Ambev (ABEV3): saiba mais sobre a maior cervejaria da América Latina

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Divulgação

A Ambev (ABEV3), maior cervejaria da América Latina, está presente em 19 países, sendo que em dez deles é líder de mercado.

Três de suas marcas – Skol, Brahma e Antarctica – estão entre as 25 mais valiosas do mercado de cerveja do mundo. É o que aponta a última pesquisa da consultoria internacional Brand Finance.

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Recentemente, a Ambev divulgou os números do quarto trimestre de 2020, com alta de 63,3% sobre o mesmo período de 2019.

Saiba mais sobre a história da Ambev, e entenda quais as expectativas do mercado em relação ao seu desempenho.

Origem da Ambev

A companhia nasceu em 1999 com a união entre as cervejarias Brahma e Antarctica. No entanto, a origem do negócio remonta aos anos 1880, quando ambas as companhias foram fundadas. Até a fusão, em 1999, as duas empresas eram independentes e dominaram o mercado por muitos anos.

A Ambev surgiu da união de três sócios: Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles. Posteriormente, a companhia viria a fazer parte da 3G capital, empresa de investimento global fundada em 2004.

Atualmente, a 3G Capital possui empresas dos setores de bebidas, alimentação, restaurantes, varejo e comércio eletrônico. Além da Ambev, alguns nomes conhecidos são Kraft Heinz, Burger King, Lojas Americanas e B2W.

Processos de fusões e aquisições

Em 2004, já com a 3G em operação, os empresários promoveram a internacionalização da Ambev fora da América Latina. Nesse sentido, a empresa se uniu à belga Interbrew, que era a quarta maior cervejaria do mundo.

Dessa forma, foi criada a maior cervejaria do planeta, que dominava 14% do mercado mundial na época. Os belgas adquiriram o controle da Braco, que era a controladora da Ambev.

Em 2008 outro grande negócio marca a história do grupo: a aquisição da multinacional americana Anheuser-Busch. O negócio, avaliado em US$ 52 bilhões, aumentou a diferença entre a companhia e a segunda colocada no ranking das cervejarias. Desse modo, a AB-InBev (novo nome da empresa após aquisição) passa a deter 26% do mercado global e três das cinco maiores marcas de cerveja.

A partir da aquisição da Anheuser-Busch, a empresa obteve participação de 50% na cervejaria mexicana Grupo Modelo. Em 2012 a AB Inbev adquiriu os restantes 50% da mexicana, o que aumentou a sua participação no mercado daquele país. Com isso, a AB Inbev expandiu as marcas do Grupo Modelo para todo o mundo, entre elas a cerveja Corona.

Em 2015, outra grande cervejaria passou a fazer parte do grupo: a sul-africana SABMiller. Segundo informações da época, a negociação foi de US$ 104 bilhões de dólares, outra grande aquisição histórica do conglomerado.

Em 2017, foi adquirida a Tenedora, que detinha quase todo o capital da Cervecería Nacional Dominicana. Nesse caso, o negócio foi de US$ 926,5 milhões, e deu à Ambev participação de 85% na Tenedora.

Investimentos da Ambev no Brasil

Nos últimos anos, foram realizados expressivos investimentos pela companhia no Brasil.

Um deles foi o Centro de Inovação e Tecnologia Cervejeira (CIT), inaugurado em agosto de 2018 no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse sentido, o CIT é o sexto centro do grupo AB Inbev no mundo, com cerca de 80 pessoas que têm como missão desenvolver novas ideias para o mercado cervejeiro brasileiro.

Em relação aos trabalhos, o CIT já lançou dois produtos: a Skol Hops e Skol Puro Malte. Conforme levantamento da companhia, em menos de um ano, o volume de vendas da Skol Hops já equivalia ao da Brahma Extra. Por sua vez, a Skol Puro Malte teria chegado para ser a primeira cerveja puro malte leve do mercado.

Outro investimento importante foi a Fazenda de Lúpulo Santa Catarina, localizada em Lages, na serra do estado. A inauguração foi no início de 2000, e já nos primeiros meses foi feita a primeira cerveja em escala industrial com lúpulo brasileiro.

Segundo a companhia, o objetivo é incentivar a produção de lúpulo nacional. Dessa forma, o mercado brasileiro poderá ficar menos dependente das importações.

Por fim, em setembro de 2020 foi inaugurada uma fábrica de latas com capacidade de produção de 1,5 bilhão de unidades por ano. A unidade fica em Sete Lagoas (Minas Gerais), e é a primeira fábrica de latas da Ambev.

Conforme a empresa, a produção visa atender a mudança do consumo ocasionada pela Covid. Ou seja, as pessoas deixaram de frequentar bares e passaram a consumir mais em casa, o que aumentou a demanda por latas.

Cenário atual e resultados

Atualmente, a companhia está presente em 19 países, sendo que só no Brasil detém mais de 30 cervejarias. Ao todo, são mais de 35 mil colaboradores e 30 marcas de cervejas.

Em relação à participação de mercado, a Ambev ainda é líder absoluta. No entanto, seu share vem reduzindo ano a ano, influenciado pelo aumento da participação das cervejas artesanais no mercado.

No quarto trimestre de 2020, o volume de vendas consolidado aumentou 7,6% em relação ao mesmo período de 2019. Porém, se considerarmos apenas cervejas, somente no Brasil o crescimento foi de mais de 20%.

Já no acumulado do ano, a receita líquida foi de R$ 58,3 bilhões, o que representa crescimento de 12,3% em relação ao exercício de 2019. Por outro lado, o aumento do CPV na ordem de 25% fez com que as margens bruta e operacional se mantivesse, praticamente, nos mesmos patamares do ano passado.

Em relação ao CPV, o aumento deve-se, principalmente, à menor oferta de alguns insumos e, também, ao aumento do alumínio e do dólar no período.

Ainda sobre os números de 2020, o relatório da companhia chama atenção para o impacto positivo no caixa do recebimento de R$ 4,3 bilhões de créditos tributários. Desse valor, R$ 2,5 bilhões foram contabilizados como outras receitas operacionais e R$ 1,8 bilhões como receitas financeiras.

Como o mercado vê a Ambev hoje

Em entrevista ao Valor Investe no final de fevereiro,  o presidente da companhia, Jean Jereissati, admitiu que o cenário para 2021 permanece desafiador. No entanto, afirma que a Ambev está mais preparada para lidar com a crise do que no ano passado.

Na sua opinião, os custos de produção (CPV), que apresentaram significativo aumento no ano passado, ainda devem continuar subindo.  Isso porque quase metade desse custo é dolarizado, e a expectativa é de que o câmbio continue volátil nesse ano.

Além disso, a cada ano a Ambev vem perdendo participação de mercado. Nesse sentido, em 2017 a companhia tinha mais de 67% de market share. Já em 2019 passou a deter 59% do mercado. Como vimos, o mercado de cerveja artesanal tem grande influência na perda do share da empresa.

Esses fatores contribuem para a incerteza dos investidores em relação ao futuro da companhia. Apesar de apresentar lucro e manter a liderança, variáveis como o dólar e a mudança do padrão de consumo ainda não são totalmente dimensionadas pelo mercado.

BTG vê resultado ainda fraco

Para os analistas do BTG Pactual (BPAC11), o resultado da Ambev (ABEV3) veio um pouco melhor, mas ainda fraco. “Ficamos particularmente impressionados com a extensão do desempenho do volume no início do ano de 2021, mas ainda acreditamos que essas tendências irão enfraquecer à medida que sentimos que os volumes da indústria e parte do ganho de participação de mercado recuarão em meio à menor receita disponível no ano”. Diante desse cenário, o BTG Pactual reitera posição neutra como preço-alvo em R$ 15.

 

 

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