Grupo Soma, dono de Farm e Animale, fará IPO esta semana

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Foto: Foto: Dvulgação

Um dos maiores varejistas de moda do Brasil, o Grupo Soma fará sua estreia na bolsa de valores brasileira nesta semana, com IPO marcado para o dia 31 de julho.

A empresa, dona de marcas como Animale, Farm e, mais recentemente, Maria Filó, faturou R$ 1,3 bilhão no ano passado. É a 5ª do País no mercado de vestuário feminino. 

No total, são oito marcas, 1,1 milhão de clientes e 282 lojas físicas (quase 90% em shoppings), além do e-commerce. 

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Nas últimas semanas, duas casas de análise publicaram relatórios sobre o IPO recomendando que os investidores não participem da oferta, cuja reserva de ações termina nesta segunda-feira, dia 27 de julho.

Os analistas da Levante dizem que preferem aguardar para que o Soma “comprove sua capacidade de execução e crescimento”.

Na Eleven, a avaliação é de que a empresa não é tão atraente quanto seus concorrentes que já estão na bolsa, como Renner e Arezzo. 

Conheça a história do Grupo Soma 

O Grupo Soma surgiu em 2010 a partir da fusão de duas tradicionais varejistas de moda feminina: a Animale e a Farm, ambas cariocas. 

A Animale foi fundada em 1991 pelos irmãos Ricardo, Gisella e Cláudia Jatahy. A Farm, marca conhecida por suas estampas vibrantes, foi criada em 1997 pelos amigos Kátia Barros e Marcello Bastos. 

Antes do sucesso, no entanto, eles tiveram uma experiência traumática no varejo que os fez aprender na marra sobre as singuladirades desse mercado.

No fim dos anos 90, os dois amigos de adolescência abriram em um shopping do Rio uma franquia da extinta marca paulista Mercearia. 

Donos da marca Farm: Katia Barros e Marcello Bastos

Kátia e Marcello, fundadores da marca Farm Foto: Divulgação

O estilo paulistano não agradou às cariocas e, em seis meses, os jovens empresários tiveram de fechar as portas. Seus pais venderam dois apartamentos e três carros para honrar os compromissos de Kátia e Marcello. 

O recomeçou veio meses depois, quando os dois decidiram produzir suas próprias peças, já com tons vibrantes, para vender em uma feira hype do Rio. De lá para cá, a Farm ganhou presença nacional e internacional.

Em 2008, com a crise, a empresa se viu com uma dívida de R$ 15 milhões. Chegou a cogitar a venda para um fundo, mas acabou recebendo um aporte do empresário Roberto Jatahy, amigo de Marcello.

Hoje, os fundadores da Farm detêm cada um 7,4% de participação no Grupo Soma. Os irmãos Jatahy são donos de 61,4% e Roberto é o presidente.

Aquisições à vista

O dono da Animale é reconhecido no mercado por  manter uma gestão profissionalizada à frente da companhia, o que não é regra no setor de moda. 

Em 2013, Jatahy chegou a negociar a venda do grupo para a gestora Tarpon, mas desistiu da operação em cima da hora. De lá para cá, concentrou energias em expansão e em novas aquisições.

Em 2015, comprou a Foxton, primeira marca masculina do grupo. No ano seguinte, adquiriu a marca Cris Barros. Mais recentemente, em meio à pandemia de coronavírus, concluiu a compra da Maria Filó.

Loja Maria Filó, do Grupo Soma

Rede Maria Filó foi comprada este ano pelo Grupo Somo Foto: Divulgação

Com a oferta de ações, o Grupo Soma quer reforçar o caixa para intensificar a consolidação. A companhia espera captar R$ 1,4 bilhão no IPO.

De acordo com o prospecto, 47% dos recursos serão destinados para fusão e aquisição. Outros 24% para o pagamento de dividendos e 14% para pagar dívidas. 

No mercado, circula a informação de que o Soma já estaria articulando sua primeira compra após o IPO.  O alvo seria a Richards, marca mais rentável da Inbrands, que vem tentando a todo custo evitar uma recuperação judicial.

Grupo Soma em números

A Farm e a Animale representam 75% da receita bruta do grupo, que no ano passado foi de R$ 1,3 bilhão. O restante vem das outras marcas:  Cris Barros, A.Brand, Fábula, Foxton, Off Premium e Maria Filó.

Além de atuar como varejista, o Grupo Soma também vende no atacado para 2,8 mil estabelecimentos multimarcas. As peças são produzidas em três fábricas – duas no Rio e uma em São Paulo.

A empresa tem indicadores atrativos, com margem bruta e retorno sobre patrimônio líquido (ROE) superiores a concorrentes como a Renner (LREN3).

Em março, o endividamento líquido era de R$ 358 milhões. A empresa tinha R$  111 milhões em caixa. Antes da oferta, portanto, a relação dívida líquida / Ebitda era de 2,4 vezes.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 126 bilhões em 2019. No primeiro trimestre deste ano, teve prejuízo de R$ 46 milhões ante lucro de R$ 18 milhões no mesmo período do ano passado.

Uma parte importante do resultado do Grupo Somo é beneficiado por uma isenção fiscal concedida pelo Estado do Rio de Janeiro. O benefício tem duração prevista até 2032.

A alíquota de ICMS paga pela empresa é de 7%, enquanto os concorrentes pagam em média 26%.

Sobre o IPO e recomendações

O prazo para reserva de ações do Grupo Soma foi de 15 a 27 de julho. O preço por ação será fixado no dia 29 e o IPO está previsto para dia 31.

Com a faixa de preço entre R$ 8,80 a R$ 11,00, o valor da oferta ficará entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

O valor de mercado deve ficar  entre R$ 4,2 bilhões e R$ 5,25 bilhões.

Em relatório publicado na semana passada, os analistas da Eleven recomendaram que os investidores não entrassem no IPO da empresa.

Isso porque, segundo os analistas, o valuation do Grupo  não é tão atraente quanto o de concorrentes . Renner e Arezzo, dizem eles, têm uma estratégia mais consistente, histórico em bolsa e melhores perspectivas de crescimento.

A Eleven também ressaltou a dependência do Somo do benefício fiscal concedido pelo governo fluminense.  No ano passado, o benefício representou aproximadamente 50% do Ebtida ajustado.

Os analistas da Levantem também fizeram essa ponderação. Destacaram, ainda, que o benefício fiscal pode ser cortado, diante da deterioração das contas públicas no Rio.

Eles levantaram ainda outros pontos desfavoráveis. Primeiro, que boa parte dos recursos será direcionada para os acionistas através do pagamento de dividendos (R$ 304 milhões ou 24% do total dos recursos da oferta) e não para
crescimento.

Em segundo lugar, por conta do baixo crescimento orgânico do portfólio de lojas e marcas atuais, com apenas 15% dos recursos investidos em abertura de lojas e tecnologia.

SOMA3

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