Arezzo (ARZZ3) e Soma (SOMA3): disputas pelo setor varejista de moda

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Arezzo (ARZZ3): ‘integração de canais é muito importante’, diz CEO

No início do mês, o site Pipeline do Valor divulgou que o CEO da Arezzo (ARZZ3), Alexandre Birman, estava ensaiando uma aquisição com o Grupo Soma (SOMA3).

De acordo com o que foi informado pela mídia inicialmente, as conversas já estavam acontecendo há meses. Ambas as partes se manifestaram ao longo da semana passada negando qualquer acordo.

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Em nota, a Arezzo explicou que não assinou qualquer proposta de negócio com o Grupo Soma. Mas deixou bem claro que tem intenção de se consolidar como “house of brands”. Ou seja, crescer organicamente por suas marcas, assim como por meio de aquisições, tendo diversos parceiros em vista.

No final do pregão da última sexta-feira (12), ARZZ3 caiu 2,38%, aos R$ 78,78. Já SOMA3 subiu 1,63%, aos R$ 15,57.

Ações desalavancadas

Conforme o Pipeline, um eventual negócio se daria em boa parte por troca de ações com fração menor em caixa. A movimentação é ousada, considerando-se que o Grupo Soma é maior em bolsa do que a proponente. A Arezzo vale R$ 7,7 bilhões e o grupo Soma é avaliado em R$ 11,25 bilhões.

A ação do Soma acumula alta de 7,6% no ano. A ação da Arezzo acumula alta de 13,2% no ano. Ambas estão desalavancadas.

A depender da recepção inicial, o conselho do Soma pode recusar abrir um diálogo sobre o assunto ou dar sequência e discutir com os acionistas.

Crescimento orgânico

Durante a teleconferência sobre o balanço do terceiro trimestre, Birman ressaltou que o foco da Arezzo está no crescimento orgânico. Entretanto, a possibilidade de novos movimentos de fusão e aquisição não estão fora das cartas.

“Nosso grande foco é o crescimento orgânico, mas temos nos dedicado a tomar decisões que sejam as melhores para empresa”, disse. De acordo com ele, a companhia tem conversado com empresas de grande e pequeno porte. “Nossa visão é sempre de um crescimento sólido e estruturado.”

Sobre a notícia da possível aquisição do Grupo Soma, a direção da companhia afirmou que o grupo está “preparado” para questões de crescimento inorgânico, “seja através de investimento por próprio caixa ou através de diluição”, sem falar do caso direto.

Fator Hering

Outro fato interessante para ser ressaltado a respeito das próximas movimentações do setor de varejo de roupas, é que a Arezzo tentou comprar a Hering. A oferta foi considerada hostil, no valor de R$ 3,29 bilhões, e acabou “perdendo” para o Grupo Soma.

Em abril, quando a aquisição foi anunciada, Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos, falou que o momento era propício para a consolidação do setor.

“As empresas que tiverem mais capacidade de investimento em marca, em tecnologia, em logística e e-commerce, que são investimentos mais caros no momento, vão se sair melhor”, afirma. Para ele, a junção de Grupo Soma e Cia Hering fazem sentido para alcançar uma melhora nesses investimentos.

A fusão determinou a incorporação das ações da Hering por uma subsidiária do Grupo Soma, com emissão, em favor dos acionistas da empresa, de ações ordinárias e preferenciais resgatáveis.

Para cada ação ordinária de emissão da Hering, foram entregues 1 ação ordinária e 1 ação preferencial da nova companhia. Esta foi posteriormente incorporada pelo Grupo Soma. Além disso, foi pago aos acionistas da Hering R$ 9,630957 por ação ordinária mais 1,625107 ação ordinária da companhia.

O valor total, portanto, foi de R$ 3,64 bilhões em ações da Soma acrescido de R$ 1,5 bilhão em caixa. Os acionistas da Hering ficaram com cerca de 34% da companhia combinada.

Quem é o Grupo Soma (SOMA3) que comprou a Hering (HGTX3)

Grupo Soma (SOMA3) tem alta de 256% no lucro do 3TRI21

O Grupo Soma (SOMA3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 77,6 milhões no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21). Assim, registrou alta de 256% frente os R$ 21,8 milhões de lucro do 3TRI20.

A margem líquida ajustada subiu de 7,6% para 13,8%.

Arezzo (ARZZ3) tem alta de 192% no lucro no 3TRI21

A Arezzo (ARZZ3) registrou lucro líquido de R$ 82 milhões no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21), crescimento de 192,6% na comparação com igual período de 2020.

De acordo com a companhia, o desempenho foi impactado positivamente pela performance operacional da Arezzao&Co e pela incorporação da AR&CO, mas negativamente pelo aumento das despesas financeiras, resultante da maior alavancagem.

BTG (BPAC11): Arezzo (ARZZ3) tem desempenho forte no 3TRI21

A Arezzo (ARZZ3) registrou um desempenho forte no balanço do 3TRI21, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11). Os números da companhia no 3TRI21 foram impactados pela consolidação da Reserva, que se juntou ao grupo em dezembro do ano passado.

A Arezzo reportou números consolidados impressionantes, que juntamente com uma melhora esperada no sell-in do canal de franquia devem sustentar o bom momento da empresa no curto prazo, afirmam os analistas do BTG.

A tese positiva reflete:

  • Expansão resiliente do mercado doméstico (auxiliado pelo crescimento do e-commerce e multicanal nos próximos anos);
  • Novas marcas como Vans, Reserva (além de Bambini e Brizza);
  • Resultados mais saudáveis na operação nos Estados Unidos, principalmente com base nos canais de atacado e e-commerce.

“Em terra de cego, quem tem olho é rei”

Na teleconferência após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da companhia, Birman falou ainda sobre a marca de tênis Vans, que está fortalecendo o segmento de licenciamento de marcas do grupo.

“Nosso braço de licenciamento, hoje, está muito preparado. Temos sido procurados por grandes marcas globais que querem entrar no mercado brasileiro, dado nosso trabalho com a Vans. Essa divisão vai passar a tomar mais corpo dentro da nossa matriz”, disse.

Conforme Birman, a Vans já representa 13% da operação da Arezzo. Ele ainda destacou a loja inaugurada no terceiro trimestre na Avenida Paulista, a maior da marca na América Latina. O primeiro mês de operação da loja teve resultados impressionantes: as vendas chegaram a R$ 1,3 milhão. O montante, no mês de outubro, foi superado quando as vendas chegaram a R$ 1,4 milhão.

De acordo com as projeções da Arezzo, a receita da marca é prevista para variar entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões no ano que vem.

Além disso, Birman está confiante que o ritmo de vendas continuará acelerado com a retomada mais firme do comércio físico. “Em terra de cego, quem tem olho é rei”, disse.

“Nossas marcas já estão praticamente isoladas”, disse referindo-se à participação de mercado das marcas do
grupo. “Nossas marcas-legado quase não têm concorrência”, acrescentou. Birman destaca que todos os negócios tiveram crescimento “exponencial” de suas margens de contribuição já no terceiro trimestre.

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