Private Equity: entenda como funciona esse investimento em empresas

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Quando se fala em investimentos em empresas, naturalmente pensamos em ações, debêntures ou outros títulos de renda variável. No entanto, existe um tipo de investimento que aporta recursos em companhias que ainda não estrearam na bolsa: o private equity.

Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) em parceria com a KPMG mostra o crescimento desse mercado no Brasil. Segundo o relatório, no primeiro trimestre de 2021, os investimentos em private equity e venture capital (também veremos esse conceito a seguir) alcançaram R$ 10,7 bilhões. Isso significa uma alta de 88% em relação ao mesmo período do ano passado.

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A pesquisa aponta ainda que o investimento médio por empresa também cresceu em 2021. Nesse sentido, a média recebida pelas investidas passou de R$ 183 milhões para R$ 277 milhões. Em 2021, os segmentos preferidos pelos investidores são TI, serviços financeiros, comunicação, estética/saúde e varejo/shoppings.

Normalmente, o investimento em private equity é procurado por quem deseja alto potencial de retorno no longo prazo. Continue a leitura e entenda como funcionam os fundos de investimento em empresas.

Como funciona o Private Equity

Basicamente, um private equity tem como objetivo aportar recursos financeiros em empresas com bom potencial de crescimento a médio e longo prazo. Nesse sentido, o capital pode vir tanto de investidores individuais quanto de empresas, instituições financeiras ou fundos de investimentos. Os recursos captados via private equity dão suporte para o crescimento das empresas ou, em determinados casos, para a sua reestruturação.

Além do suporte financeiro, a estrutura de um private equity, na maioria dos casos, determina que os investidores participem da gestão da investida. Isso porque a expertise de quem aporta recursos também é importante para as empresas que recebem o investimento. Além disso, os investidores apostam no potencial de valorização do negócio com o tempo. Portanto, nada mais justo do que participarem das decisões e acompanharem de perto a evolução da investida.

Normalmente, as empresas que recebem investimentos de private equity acabam abrindo capital com o tempo. Nesse momento, os investidores podem tanto continuar na companhia quanto vender a sua participação no mercado, realizando o lucro do investimento.

Private Equity e Venture Capital

O private equity é voltado a empresas de médio e grande porte. Isso significa que, para receberem esses recursos, as companhias já devem ter um bom grau de profissionalização e reconhecimento no mercado.

No entanto, há também uma modalidade de investimento para empresas em estágio inicial de desenvolvimento: o venture capital. Também chamada de capital de risco, normalmente essa modalidade aporta recursos em startups, que estão ou em início de atividade ou desenvolvendo algum novo projeto.

Além da maturidade da empresa, outra diferença entre private equity e venture capital diz respeito aos setores de atuação. Nesse sentido, o private equity não tem nenhum segmento determinado para investir. Por outro lado, tem foco na nova economia, como empresas de TI ou fintechs, por exemplo.

Vantagens para as empresas

A primeira grande vantagem desse investimento para as empresas é, logicamente, a injeção de recursos financeiros. Com mais dinheiro em caixa, a companhia melhora o perfil de sua dívida, pois passa a depender menos de instituições financeiras. Além disso, se a empresa estiver reestruturando o negócio, é o momento de mostrar ao mercado a capacidade de colocar as contas em dia.

Além disso, a estrutura de private equity, como vimos, pode incluir a gestão dos investidores. Isso contribui para a profissionalização da companhia, pois agrega o conhecimento dos investidores. A melhora da governança também faz com que a empresa ganhe mais confiança do mercado, o que se reflete na valorização de seus ativos e na atração de mais investidores.

Por fim, todos os fatores anteriores lançam a empresa a um novo patamar de imagem e solidez frente ao mercado. Tudo isso contribui para a sustentabilidade do negócio no futuro.

Vale a pena investir em Private Equity e Venture Capital?

Antes de mais nada, é importante ter claro que tanto o private equity quanto o venture capital estão diretamente ligados à estratégia da investida. Isso significa que, em ambos os casos, o horizonte do investimento deve ser de longo prazo.

Logicamente, para receber esses investimentos, as empresas deverão ter bons planos de negócios e perspectivas favoráveis de mercado. No entanto, mesmo com uma boa estratégia, podem ocorrer adversidades no caminho. Logo, isso faz com que esses investimentos sejam sempre de alto risco.

Como investir?

É possível investir diretamente nas empresas ou fazer isso por meio de fundos, como os FIPs (fundos de investimentos em participações).

Da mesma forma que outros fundos de investimento, os FIPs funcionam sob a forma de cotas. No entanto, eles investem em companhias fechadas ou sociedades limitadas, e são negociados na bolsa. Diferentemente da maioria dos fundos de investimentos.

Em relação ao público, os FIPs se destinam a investidores qualificados. Além disso, vale ressaltar que são fundos fechados, ou seja, a venda de cotas ocorre comente uma vez. Caso o investidor deseje negociar suas cotas depois do IPO, deverá fazer isso no mercado secundário, diretamente com outros investidores.

Quanto à tributação, os FIPs não possuem a incidência do come-cotas. O IR é de 15%, cobrado sobre os rendimentos ou sobre o lucro na venda das cotas. Porém, FIPs que investem em infraestrutura, inovação, pesquisa e desenvolvimento são isentos do imposto. Dessa forma, não há cobrança de IR nem nos dividendos e nem no lucro com a venda das cotas.

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