BTG (BPAC11): combinação inesperada entre Carrefour (CRFB3) e BIG cria competição mais acirrada no setor

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Relatório divulgado nesta quarta-feira (24) pelo BTG (BPAC11) sobre a compra do BIG pelo Carrefour (CRFB3) analisa que a “combinação inesperada” entre as empresas amplia a competição do setor varejista alimentício no Brasil.

“Se aprovado pelos reguladores, combina-se os varejistas de alimentos n°1 e n°3 no Brasil – e esperamos que as ações do Carrefour reajam positivamente no pregão de hoje. Significa também mais competição para Assaí, GPA e Grupo Mateus em diferentes mercados, com uma NewCo com vendas totais de R$ 100 bilhões e 876 lojas”, diz o BTG.

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Grupo BIG: um turnaround em andamento

Grandes transações envolvendo os maiores varejistas de alimentos do Brasil não são tão comuns, analisa o BTG. “Grandes players regionais também ganharam mais escala e poder de barganha com os fornecedores nos últimos anos”.

No caso da transação do Carrefour e do Grupo Big, os analistas esperam que enfrente riscos de execução no processo de integração (considerando o tamanho do Grupo Big), e o negócio pode levar a algumas restrições por parte do regulador (ambas as empresas combinadas têm 22 % de participação de mercado, embora com distribuição de lojas diferentes por região).

Carrefour ganhará presença em outros locais

Mas a inesperada aquisição do Grupo BIG ampliará a presença do Carrefour Brasil em regiões onde tem menor penetração, como Nordeste e Sul (onde o Grupo Big possui 48% e 34% de sua base de lojas, vs. 20% e 11% do Carrefour), oferecendo um forte potencial de crescimento.

O BTG lembra que a transação também ocorre dois meses depois que a Couche-Tard, uma rede canadense de lojas de conveniência, fez uma oferta de aquisição de € 16,2 bilhões pelo Carrefour, que foi frustrada pelo governo francês.

“A produtividade dos hipermercados do Grupo Big ainda é 65% menor do que a do Carrefour, enquanto essa diferença é de 60% nas lojas de atacado e as margens ainda são cerca de 50% menores do que as do Carrefour (4,5% no ano passado)”.

Segundo os analistas, a combinação também reforçará a presença do Carrefour Brasil em formatos onde tem menor presença, em especial supermercados (99 lojas Bompreço e Nacional) e de soft discount (97 lojas Todo Dia).

O Grupo BIG possui os imóveis de 181 de suas lojas (47% de sua rede vs. 75% do Carrefour) e 38 espaços adicionais, que representam um valor imobiliário total de R$ 7 bilhões, de acordo com uma avaliação independente.

Enquanto isso, o Carrefour Brasil planeja otimizar a rede de lojas convertendo as lojas Maxxi em Atacadão. A empresa também espera que certas lojas BIG e BIG Bompreço sejam convertidas para Atacadão ou Sam’s Club, com as lojas restantes convertidas para a bandeira de hipermercado.

Impactos nas ações

O Carrefour Brasil estima sinergias de negócios de R$ 1,7 bilhão, em uma base anual, três anos após o fechamento da transação (ou 30% do EBITDA do Carrefour em 2020).

“Se assumirmos as sinergias a valor total, e um período de três anos a ser capturado, isso implica R$ 12/ação de adição ao CRFB3 (considerando os 117 milhões de ações a serem emitidos para Advent e Walmart Inc.), ou VPL de R$ 25 bilhões”.

Por fim, a recomendação do BTG é neutra com relação ao Carrefour, com preço-alvo de R$ 24.

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