lote mínimo para compra de títulos era de R$ 3 milhões no sistema Selic. O que só era viável para bancos, fundos e grandes empresas.

Dessa forma, o investidor só tinha acesso através de fundos de investimentos, que cobravam elevadas taxas. Já hoje está aberto para investimentos a partir de R$ 30.

Se você nunca investiu fora de seu banco, você vai achar o método um pouco diferente. Já deve estar acostumado com a poupança ou o CDB, onde você empresta para um banco e recebe os juros.

No Tesouro, você empresta o dinheiro diretamente para o Governo – Tesouro Nacional, recebe o dinheiro corrigido no vencimento do contrato/título, ou recebe juros como um aluguel no caso do Tesouro IPCA+ (tipo de título).

O que são os Títulos Públicos?

Um título público é um título de dívida do governo brasileiro, ou seja, você empresta para o governo em troca de receber uma remuneração futura sobre o valor emprestado.

Cabe ressaltar que o governo é considerado o melhor “devedor” do país, de forma que os títulos do Tesouro são considerados os investimentos mais seguros do Brasil.

Porque os títulos do Tesouro são vendidos?

Uma pergunta frequente de quem está começando a investir no Tesouro Direto: por que o governo vende os títulos?

O governo naturalmente é “deficitário”, ou seja, a soma das suas despesas e dos juros de empréstimos do passado são maiores que suas receitas com recolhimento de tributos.

Assim, o governo utiliza a venda de títulos para captar recursos para financiar o déficit da “máquina pública” em um ciclo infinito, que no final das contas gera a inflação.

O Tesouro Direto é indicado para o meu perfil de investidor?

tesouro direto-perfil do investidor

Antes de começarmos a investir no Tesouro Direto, vale lembrar que cada investidor tem um perfil diferente. Para cada perfil e necessidade há uma forma mais indicada, ou seja, um melhor investimento.

Mas em geral, a diversidade do Tesouro Direto atende a diferentes pessoas. Há títulos de curto prazo (3 anos) até mais longo (acima de 30 anos). Há papeis prefixados, pós-fixados e atrelados à inflação.

Tipos de títulos do Tesouro Direto?

Existem 3 classes de títulos do Tesouro e 5 tipos de títulos:

Títulos Indexados a Selic

  • Tesouro Selic (ou LFT )

Títulos Prefixados

  • Tesouro Prefixado (ou LTN )
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (ou NTNF )

Títulos Pós fixados – Indexados ao IPCA

  • Tesouro IPCA+ (também conhecidos como NTNB Principal)
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (ou NTNB )

Tesouro Selic

São títulos que rendem exatamente a taxa Selic, ou seja, os juros básicos da economia. Nele. você não sabe exatamente qual será seu rendimento final, porque o governo altera a Selic a fim de aquecer ou frear a economia e controlar a inflação.

Apesar das variações da taxa base do título, ainda assim é o mais indicado para iniciantes. Não possui variação ou volatilidade em seus resultados. Além disso, é o único título que pode ser retirado antes do vencimento sem nenhum risco de resultados negativos.

Por aliar segurança, nenhuma volatilidade, liquidez e rentabilidade interessante os LFTs são uma alternativa muito boa para investidores conservadores em substituição a poupança.

Se você quiser sofisticar sua escolha de títulos do Tesouro, deve escolher o Tesouro Selic, sempre que as taxas de juros estiverem aumentando, como no período entre 2014 e 2016 ou substituir por outros investimentos em tempos de quedas dos juros, como em 2017.

Tesouro Prefixado

Os Títulos Prefixados pagam uma rentabilidade fixa, definida no momento da compra do título. Ou seja, você vai receber exatamente a taxa que está sendo anunciada no dia em que você comprar o título.

A rentabilidade destes títulos é expressa em um percentual, como por exemplo 10% ao ano, 12% ao ano, ou 15% ano.

Mas, para você receber exatamente este percentual, você deverá ficar com o título até seu vencimento. Pois no curto prazo, antes do vencimento, as alterações na taxa de juros (Selic) e principalmente dos juros futuros (projeção dos juros) vão mexer muito com o “Valor de Mercado de seu Título”.

Basicamente os títulos prefixados sempre valem R$ 1.000 no dia do seu vencimento, e você paga um valor que é justamente o desconto da taxa a ser recebida até o vencimento.

Exemplo, se a taxa é de 10% e faltam 3 anos para o vencimento do título, você vai pagar R$ 751,31 pelo mesmo, pois R$ 751,31 x 1,10 x 1,10 x 1,10 = R$ 1.000.

Tesouro-Direto-pre-10

Resumindo, seu investimento vai ter esta lógica representada pelo diagrama:

Diagrama-Fluxo-LTN

O melhor momento para comprar este tipo de título é quando a taxa Selic está em queda, ou seja, quando o governo está reduzindo a taxa Selic como aconteceu durante o ano de 2017.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais

Tais títulos têm uma taxa de retorno prefixada e o Valor de Face é o valor que o ativo valerá no vencimento. Em outras palavras, é o valor que será devolvido ao investidor no dia do vencimento!

Porém, existe uma diferença, tais papeis pagam um “cupom semestral” de R$ 48,81. Em outras palavras, a cada título comprado você ganha um “aluguel” de R$ 48,81 a cada 6 meses.

Por possuírem o cupom semestral, os títulos prefixados com juros semestrais têm menor variação que os títulos prefixados simples. Portanto, são uma alternativa aos que estão começando a entender mais sobre ativos prefixados.

Note no diagrama abaixo a diferença entre os dois papeis e repare os múltiplos pagamentos semestrais:

Diagrama-Fluxo-NTN-F

Tesouro IPCA+

Estes títulos tem uma parte fixa do seu rendimento e uma outra parte variável conforme o índice de inflação IPCA, exemplo: 4% + IPCA.

Devido a parte fixa, os papeis funcionam bem parecido com os prefixados, porém sem valor de face ou valor no vencimento de R$ 1.000.

Nos títulos de inflação, o valor de face vai sendo atualizado conforme o índice de inflação IPCA. Assim, o valo de face não é no futuro, mas sim no passado, tomando como referência o valor de R$ 1.000,00 em 15/07/2000.

Este valor chamado de VNA (Valor Nominal Atualizado) é atualizado com o IPCA, ou seja, os R$ 1.000,00 são corrigidos pelo IPCA e podem ser consultados no site da ANBIMA.

O diagrama do título de inflação é simples como o do prefixado, mas a diferença é que não sabemos o VNA do futuro, pois ele varia dia a dia.

Diagrama-fluxo-ntn-b-principal

Quando investir em títulos de inflação?

Você deve investir nestes títulos públicos em duas situações

  1. Quando você quer investir por um longo prazo e proteger seu capital da inflação.
  2. Quando você acredita na queda dos juros, pois devido aos seus prazos de vencimento longos elas valorizam muito em tempos de queda da Selic

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais

Eles também são encontrados com uma rentabilidade mista, com uma parte fixa e outra indexada ao IPCA como: 4% +IPCA.

Novamente a diferença para os prefixados é que o valor de face não é mais de R$ 1.000 e sim tendo como base o VNA.

Como o nome diz, os títulos pagam semestralmente um cupom fixo de 6% ao ano, o que acaba sendo 2,96% a cada semestre, calculados sobre o VNA.

Como o VNA vai subindo conforme a inflação, podemos concluir então que o cupomtambém vai aumentando junto com a inflação.

Motivo este para serem muito escolhidos por pessoas que querem “viver de renda”.

Vale entender que estes 6% independem da taxa pela qual os títulos estão sendo vendidos pelo Tesouro. Ou seja, mesmo que você compre um título de inflação com uma taxa de IPCA+7%, o seu cupom vai ser de 6% ao ano.

O impacto destes 1% a mais (de 7% para 6%) vai ser visto no preço a ser pago pelo papel no vencimento e não no seu cupom.

Olhando para o diagrama abaixo você pode entender melhor o funcionamento dos títulos de inflação com cupom semestral:

Diagrama-fluxo-ntn-b

Preços e taxas dos títulos do Tesouro Direto

No site do Tesouro Direto, você confere todos os preços e títulos disponíveis.

Custos para investir no Tesouro Direto

Existem dois possíveis custos para você investir no Tesouro Direto:

Taxa de Custódia

Cobrada pela CBLC, órgão ligado a Bolsa B3 (Antiga Bovespa) que cobra 0,25% ao ano sobre o volume investido, com uma limitação de até R$ 1.500.000,00.

Esta taxa é provisionada diariamente, e cobrada semestralmente no primeiro dia útil de janeiro e julho, sempre que a dívida for superior a R$ 10,00.

Por ser provisionada diariamente, você paga proporcional se mantiver os títulos por menos de 6 meses.

Desde agosto de 2020, investimentos de até R$ 10 mil não possuem taxa de custódia. Só haverá incidência para valores que excederem este limite.

Ou seja, se o seu saldo for de R$ 10.500, a taxa de custódia somente será calculada sobre R$ 500.

Taxa de Administração

A taxa de administração é cobrada pela instituição financeira onde você vai comprar o seu título.

Hoje a maioria das corretoras de valores isenta esta taxa, mas alguns bancos ainda cobram até 0,5% ao ano.

Imposto de Renda no Tesouro Direto

O imposto funciona como na renda fixa e é tributado sobre o lucro.

  • Resgate em menos de 6 meses – 22,5% sobre o lucro
  • Resgate entre 6 meses e 1 ano – 20% sobre o lucro
  • Resgate entre 1 ano e 2 anos – 17,5% sobre o lucro
  • Resgate em mais de 2 anos – 15% sobre o lucro

Como o imposto é sobre o lucro, imagine que você comprou um título por R$ 1.000 e depois de 2 anos ele valorizou até R$ 2.000.

Neste caso o seu lucro foi de R$ 1.000 e como passamos mais de 2 anos com o investimento, o seu imposto vai ser de 15%, ou seja, R$ 1500 que vai ser recolhido compulsoriamente.

Ou seja, você não precisa fazer recolhimento de nenhum imposto.

Riscos de Investir no Tesouro Direto

Os riscos de investir no Tesouro Direto, estão mais atrelados a má escolha do momento ou tipo de título comprado, mas podem ser divididos em dois tipos:

Risco de Crédito

Seria o risco de o governo não pagar os juros ou não honrar seu compromisso no momento do vencimento do título.

Em resumo, este risco é considerado muito baixo, e no final das contas o mais baixo no Brasil. Pois o governo tem uma capacidade “praticamente” infinita de gerar novas dívidas para pagar velhas dívidas.

Desta forma, os títulos do Tesouro, são considerados os ativos mais seguros a disposição no mercado brasileiro.

Risco de Mercado

Aqui sim temos riscos a se considerar. Pois como falado mais acima, todos os títulos prefixados  ou com parte prefixadas (título de inflação) podem sofrer grande desvalorização momentânea em tempos de alta nas taxas de juros.

Obviamente, se você ficar com o seu título até o vencimento, não há razão para preocupação, já que as rentabilidades pactuadas na compra do ativo estão garantidas.

Mas o caminho não é linear, pode haver muita volatilidade ao longo do caminho, portanto antes de escolher o título em que você vai investir, vale muito a pena pensar bem sobre o prazo pelo qual quer investir e se pode levar o título até o vencimento.

Ferramentas para investir no Tesouro Direto

Criamos algumas ferramentas para que você possa acompanhar o desempenho dos títulos do tesouro, bem como fazer simulações, antes de optar por investir no tesouro direto.

As ferramentas são bem explicativas e você ainda pode contar com o nosso auxílio para tirar suas dúvidas.

1 – Rentabilidade do Tesouro e Histórico de Preços: Histórico Tesouro

2 – Planilha do Tesouro Direto: Planilha Calculadora

Por que investir no Tesouro Direto

Aprender a investir no Tesouro Direto, é um grande segredo para melhorar a rentabilidade de seus investimentos, mas principalmente para planejar a sua aposentadoria.

Já é notório que mesmo aqueles que estão entrando no mercado de trabalho devem começar a pensar nisso, vide a situação caótica que vive o sistema público de previdência.

Portanto, investir no Tesouro Direto quando bem planejado, gera a maior rentabilidade possível nas aplicações de Renda Fixa.

Resumindo

Investir no Tesouro Direto, com sucesso depende de algumas perguntas a serem respondidas. Isso porque em cada caso existe um tipo de título mais indicado para a compra.

  • Você vai levar o título até a sua data de vencimento?
  • Se Não:
    • A SELIC está em trajetória de alta?
    • Se Sim: Compre título pós-ficado
    • Se Não: Compre títulos prefixados
  • Se Sim:
    • A inflação parece estar em alta?
    • Se Sim:
      • Você precisa de uma Renda Mensal?
      • Se Não: títulos de inflação com juros semestrais
      • Se Sim: compre títulos de inflação simples
    • Se Não:
      • Você precisa de uma Renda Mensal?
      • Se Não: compre título prefixado simples
      • Se Sim: compre título prefixado com juros semestrais