Grupo Soma (SOMA3), dono da Farm e Animale, sobe 11% na estreia

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Foto: Foto: Dvulgação

As ações do Grupo Soma (SOMA3), um dos maiores varejistas de moda do Brasil, subiam 11% em sua estreia na bolsa de valores brasileira hoje (31). Às 10h23, as ações da varejista estavam cotadas a R$ 11,11.

O valor da ação foi fixado em R$ 9,90, no centro da faixa indicativa de preço que estava entre R$ 8,80 a R$ 11.

IPO

A empresa levantou R$ 1,823 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na última quarta-feira (29).

Dos recursos captados, R$ 1,35 bilhão vai para o caixa da empresa.

De acordo com o prospecto, 47% dos recursos serão destinados para fusão e aquisição. Outros 24% para o pagamento de dividendos e 14% para pagar dívidas.

No mercado, circula a informação de que o Soma já estaria articulando sua primeira compra após o IPO.  O alvo seria a Richards, marca mais rentável da Inbrands, que vem tentando a todo custo evitar uma recuperação judicial.

Sobre o Grupo Soma 

O Grupo Soma surgiu em 2010 a partir da fusão de duas tradicionais varejistas de moda feminina: a Animale e a Farm, ambas cariocas.

A Animale foi fundada em 1991 pelos irmãos Ricardo, Gisella e Cláudia Jatahy. A Farm, marca conhecida por suas estampas vibrantes, foi criada em 1997 pelos amigos Kátia Barros e Marcello Bastos.

Antes do sucesso, no entanto, eles tiveram uma experiência traumática no varejo que os fez aprender na marra sobre as singuladirades desse mercado.

No fim dos anos 90, os dois amigos de adolescência abriram em um shopping do Rio uma franquia da extinta marca paulista Mercearia.

O estilo paulistano não agradou às cariocas e, em seis meses, os jovens empresários tiveram de fechar as portas. Seus pais venderam dois apartamentos e três carros para honrar os compromissos de Kátia e Marcello.

O recomeçou veio meses depois, quando os dois decidiram produzir suas próprias peças, já com tons vibrantes, para vender em uma feira hype do Rio. De lá para cá, a Farm ganhou presença nacional e internacional.

Em 2008, com a crise, a empresa se viu com uma dívida de R$ 15 milhões. Chegou a cogitar a venda para um fundo, mas acabou recebendo um aporte do empresário Roberto Jatahy, amigo de Marcello.

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Hoje, os fundadores da Farm detêm cada um 7,4% de participação no Grupo Soma. Os irmãos Jatahy são donos de 61,4% e Roberto é o presidente.

Recomendações

A alta das ações de hoje ignora as recomendações realizadas pelas casas de análise Eleven e Levante.

Em relatório publicado na semana passada, os analistas da Eleven recomendaram que os investidores não entrassem no IPO da empresa.

Isso porque, segundo os analistas, o valuation do Grupo não é tão atraente quanto o de concorrentes. Renner e Arezzo, dizem eles, têm uma estratégia mais consistente, histórico em bolsa e melhores perspectivas de crescimento.

A Eleven também ressaltou a dependência do Soma do benefício fiscal concedido pelo governo fluminense. No ano passado, o benefício representou aproximadamente 50% do Ebtida ajustado.

Os analistas da Levante também fizeram essa ponderação. Destacaram, ainda, que o benefício fiscal pode ser cortado, diante da deterioração das contas públicas no Rio.

Eles levantaram ainda outros pontos desfavoráveis. Primeiro, que boa parte dos recursos será direcionada para os acionistas através do pagamento de dividendos (R$ 304 milhões ou 24% do total dos recursos da oferta) e não para
crescimento.

Em segundo lugar, por conta do baixo crescimento orgânico do portfólio de lojas e marcas atuais, com apenas 15% dos recursos investidos em abertura de lojas e tecnologia.