Carrefour (CRFFB3) vê sinergias de R$ 1,7 bi com BIG; ações disparam

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Repdoução/Pixabay

Com a aquisição do Grupo Big, o Carrefour (CRFFB3) Brasil contará com sinergias de até R$ 1,7 bilhão até o terceiro ano do fechamento da operação, que precisa ter o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

No fechamento, as ações do Carrefour na B3 saltaram 12,77%, cotadas a R$ 21,73. Já as ações do GPA (PCAR3) recuaram 4,31%, para R$ 28,18.

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Segundo o diretor presidente do Carrefour Brasil, Noel Prioux, haverá uma complementariedade geográfica, ampliando presença no Nordeste.

Além disso, a inclusão do Sam´s Club na negociação traz novos potenciais ao negócio, já que conta com um modelo diferente do praticado atualmente pela rede, com 2 milhões de membros.

“As lojas do grupo BIG têm valor estimado em R$ 7 bilhões. Tem ainda 38 terrenos para expansão futura e está alinhado com a nossa estratégia”, disse ele, em teleconferência com analistas de mercado.

Sebastién Durchon, diretor Vice-Presidente de Finanças e Diretor de Relações com Investidores, além das sinergias operacionais, outra será em relação ao banco Carrefour.

Ele citou que a instituição do grupo passará ser utilizada em todos os estabelecimentos do grupo.

Carrefour (CRFFB3): grupo tem apetite por expansão contínua

Durchan disse que esta aquisição demonstra que a empresa terá uma expansão contínua no país. Citou que, desde 2019, a companhia francesa investiu perto de R$ 15 bilhões no país.

Só no ano passado, recolheu cerca de R$ 10 bilhões em impostos como PIS e Cofins. Além disso, houve uma criação de 7 mil empregos só no ano passado.

A combinação do negócio entre Carrefour e BIG resultará em R$ 100 bilhões em vendas e mais R$ 50 bilhões em faturamento, segundo cálculo da rede francesa.

Em todo o país, o Carrefour conta com 489 lojas, ao passo que a BIG conta com 387. Após a fusão, serão 876 lojas em todo o país.

Com a aquisição do grupo BIG, serão incluídas ao portfólio mais 400 lojas em geografias complementares. Além disso, também haverá R$ 25 bilhões de faturamento anual a mais.

A aquisição fez com que a Walmart – que passou a fazer parte do grupo BIG com as demais marcas – desse um salto em valor de mercado.

De acordo com reportagem da Exame, a Advent, gestora de fundos equity que assumiu a Walmart em 2018, projetava chegar a esse valor somente daqui a cinco anos. Em 2018, quando a Advent entrou no negócio, o valor de mercado era de R$ 2 bilhões.

A diferença fica por conta do Sam´s  Club. Por conta de seu formato diferenciado, o Carrefour pretende mantê-lo com as operações independentes. Prioux explicou que há vantagens significativas. Graças ao potencial do modelo e da expansão geográfica. A previsão é que as conversões levem entre 12 e 18 meses após a conclusão do negócio.

Walmart ainda será acionista

Na teleconferência, os executivos do Carrefour disseram que o Walmart ainda será acionista no novo grupo. Advent e Walmart terão uma fatia total de 5,6% na nova empresa.

Em troca, a Advent venderá 81% de sua participação e o Walmart, 19%.

Conforme os termos da operação, 70% dos valores virão do caixa e os 30% por meio de troca de ações.

Dessa forma, o Carrefour desembolsará R$ 5,25 bilhões – dos quais R$ 900 milhões serão adiantados e R$ 4,35 bilhões no fechamento do negócio.

Adicionalmente, os R$ 2,25 bilhões do restante da operação serão quitados por meio da troca de ações, que respeitarão um lock-up de seis meses de lock-up. Serão 117 milhões de papéis emitidos no valor de R$ 19,26 por ação.

Estratégia de marcas

Com a aquisição, haverá mudanças no que diz respeito às novas marcas. O Carrefour pretende converter algumas bandeiras para a marca Atacadão. É o caso do BIG Bom Preço (segmento hipermercado) e do Maxxi Atacado (cash & carry). Outros segmentos, como supermercados e clube, as marcas atuais serão mantidas, bem como a soft discount.

Na análise de Ricardo Pastore, consultor de varejo, essa aquisição tem um impacto de alcance global, uma vez que o Carrefour tem ações negociadas na Bolsa de Paris.

“Essa aquisição envolve ativos bem espalhados geograficamente. Terá um reflexo na margem e a empresa vai ganhar muita força na indústria”, avalia.

Para Pastore, a transição digital pela qual o Carrefour passou, com a pandemia, irá se estender aos novos mercados do grupo.

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