Dólar dispara 2,57% e reverte as perdas da semana, em dia ruim globalmente

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/ Pixabay

O dólar decolou nesta sexta-feira (30), com mais 2,57%, chegando a reverter as perdas acumuladas na semana. A moeda fechou a semana com mais 0,02% e passou a valer a R$ 5,2099.

Foi um dia terrível, com a ressaca dos dados divulgados ontem pelos Estados Unidos. Aliado ao cerco que a China faz às empresas de tecnologia, os investidores simplesmente foram se preservar em paragens mais seguras. O dólar, uma delas.

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No Brasil, a live insana de Jair Bolsonaro (sem partido), ondem (29) à noite, elevou o tom ainda mais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com mentiras sobre a urna eletrônica e a autenticidade das eleições. Ministros das duas Cortes ficaram indignados com o Presidente da República.

A máquina de criar crises que Bolsonaro se tornou não dá trégua nem durante o recesso parlamentar, quando, tradicionalmente, as coisas ficam mais tranquilas.

  • segunda-feira (26): -0,70% a R$ 5,1742
  • terça-feira (27): +0,06% a R$ 5,1775
  • quarta-feira (28): -1,31% a R$ 5,1099
  • quinta-feira (29): -0,60% a R$ 5,0792
  • sexta-feira (30): +2,57% a R$ 5,2099
  • semana: +0,02%

Amazon decepciona

A Amazon (AMZO34) reportou lucro líquido de US$ 7,8 bilhões no 2TRI21 (correspondente a US$ 15,12 por ação diluída). O resultado corresponde a um aumento de 50% em relação ao mesmo período de 2020, o que não quer dizer muita coisa, diante da pandemia.

Os resultados da empresa foram divulgados nessa quinta-feira, 29 de julho. Embora tenha superado as expectativas de resultados, a receita da companhia ficou aquém do esperado pelo mercado.

Mesmo com o crescimento de 27% da receita em relação ao 2TRI20, a Amazon não correspondeu às expectativas do mercado norte-americano. Segundo a empresa, a sua projeção de vendas para o próximo trimestre está entre US$ 106 bilhões e US$ 112 bilhões, o que, de acordo com analistas, permanece abaixo do número esperado pelo mercado, que é de US$ 119,2 bilhões.

Mas, pior, a empresa reportou sua primeira perda de receita trimestral em três anos, acendendo uma luz de alerta, justamente agora que seu criado, Jeff Bezos, sai do comando.

Mais números ruins

Depois do PIB e dos pedidos de auxílio desemprego relatarem números piores que a expectativa, o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) nos EUA variou 0,5% em junho, mesma variação observada em maio.

O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, subiu 0,4%, abaixo da projeção de 0,6%. Na comparação anual, a alta foi de 3,5%, também abaixo da expectativa de 3,7%.

Apesar de vir abaixo da projeção, a alta representa o maior movimento para o índice desde 1991 e ficou 0,1 ponto percentual acima dos 3,4% de maio.

E temos Bolsonaro

Não bastassem as intempéries internacionais, dentro de casa, os investidores precisam enfrentar a máquina de criar crises que é o presidente da República.

Na sua costumeira live de quinta-feira, Bolsonaro atacou mais uma vez as urnas eletrônicas, sistema de votação brasileiro utilizado desde 1996. Porém, ao contrário do prometido antes da transmissão, não apresentou uma única prova sobre as alegadas fraudes das urnas.

Bolsonaro citou “indícios fortíssimos”, mas apenas apresentou denúncias vazias e reportagens antigas de televisão, com as mesmas denúncias.

Ele afirmou que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, não quer o voto impresso. Barroso também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, na verdade, a proposta sobre a impressão do voto, atrelado à urna eletrônica, como os bolsonaristas apresentaram na Câmara dos Deputados, deve ser derrotada pelo Congresso, em união rara entre vários partidos políticos. Entre eles o PP, do agora ministro da Casa Civil e líder do Centrão, grupo de partidos fisiológicos, senador Ciro Nogueira (PI).

“Moleque”

E pior: fez alegações de que os mesmos ministros do STF que voltaram a dar elegibilidade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) são os que “vão contar os votos na sala secreta do TSE”, insinuando que a eleição já está decidida pelo próprio STF.

A reação foi de fúria, segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo: o ministro do STF chegou a chamar Bolsonaro de “moleque”, no que foi assentido pelos demais pares. Eles prometem um freio nos seus avanços sobre a estrutura democrática brasileira.

*Com BDM e Agência Reuters

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