BDRs ou ações no exterior: qual a melhor alternativa?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: BDRs ou ações no exterior: qual a melhor opção?

A partir de outubro de 2020, todos os investidores passaram a ter acesso aos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), títulos que representam ações de empresas estrangeiras. Antes, esses investimentos eram restritos a investidores qualificados, ou seja, pessoas com mais de R$ 1 milhão de recursos aplicados no mercado financeiro.

No atual cenário de Selic na mínima histórica, a novidade foi bem recebida pelo mercado. Afinal, todos buscam novas alternativas de diversificação com rentabilidade. Para se ter uma ideia, o número de contas cadastradas na bolsa brasileira foi de 1,6 milhão em 2019 para 3,17 milhões até novembro de 2020.

Mas afinal, é melhor investir em BDRs ou ações no exterior? Qual a melhor alternativa de ativo internacional para a carteira?

Essa é a dúvida de muitos investidores hoje no Brasil. A seguir, mostraremos como funcionam essas duas modalidades de diversificação internacional, e quais as suas principais características.

BDRs x ações no exterior: o que é mais vantajoso para o investidor?

Antes de mais nada, vamos relembrar como funcionam os BDRs.

Esses títulos são emitidos no Brasil e representam ações de empresas estrangeiras. Ao adquirir um BDR, é como se o investidor participasse indiretamente da empresa emissora. No entanto, não se torna seu “sócio”, como no caso das ações.

Vejamos agora alguns pontos importantes sobre os dois investimentos:

Conta no exterior

Investir em BDRs acaba sendo mais fácil e prático, pois não é necessário ter uma conta no exterior para adquirir esses títulos. O processo é idêntico à compra de ações na B3. Ou seja, basta utilizar um banco ou corretora autorizados pela CVM a comercializar esses ativos.

Já para adquirir ações de empresas estrangeiras, é necessário abrir uma conta no país de origem dos papéis. Atualmente, esse processo é menos burocrático, e muitas corretoras disponibilizam, inclusive, atendimento em português. Além disso, a remessa dos recursos pode ser feita pela própria instituição financeira na qual o cliente tem conta no Brasil.

Fechamento de câmbio

Uma coisa deve ficar clara para quem deseja investir em BDRs: apesar de acompanharem o desempenho de ações estrangeiras, eles não são investimentos internacionais. Por isso, esses papéis são listados e negociados em reais, e já consideram a cotação da moeda estrangeira.

Logo, diferentemente das ações internacionais, não há fechamento de câmbio envolvido nas transações com BDRs.

Valores mínimos iniciais para BDRs

Além da ampliação do acesso, outra novidade trazida pelas novas normas foi a redução do aporte mínimo inicial. Antes, o lote mínimo negociado de BDRs era de 10 unidades. Porém, hoje o investidor pode adquirir somente um lote, o que torna o investimento ainda mais popular.

No entanto, é importante que o investidor fique atento à paridade dos BDRs em relação aos lotes. Ou seja, um lote não representa, necessariamente, uma ação da companhia.

No caso da Apple, por exemplo, a paridade é de 10 lotes para cada ação da empresa. Porém essa relação pode chegar a 200 BDRs para cada ação, como no caso Cable One.

Por isso, se a intenção é se tornar sócio da empresa, o investidor precisa analisar atentamente a paridade antes de investir em um ou outro ativo.

Liquidez dos BDRs e das ações internacionais

Apesar do avanço, o volume diário de negociação desses títulos ainda é bem inferior ao das ações estrangeiras. Isso porque há pouco mais de 700 BDRs negociados na B3, enquanto as bolsas norte-americanas NYSE e Nasdaq detém, juntas, cerca de seis mil empresas listadas. Isso faz com que a sua liquidez também seja menor do que a dos títulos internacionais.

Tributação dos BDRs e das ações internacionais

Sobre os rendimentos dos BDRs incidirá o Imposto de Renda. Nesse sentido, as alíquotas serão de 15% nas operações de mais de um dia e 20% no day trade.

Outro ponto importante é que, diferentemente das ações, os BDRs não contam com a isenção de IR nas negociações de até R$ 20 mil dentro do mês. Por outro lado, nas ações internacionais, caso ocorram vendas até R$ 35 mil no mês, haverá isenção de IR sobre o ganho de capital.

Dividendos

Tanto os BDRs quanto as ações internacionais dão direito ao recebimento de dividendos. O que muda é a forma de recebimento desses recursos.

No caso dos BDRs, os dividendos são repassados ao investidor já deduzidos das respectivas taxas e impostos estrangeiros. Uma vez recebidos pelas instituições financeiras no Brasil, há um prazo de cinco dias úteis para que elas os repassem aos investidores.

Quanto às ações internacionais, os dividendos são recebidos em moeda estrangeira. Nesse caso, para a conversão em reais, a instituição financeira local cobra uma taxa, que varia, em média, de 3% a 5% do total da remessa.

Após convertido em reais e deduzido da taxa, o dividendo das ações ainda sofre tributação de IR conforme tabela progressiva. Nesse caso, o investidor deve recolher o tributo até o último dia útil do mês seguinte.