BAAX39: conheça o investimento que acompanha o mercado asiático

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Uma das novidades trazidas pelo mercado de capitais brasileiro nos últimos meses foram os BDRs de ETFs. A seguir, conheceremos o BAAX39, o BDR de ETF que replica o índice MSCI All Country Asia ex Japan (AAXJ).

Mas antes, falaremos um pouco mais sobre o que são e para que servem os BDRs de ETFs. Continue a leitura e confira!

Para começar, o que é um BDR de ETF?

Aqui na EQI, nós já falamos algumas vezes nos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que se tornaram mais acessíveis para os investidores a partir no final de 2020. Trata-se de títulos negociados na bolsa de valores brasileira que representam ações de companhias estrangeiras. Ou seja, ao adquirir um BDR, o investidor passa a ter um título que representa essa empresa, e que lhe confere alguns direitos. Um deles é o recebimento de dividendos (se essa for a política da companhia).

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Por sua vez, os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos que replicam determinado benchmark do mercado financeiro, como o Ibovespa ou índices internacionais, por exemplo. Com a redução do lote mínimo de negociação, essa modalidade também se tornou mais acessível para o público em geral no ano passado. Nesse sentido, a gestão passiva também contribui para baratear o investimento, uma vez que as taxas de administração nesse tipo de fundo costumam ser menores.

E por que investir em BDRs de ETFs?

Uma das perguntas que o investidor faz é justamente essa. Por que investir em BDR de ETF? Afinal, não seria melhor adquirir diretamente títulos que representem as companhias estrangeiras?

A principal vantagem de investir em um BDR de ETF é a maior diversificação com menor custo que esse título trará à carteira. Isso porque, diferentemente dos BDRs tradicionais, o BDR de ETF não representa somente uma empresa estrangeira, e sim várias delas. Ou seja, a performance desse fundo acompanhará o seu índice de referência, e não somente o desempenho de uma empresa em específico.

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Para conseguir a mesma diversificação com BDRs tradicionais, você teria mais custos. Entre eles, as taxas de corretagem para adquirir mais títulos encareceriam o investimento. Logo, o BDR de ETF é uma das melhores opções para o pequeno investidor que deseja diluir o risco-país da carteira.

No artigo abaixo, entenda a importância do risco-país na economia e nos investimentos.

BAAX39: O BDR de ETF que acompanha o mercado asiático

O BAAX39 é um BDR de ETF que acompanha o índice MSCI All Country Asia ex Japan (AAXJ). Por sua vez, esse índice busca acompanhar o desempenho de ações de grandes e médias empresas de países asiáticos emergentes e desenvolvidos, com exceção do Japão.

Entram no fundo empresas como Alibaba, Samsung, Tencent, Xiaomi, LG, Hyundai, Kia, entre outras asiáticas.

O BAAX39 teve início em 30 de novembro de 2020. Em relação ao público-alvo, esse BDR de ETF é voltado a investidores em geral. Quanto à gestão do investimento, o trabalho é realizado pela BlackRock.

Performance do BAAX39

Como vimos, o objetivo do BAAX39 é acompanhar o MSCI All Country Asia ex Japan (AAXJ). No entanto, esse investimento não oscilará exatamente conforme o seu índice de referência. Isso porque, mesmo que seja cotado em dólar, os BDRS são investimentos em reais. Logo, além do índice de referência, o BAAX39 também será influenciado pela variação cambial.

Outras características do BAAX39

Vejamos agora outras características desse BDR de ETF:

Pagamento de dividendos

O BAAX39 é um BDR de ETF que paga dividendos ao investidor. Isso porque o AAXJ, seu índice de referência, historicamente distribui dividendos de 2,09% ao ano.

Custos

Em relação aos custos, o BAAX39 possui taxa de administração de 0,69% ao ano.

Segundo a legislação norte-americana, os dividendos desse BDR de ETF sofrem desconto de 30% antes de chegarem ao investidor no Brasil. Além disso, existe também a cobrança de 0,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Por fim, ainda há 3% referente à tarifa do Banco B3, que é a instituição financeira depositária da maioria dos BDRs negociados na bolsa. Cabe lembrar que essa tarifa varia conforme o banco depositário. E, da mesma forma que o IOF e imposto dos EUA, é descontada antes de repassar o dinheiro ao investidor.

Afinal, todos os investidores podem adquirir BDRs de ETFs?

Desde outubro de 2020, foram lançados cerca de 40 BDRs de ETFs. A princípio, esse investimento era voltado somente a investidores qualificados. Ou seja, investidores profissionais ou que possuam mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

No entanto, aos poucos a bolsa brasileira começou a liberar os BDRs de ETFs também para o público em geral. Segundo informado pela B3, a dificuldade de tornar todos esses BDRs disponíveis para o pequeno investidor de uma só vez era a tradução da documentação para o português.

Atualmente, já existem cerca de 23 BDRs de ETFs disponíveis para a pessoa física no mercado de capitais brasileiro. Nesse sentido, a expectativa da B3 e do mercado em geral é de que essa ação ajude a fortalecer o interesse do investidor brasileiro em ativos internacionais.

No artigo abaixo, saiba mais sobre diversificação de investimentos em moeda estrangeira.