Fundos de Investimentos: o que são, quanto rendem e como investir

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Unsplash

Os Fundos de Investimentos costumam ser uma porta de entrada para quem quer sair da poupança. Ao mesmo tempo, também são queridinhos de investidores tarimbados.

Eles funcionam como um condomínio de investidores em que todos aportam recursos que serão aplicados em conjunto por um especialista (o gestor) ou por uma instituição.

Os ganhos depois são divididos entre os participantes, respeitando-se a proporção de investimento de cada um. Ah, as perdas também são repartidas.

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Ao aplicar em um fundo, você vai, na verdade, adquirir cotas dele – que são uma fração do Patrimônio Líquido (soma de todos ativos – menos despesas) do fundo. Por isso, os participantes são chamados de cotistas.

Cada cota tem um valor e elas podem variar diariamente, dependendo da composição desse fundo, da estratégia do gestor e da entrada e saída de recursos.

Os fundos de investimento podem ser constituídos por diferentes ativos: ações, títulos públicos, derivativos, moedas e investimentos estrangeiros, para citar alguns deles. Com tantas possibilidades, os fundos precisam respeitar uma série de regras que servem de proteção para o investidor.

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Importante saber que existem fundos abertos e fechados. Nos fundos abertos, a aplicação e o resgate podem ocorrer a qualquer momento. Nos fundo fechados, é diferente: há data certa para comprar ou vender as cotas.

Tributação

Como regra geral, a tributação nos fundos de investimentos ocorre de acordo com a tabela regressiva de Imposto de Renda. Ou seja, a alíquota vai diminuindo conforme o tempo que o capital permanecer investido.

Confira a tabela abaixo:

EQI, BTG Pactual Forpus Capital lançam novo fundo de ações

PrazoImposto de Renda
Até 6 meses22,5%
De 6 meses a 1 ano20%
De 1 a 2 anos17,5%
Acima de 2 anos15%

Para efeitos de tributação é preciso diferenciar fundos de curto prazo e de longo prazo. No primeiro, o vencimento dos papéis é inferior a 365. No segundo, é superior a 365 dias.

Em ambos, o Imposto de Renda não é descontado apenas no momento do resgate, mas semestralmente. Essa cobrança é feita nos últimos dias úteis de maio e de novembro, com o recolhimento de cotas do fundo. Por esse motivo, esse desconto ganhou o nome de come-cotas.

Nos fundos de ações, isso não acontece: a alíquota é de 15% e ocorre somente no resgate.

Baixe planilha que irá te ajudar a analisar Fundos Imobiliários.

Estrutura dos fundos de investimento

Antes de investir,  é importante saber que faz o que em um fundo de investimentos.

  • Gestor:  é ele que vai escolher em que ativos investir o dinheiro dos cotistas, a quantidade e o preço a pagar por eles. Podem ser pessoas físicas ou jurídicas (assets), mas precisam de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
  • Administrador: pessoa jurídica autorizada pela CVM para definir as políticas de investimento e objetivos do fundo. Também é função do administrador realizar uma série de atividades como a distribuição de cotas, divulgação de informações  e relacionamento com os cotistas.
  • Custodiante: instituições financeiras responsáveis pela “guarda” dos ativos e por efetivar a compra e venda dos papéis.
  • Auditor: é quem vai auditar as demonstrações financeiras do fundo e conferir se tudo está funcionando dentro das regras
  • Distribuidor: são os distribuidores (bancos ou corretoras) quem vendem as cotas aos investidores

Custos envolvidos

Todos esses prestadores de serviços que você conheceu aí em cima são remunerados. Esse custo é pago pelo investidor, por meio de taxas. Na hora de investir, você precisa conhecê-las.

  • Taxa de Administração: Percentual pago pelos cotistas de um fundo para remunerar todos os prestadores de serviço. É uma taxa expressa ao ano calculada e deduzida diariamente. Dessa forma, afeta o valor da cota.
  • Taxa de Performance: Percentual cobrado do cotista quando a rentabilidade do fundo supera a de um indicador de referência. Ou seja, é uma taxa cobrada quando o fundo entrega uma rentabilidade superior a prometida. Para os fundos de renda fixa e multimercados o indicador geralmente é o CDI e para os fundos de ações o índice Bovespa. A metodologia utilizada para calcular a taxa de performance é chamada Linha d’água e é cobrada semestralmente.

Cabe frisar que a rentabilidade divulgada pelo fundo é sempre líquida de taxas.

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Vantagens e desvantagens

O fundo de investimentos podem trazer diversos benefícios ao investidor. Veja os principais:

  • Acessibilidade: Muitos investimentos com rentabilidade superior apenas estão disponíveis para investidores com alto potencial de aporte. Muitos fundos permitem aplicações mínimas que são acessíveis ao investidor que tem pouco para aplicar.
  • Gestão Profissional: Terceirizar a uma equipe especializada a gestão do capital. Ter os recursos investidos por profissionais com anos de experiência de mercado e conhecimento amplo sobre o assunto.
  • Diversificação: Os gestores conseguem reduzir os riscos alocando os recursos em diversos ativos. No caso de um Fundo de Ações, por exemplo, a carteira é composta por diversos papéis não correlacionados. Já no caso de Fundos de Crédito Privado a equipe de gestão seleciona empresas de setores distintos para mitigar o risco específico setorial
  • Liquidez: É muito comum utilizar os fundos como uma reserva de emergência, ou seja, um investimento semelhante à tradicional poupança onde você deixa os recursos com resgate imediato.
  • Transparência: Todos os fundos devem ter em seu regulamento a política de investimento, o grau de risco e a exposição da carteira em determinados ativos. Este documento é disponibilizado no site da CVM e pode ser consultado por qualquer investidor.

No entanto, é preciso também colocar na balança as desvantagens:

  • Perda da autonomia: Ao investir em fundo de investimentos, você não escolhe quais ativos serão comprados. Isso fica a cargo do Gestor do fundo.
  • Taxas: Dependendo do fundo, as taxas cobradas são muito altas, não compensando a aplicação.
  • Come-cotas: A antecipação do imposto gera perda de rentabilidade. Uma vez que foi descontado, o investidor não tem mais aquele valor rentabilizando.

Veja abaixo os principais tipos de fundo de investimentos.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Fundo de renda fixa

Como o próprio nome sugere, os fundos de renda fixa investem em ativos que possuem rentabilidade fixada na alocação.

No momento da aplicação, todos os parâmetros atrelados ao investimento são de conhecimento prévio do investidor, não havendo alterações posteriores. Depois de definir o indexador responsável por remunerar o papel, é possível estimar o valor a ser resgatado.

Por classificação os fundos de renda fixa direcionam, no mínimo, 80% dos seus investimentos em ativos de renda fixa prefixados ou pós-fixados.

A porção de 20% pode ser alocada em derivativos. Isso é feito para aumentar a sua rentabilidade, que costuma seguir o CDI.

Fundo multimercado

O fundo multimercado surgiu com a necessidade de investidores de confiarem seus recursos a um gestor, que poderia investir o seu capital em diferentes tipos de investimento como renda fixa, DI, crédito, ações, juros, moedas, no Brasil ou no exterior.

Nos últimos anos, essa modalidade se desenvolveu, com especialização em vários nichos. Hoje existem diversos tipos de fundo multimercado, desde os mais conservadores até os mais arrojados, e com estratégias diferentes.

Segundo a classificação da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) existem Fundos Multimercado do tipo Dinâmico; Estratégia Específica; Investimento no Exterior; Juros e Moeda; Long and Short Direcional; Long and Short Neutro; Livres; Macro e Trading.

Veja alguns exemplos:

Fundo MultimercadoAplicação MínimaTaxa Adm. a.a.Cota Resg.Rentabilidade (12M)
Trend Ouro Dólar FIMR$ 500,000,50%D+559,02%
Trend Ouro FIMR$ 500,000,50%D+535,52%
Giant Zarathustra FIC FIMR$ 10.000,000,95%D+3023,07%
Ibiuna Hedge STH FIC FIMR$ 5.000,001,96%D+3022,37%
Sharp Long Short 2X FIMR$ 50.000,001,94%D+9020,45%
Verde AM Scena Advisory FIC FIMR$ 50.000,001,50%D+302,74%

Fundo de Ações

Já os fundos de ações são aqueles investimentos que aplicam o capital dos cotistas em ações disponíveis no mercado. Costumam estar entre as opções mais arriscadas e também entre as mais rentáveis do mercado financeiro.

Esses fundos somente são indicados caso o seu perfil de investidor seja moderado ou agressivo, pois existe risco de grandes oscilações do seu capital. Momentos de estresse de mercado são imprevisíveis e normais, mesmo em ciclos econômicos de alta.

Veja alguns exemplos:

Fundo de AçõesAplicação MínimaTaxa Adm. a.a.Cota Resg.Rentabilidade (12M)
Dahlia Total Return FIC FIMR$ 1.000,001,85%D+3017,69%
Opportunity Long Biased FICR$ 5.000,002,00%D+1514,33%
HIX Capital FIAR$ 20.000,001,94%D+6021,89%
Constellation Institucional FIC FIAR$ 5.000,002,00%D+6012,34%

Atualizado em 30 de maio

Fundos Imobiliários

Em tempos de Selic baixa, os fundos imobiliários ganharam ainda mais relevância no mercado brasileiro. Isso porque, em sua maioria, são compostos de ativos reais e bons pagadores de dividendos.

No entanto, é preciso saber filtrar oportunidades para que se possa encontrar verdeiras barganhas. Na atual conjuntura, existem ótimos fundos com valor patrimonial superior ao  valor de mercado.

Como lucrar investindo em FII?

Existem duas formas de lucrar investindo em FIIs: por meio da valorização das cotas (que depende do efeito oferta x demanda) ou recebendo dividendos ( mensais e obrigatórios derivados dos aluguéis).

O lucro, ou o ganho de capital, sobre a valorização da cota, tem a incidência de imposto de renda (20%), enquanto os dividendos são isentos de impostos – ao menos por enquanto.

Os Fundos Imobiliários são obrigados por lei a distribuir rendimentos mensais aos cotistas – por isso são uma boa alternativa de renda recorrente para investidores. Além disso, possuem uma garantia real.

Aí está, por exemplo, uma das vantagem em relação aos investimentos em imóveis físicos: os rendimentos de aluguéis de FII são isentos de Imposto de Renda – diferente dos imóveis, cuja renda dos aluguéis precisa ser declarada ao Leão.

FIIInvestimento Fundo Imobiliário

Os FIIs oferecem ainda menor risco de liquidez. É mais fácil vender uma cota diretamente na bolsa de valores do que vender um apartamento ou sala comercial.

Existem Fundos Imobiliários de Papel e de Tijolos.

Os de Papel compram CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Eles nada mais são do que dívidas lastreadas em imóveis.

Os chamados fundos de Tijolo, como o nome sugere, compram imóveis físicos, podendo ser somente um ou múltiplos imóveis.

Aprenda como escolher

Antes de escolher um fundo, você precisa saber seu perfil de investidor e ter clareza de seus objetivos.

Mas como regra geral o investidor deve observar os seguintes fatores antes de realizar o investimento.

  • Classificação (tipo) e risco do fundo: Conheça os riscos associados à aquele tipo de investimento, para confirmar se você está disposto a corrê-lo.
  • Prazo de resgate (liquidez): Confira o seu nível de liquidez antes de realizar o aporte. Ou seja, verifique se o recurso estará disponível no momento de necessidade, ou se você realmente não necessitará dele.
  • Custos: leve em consideração os custos, como taxa de administração e perfomance. Pois, elas podem “comer” sua rentabilidade.
  • Histórico do fundo: Avalie como o fundo tem performado ao longo do tempo.
  • Prospecto e regulamento do fundo: Estes documentos trazem informações essenciais, como política investimento do fundo, prazo, gestão, entre outros.