Bolsa recua 0,48%, na contramão de NY, que viu com otimismo dados mais fracos da economia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou com menos 0,48% nesta quinta-feira (29), em 125.675,33 pontos. Ficou, portanto, no sentindo inverso ao otimismo visto em Nova York, onde os principais índices não só fecharam no azul como atingiram novos patamares históricos.

Mas essa dualidade foi a tônica do dia. Mais ou menos como a medalha histórica de Rebeca Andrade na ginástica artística hoje, na Tóquio 2020, Havia duas maneiras de enxergar os dados da economia norte-americana que foram divulgados hoje: ela ganhou a de prata ou deixou escapar o ouro em uma rara apresentação imprecisa no solo? Os dados do emprego e do PIB dos EUA vieram bons ou, por estarem abaixo das expectativas, revelam preocupação?

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É óbvio que Andrade venceu. O brasileiro, por todo país, comemorou. Mas a movimentação dos investidores não era tão óbvia assim. Acabou prevalecendo o otimismo. O mercado celebrou um apreço ao risco, as bolsas subiram, o dólar caiu. Quem não arrisca não voa alto, como bem fez a vencedora Rebeca.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 124.917,27 pontos (-1,08%); e na máxima, 126.475,63 pontos (+0,15%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 28,050 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (26): +0,76% (126.003,86 pontos)
  • terça-feira (27): -1,10% (124.612,03 pontos)
  • quarta-feira (28): +1,34% (126.285,59 pontos)
  • quinta-feira (29): -0,48% (125.675,33 pontos)
  • semana: +0,49%
  • julho: -0,89%
  • 2021: +5,59%

Juros

  • D1F22: -0,04 p.p. para 6,20%
  • D1F23: -0,11 p.p. para 7,58%
  • D1F24: -0,09 p.p. para 8,11%
  • D1F25: -0,05 p.p. para 8,38%
  • D1F26: -0,03 p.p. para 8,55%
  • D1F27: -0,02 p.p. para 8,74%
  • D1F28: -0,03 p.p. para 8,86%
  • D1F29: -0,01 p.p. para 8,99%
  • D1F30: -0,02 p.p. para 9,10%
  • D1F31: -0,02 p.p. para 9,21%

Dólar

O dólar voltou a cair. A moeda norte-americana perdeu 0,60% e passou a valer R$ 5,0792.

  • segunda-feira (26): -0,70% a R$ 5,1742
  • terça-feira (27): +0,06% a R$ 5,1775
  • quarta-feira (28): -1,31% a R$ 5,1099
  • quinta-feira (29): -0,60% a R$ 5,0792
  • semana: -2,55%

Euro

  • segunda-feira (26): -0,23% a R$ 6,1073
  • terça-feira (27): -0,01% a R$ 6,1067
  • quarta-feira (28): -0,76% a R$ 6,0604
  • quinta-feira (29): -0,41% a R$ 6,0357
  • semana: -1,41%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +0,87% a R$ 201.506,03
  • Ethereum: +2,14% a R$ 11.734,05
  • Tether: +1,93% a R$ 5,08
  • Cardano: +3,14% a R$ 6,55
  • Binance: +2,15% a R$ 1.593,19

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações em Wall Street voltaram a níveis recordes, com os investidores lendo os dados econômicos, que apontam para um crescimento mais lento do que o esperado, de uma maneira mais otimista. É a política do “copo meio cheio”.

Na primeira prévia do segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) americano cresceu 6,5%, ante 6,3% do trimestre anterior (revisados de 6,4% anunciados anteriormente). A segunda estimativa sai em 26 de agosto.

Porém, a expectativa do mercado era por leitura maior, de 8,4%.

No quarto trimestre de 2020, o PIB avançou 4,3%. E no ano de 2020, o recuo do PIB foi de 3,5%. Vale lembrar que, no terceiro trimestre, o PIB real dos EUA aumentou 33,4%, uma marca recorde no país. Enquanto que, no segundo trimestre, caiu 31,4%, em decorrência da crise da pandemia. E no primeiro, recuou 5%.

Expectativa ou realidade? Os investidores viram que a realidade é o que se tem e ela não é ruim, mesmo abaixo da expectativa.

O número decepcionante do PIB “foi devido a uma queda nos estoques; então, nada para se preocupar”, disse à CNBC Craig Erlam, analista de mercado sênior da Oanda. “Isso certamente justifica uma abordagem mais paciente do Fed”.

Já os pedidos de auxílio desemprego voltaram a cair nos Estados Unidos. Na semana encerrada em 24 de julho, foram registrados 400 mil pedidos. Uma redução de 24 mil pedidos frente a semana anterior.

Ainda assim, vieram pior do que a projeção do mercado, que era por 385 mil.

Com relação à uma semana antes, o nível de pedidos foi revisado para cima e passou de 419 mil para 424 mil pedidos. Isto representa uma elevação de 5 mil requisições a mais.

A média móvel de quatro semanas foi de 394,5 mil solicitações. Isto representa um aumento de 8 mil em relação à média revisada da semana anterior. O anterior a média da semana foi revisada em 1.250, passando de 385,2 mil para 386,5 mil.

Os dados do auxílio desemprego são um importante indicativo para a formação da política monetária por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.

Mais uma vez, os investidores viram o copo meio cheio. A redução, mesmo abaixo da expectativa, foi uma boa notícia.

Muitos investidores ficaram aliviados com o fato de o Federal Reserve não ter sinalizado nenhum plano iminente para desacelerar as compras de ativos. O presidente do Fed, Jerome Powell, advertiu que, embora a economia esteja progredindo em direção a seus objetivos, ainda há um longo caminho a percorrer antes que o banco central realmente ajuste suas políticas fáceis.

“Temos algum terreno a cobrir no lado do mercado de trabalho”, disse Powell. “Acho que estamos longe de ter um progresso substancial em direção à meta de emprego pleno”.

Do outro lado do mundo, as ações da Ásia-Pacífico avançaram amplamente. O mesmo se viu na Europa.

Com relação aos dados, o sentimento econômico da zona do euro atingiu um recorde em julho, de acordo com estimativas da Comissão Europeia. No entanto, a taxa de aumento mensal desacelerou o otimismo do consumidor.

A pesquisa mensal da Comissão subiu para 119,0 pontos em julho, o maior valor desde o início da coleta de dados em 1985 e acima de 117,9 em junho.

A Covid-19, entretanto, segue causando mortes e muita preocupações na Ásia-Pacífico, especialmente na Indonésia, Malásia e no palco olímpico, o Japão, que seguem contando recordes diários de novos casos.

Nova York

  • S&P: +0,42%
  • Nasdaq: +0,11%
  • Dow Jones: +0,44%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,33%
  • DAX (Alemanha): +0,45%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,88%
  • CAC (França): +0,37%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,60%
  • FTSE MIB (Itália): +1,01%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +1,49%
  • SZSE Component (China): +3,04%
  • China A50 (China): +0,85%
  • DJ Shanghai (China): +1,49%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +3,24%
  • SET (Tailândia): +0,01%
  • Nikkei (Japão): +0,73%
  • ASX 200 (Austrália): +0,52%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,18%

Brasil: ambiente político e econômico

E não é que o Brasil tem o que comemorar, além da brilhantes medalhas de Tóquio? De acordo com o Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram criadas 309,114 mil novas vagas de emprego com carteira assinada no Brasil em junho. Esse resultado decorre de 1,601 milhões de admissões e de 1,291 milhões de desligamentos.

Mas aqui, ao contrário dos Estados Unidos, o resultado é superior à projeção de 150 mil novas vagas. Comparativamente, em maio, foram criadas 280,6 mil vagas.

O estoque, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, em junho de 2021 contabiliza 40,899 milhões de vínculos.

Enquanto isso, a estimativa do total do mercado regulado subiu 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 33,7 trilhões, de acordo com Boletim Econômico divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Dentre os principais direcionadores dessa trajetória foram o valor agregado dos FI-555 e o estoque nocional em aberto de derivativos.

Já o conjunto de regulados aumentou em 7,7% desde o início de 2021, totalizando 66.529 participantes, puxado majoritariamente por agentes autônomos de investimento (15%) e fundos de investimento (9,9%).

No primeiro semestre de 2021 foram emitidos um total acumulado de R$ 287,8 bilhões em valores mobiliários, dos quais R$ 176,9 bilhões no segundo trimestre.

Outro dado importante apresentado hoje foi que o ICMS arrecadado impulsiona o superávit de estados e municípios. De acordo com o Valor Econômico, projeção do Ministério da Economia para este ano sobe para R$ 29,3 bilhões.

O número está bem acima da meta indicativa para 2021, de saldo positivo de R$ 200 milhões.

Daí, vamos ao campo político, onde o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a análise das propostas de reforma tributária e administrativa, a privatização dos Correios e a reforma do sistema eleitoral estão entre as prioridades de votação da Casa após o recesso parlamentar. A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional está marcada para 2 de agosto.

Conforme Lira, o Projeto de Lei (PL) 2.337/21 estará em pauta já na primeira semana de trabalho. O parecer preliminar da segunda fase da proposta foi apresentado pelo relator, Celso Sabino (PSDB-BA), no último dia 13.

“Como prioridades para o segundo semestre, teremos votações importantes. Logo na primeira semana, na volta do recesso, estamos com tranquilidade para votação da primeira etapa da reforma tributária, a que define as novas regras para o Imposto de Renda [IR]”, tuítou Lira.

Entre outros pontos, o parecer amplia a redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), atualmente em 15%. Sabino propôs que, para empresas com lucro de até R$ 20 mil por mês, a alíquota seja reduzida. Iria, portanto, de 15% para 5% em 2022 e para 2,5% em 2023.

Já a taxação do IR para empresas com lucro acima de R$ 20 mil cairia de 25% para 12,5%. O governo havia proposto que a alíquota geral do IRPJ fosse reduzida de 15% para 12,5% em 2022, e 10% a partir de 2023.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 28 subiram, 1 ficou estável (LCAM3) e 55 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 115,57 (-1,47%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,81 (+0,36%)
  • CSN (CSNA3): R$ 48,13 (+5,62%)
  • Ambev (ABEV3): R$ 17,13 (-1,15%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,67 (-0,96%)

Maiores altas

  • CSN (CSNA3): R$ 48,13 (+5,62%)
  • Multiplan (MULT3): R$ 24,16 (+5,36%)
  • Iguatemi (IGTA3): R$ 42,30 (+3,27%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 20,84 (+3,22%)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 14,59 (+2,24%)

Maiores baixas

  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 31,42 (-7,40%)
  • Cogna (COGN3): R$ 3,71 (-2,88%)
  • Weg (WEGE3): R$ 36,13 (-2,88%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 35,49 (-2,50%)
  • CPFL (CPFE3): R$ 25,85 (-2,38%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,59% (54.488,83 pontos)
  • IBrX 50: -0,56% (21.276,59 pontos)
  • IBrA: -0,48% (5.128,32 pontos)
  • SMLL: -0,05% (3.039,43 pontos)
  • IFIX: +0,07% (2.818,91 pontos)
  • BDRX: -0,75% (13.159,71 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (26): +0,54% (US$ 74,50)
  • terça-feira (27): -0,24% (US$ 73,52)
  • quarta-feira (28): +0,48% (US$ 73,83)
  • quinta-feira (29): +1,67% (US$ 75,10)
  • semana: +2,85%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (26): -0,22% (US$ 71,91)
  • terça-feira (27): -0,36% (US$ 71,65)
  • quarta-feira (28): +1,03% (US$ 72,39)
  • quinta-feira (29): +1,70% (US$ 73,62)
  • semana: +2,15%

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (26): -0,14% (US$ 1.800,40)
  • terça-feira (27): +0,03% (US$ 1.799,80)
  • quarta-feira (28): +0,03% (US$ 1.800,30)
  • quinta-feira (29): +1,75% (US$ 1.831,20)
  • semana: +1,67%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,39% (US$ 25,32)
  • terça-feira (27): -2,64% (US$ 24,65)
  • quarta-feira (28): +0,92% (US$ 24,87)
  • quinta-feira (29): +3,18% (US$ 25,67)
  • semana: +2,11%

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