Entenda o que é o come-cotas nos fundos de investimentos

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Na última segunda-feira (30), os investidores de fundos de investimentos que tiveram rendimentos devem ter se deparado com menos cotas do que o dia anterior. Isso acontece por causa de um evento chamado de come-cotas.

O come-cotas é a cobrança de Imposto de Renda antecipada, que o governo criou para tributar investimentos com duração indeterminada. Ou seja, não possuem data específica para o resgate.

Ao contrário da renda fixa, onde o tempo da aplicação é determinado na contratação, trazendo uma projeção precisa de quando o governo receberá o valor referente à tributação, nos fundos de investimento não há essa previsibilidade.

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Dessa forma, para sanar essa questão, o governo criou o come-cotas.

O come-cotas é cobrado semestralmente, em 31 de maio e 30 de novembro, independente de quando o investidor tiver feito a aplicação.

Cabe frisar que o imposto é cobrado apenas sobre o lucro obtido, assim como o imposto de renda sobre outras aplicações financeiras.

O que é um fundo de investimentos?

Os Fundos de Investimentos costumam ser uma porta de entrada para quem quer sair da poupança. Ao mesmo tempo, também são queridinhos de investidores tarimbados.

Eles funcionam como um condomínio de investidores em que todos aportam recursos que serão aplicados em conjunto por um especialista (o gestor) ou por uma instituição.

Os ganhos depois são divididos entre os participantes, respeitando-se a proporção de investimento de cada um. As perdas também são repartidas.

Ao aplicar em um fundo, você vai, na verdade, adquirir cotas dele – que são uma fração do Patrimônio Líquido (soma de todos ativos – menos despesas) do fundo. Por isso, os participantes são chamados de cotistas.

Cada cota tem um valor e elas podem variar diariamente, dependendo da composição desse fundo, da estratégia do gestor e da entrada e saída de recursos.

Os fundos de investimento podem ser constituídos por diferentes ativos: ações, títulos públicos, derivativos, moedas e investimentos estrangeiros, para citar alguns deles. Com tantas possibilidades, os fundos precisam respeitar uma série de regras que servem de proteção para o investidor.

Aprenda mais sobre fundos de investimentos aqui.

Tabela regressiva

Os fundos de investimentos sujeitos ao come-cotas acompanham a tributação regressiva do imposto renda. Confira abaixo:

PrazoImposto de Renda
Até 6 meses22,5%
De 6 meses a 1 ano20%
De 1 a 2 anos17,5%
Acima de 2 anos15%

Aplicações mantidas até 180 dias, é cobrado um imposto de renda de 22,5% sobre o lucro.

Aplicações mantidas entre 181 e 360 dias, é cobrado imposto de renda de 20% sobre o lucro.

Aplicações mantidas entre 361 dias e 720 dias, o IR cobrado é de 17,5% sobre o lucro.

Aplicações que são mantidas acima de 721 dias, o IR cobrado é de 15% também sobre o lucro obtido no período.

Logo, a alíquota mínima de Imposto de Renda é de 15% sobre o lucro.

Dessa forma, o IR cobrado antecipadamente sobre o lucro com aplicações em fundos através do come-cotas é exatamente de 15%, não penalizando os investidores que pretendem ficar com o seu capital aplicado por longos períodos.

Como calcular?

Vamos supor que o investidor comprou 15 cotas do fundo “XY” no valor de R$ 1.000,00. Ou seja, ele investiu R$ 15.000,00.

No dia 30 de novembro, as cotas desse investidor estavam valendo R$ 1.100,00. Levando o dinheiro investido para um total de R$ 16.500,00.

O come-cotas, irá tributar os R$ 1.500,00 de lucro que o investidor teve, em 15%.

No entanto, esses 15% correspondentes ao imposto, não sairão do preço de cada cota, e sim da quantidade total de cotas que o investidor possui, por isso o nome “come-cotas”.

Vamos aos cálculos:

15% de R$1.500,00 são R$ 225,00.

O imposto de renda a ser pago pelo investidor é de R$ 225,00.

Assim, pegamos o valor total acumulado e subtraímos o valor do tributo a ser pago, para chegarmos ao valor líquido de (R$16.500,00 – R$225,00), totalizando R$ 16.275,00

Agora que temos o valor líquido após a cobrança do come-cotas, vamos verificar quantas cotas restaram.

Para isso, dividiremos o valor líquido pelo valor atual das cotas: R$16.275,00 / R$1.100,00 = 14,79545455 cotas.

Como você pode observar, após o come-cotas, o número de cotas do investidor diminuiu.

Sem come-cotas

Os fundos de ações (FIA), os Fundos Imobiliários (FIIs) e os fundos de previdência privada não possuem come-cotas.

Fundos de ações

Os fundos de ações possuem uma tributação similar ao mercado de ações. Isso porque o imposto é fixado em 15% sobre o lucro, e o mesmo é cobrado apenas se houver resgate.

Mas os fundos de ações são investimentos mais agressivos, pois acompanham a volatilidade da bolsa de valores.

Fundos Imobiliários

Os Fundos Imobiliários (FIIs) são uma classe de investimento com muitas peculiaridades, inclusive no que diz respeito a tributação.

Os FIIs são isentos da cobrança de imposto de renda, assim como, por exemplo, as LCIs e os CRIs. Sendo assim, esse tipo de fundo não tem come-cotas.

Previdência privada

Os Fundos Previdenciários também são livres da cobrança do come-cotas, porém possuem um regime de tributação particular.

A previdência privada possui dois tipos de regime tributário, o regime regressivo e o progressivo. Confira como funciona cada uma:

  • Regime Progressivo: a alíquota de imposto de renda é determinada com base na renda mensal que o investidor recebe, variando de 0% a 27,5% sobre o valor a ser tributado.
  • Regime Regressivo: a alíquota do imposto de renda reduzirá gradativamente, de acordo com o período que o investidor mantém o capital aplicado no fundo.

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