Subida da Selic: como investir diante do novo cenário

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Freepik/Divulgação

Como aguardado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu início, hoje (17), à retirada dos estímulos monetários da economia, com uma elevação de 0,75 ponto porcentual nos juros.

Assim, a Selic, taxa básica de juros, sofreu sua primeira alta em seis anos, depois de sete meses mantida em 2% – seu piso histórico – atingindo 2,75% ao ano.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Para até o final do ano, no entanto, as apostas são de subida ainda mais acentuada: ultrapassam os 4% e chegam a até 6%.

Para o BTG Pactual (BPAC11), a Selic chega a 4,25% até dezembro. Para o sócio e assessor daEQI Investimentos Paulo Filipe de Souza, ela deve ficar entre 4% e 4,5%. O Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as estimativas de diversas instituições financeiras, também prevê Selic a 4,5%.

Já o Banco Fibra e a Gestora Garde são dois a verem Selic a 6% até dezembro.

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo

Selic

Reprodução/BTG

Como ficam os investimentos com a escalada da Selic?

Com a Selic ainda na casa dos 2%-3%, quem busca rentabilidade ainda deve focar na renda variável.

A renda fixa segue sendo indicada para a reserva de emergência e para o investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno.

Mas, se só o fato de pensar em ações já tira o seu sono, saiba que é possível ser conservador até mesmo na renda variável.

Para os mais conservadores, que não possuem familiaridade com a bolsa, há as opções dos fundos de ações, os fundos atrelados a índices (ETFs) e os fundos imobiliários.

Renda fixa de volta ao radar

Entretanto, com projeção de alta da Selic de 4% a 6% até dezembro, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa. E ele deve ficar de olho em dois aspectos: os papéis atrelados à Selic ganham destaque, mas também os ligados ao IPCA, indicador oficial de inflação.

“O investidor deve observar que a inflação segue preocupante. E que os investimentos atrelados à Selic começam a ficar mais interessantes a partir daqui”, diz Souza, da EQI.

Ele explica que a rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo). Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

“Minha sugestão é alocar parte dos recursos em títulos pré-fixados atrelados à taxa, mas também nos indexados ao IPCA, para se precaver de eventuais aumentos de preços”, complementa.

Vale lembrar, no entanto, que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. Os papéis do Tesouro Direto e o CDI voltam a ser atrativos, sim, mas é preciso “distribuir os ovos em mais cestas” como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.

Como a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.

A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.