Previdência privada: quando começar a investir e qual escolher?

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Foto: Pxhere/ Creative Commons

Muitos querem ter uma aposentadoria tranquila, mas ainda são poucos os que se programam para isso. Segundo levantamento realizado no início de 2020 pela Universidade de Oxford, mais de 53,9% dos brasileiros não têm nenhum tipo de proteção de renda, seja previdência privada ou seguro de vida.

Além disso, uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), também de 2020, mostrou que, em uma situação de dificuldade, como perda de emprego, 20% dos brasileiros não conseguiriam se manter financeiramente nem por um mês. E outros 37% não se sustentariam por um período superior a três meses.

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Isso nos mostra que o brasileiro ainda tem um comportamento imediatista e pouco poupador. No entanto, existem opções de produtos que podem garantir maior segurança financeira e possuem um preço baixo, como o seguro de vida e a previdência privada.

Esse segundo é um dos investimentos mais procurados, depois da poupança. Mesmo assim, muita gente contrata esse serviço do banco sem ter muito conhecimento sobre ele. Por isso, se você está pensando em fazer uma previdência, não deixe de ler esse artigo até o final.

O que é a previdência privada?

A previdência, como sabemos, nada mais é do que a aposentadoria. No Brasil, temos a previdência social, que é a aposentadoria dada pelo Estado, baseada no pagamento de impostos ao longo da sua vida de trabalho registrado em carteira. Também temos a previdência privada, onde você mesmo planeja o financiamento da sua aposentadoria.

De acordo com Márcia Silva, gerente de investimentos na Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, a previdência “ajuda na recomposição da renda após a aposentadoria, além de ser um investimento que pode gerar ganhos nos próximos anos”, explica.

Para isso, você assume um contrato de previdência privada e faz aplicações mensais. A rentabilidade é pré-fixada e por isso você pode ter uma noção bastante concreta do quanto resgatará no futuro.

Em termos de perfil de risco, há fundos para o investidor conservador, moderado e arrojado. Nas plataformas, é comum que seja sinalizado para qual perfil de risco o fundo é indicado. 

Esses planos podem ser individuais e adquiridos diretamente pelo investidor, ou empresariais, disponibilizados por empresas a funcionários. E tem outro detalhe importante: uma vez escolhido o tipo do plano, não é possível trocar depois. Por isso, é preciso se atentar os tipos de planos oferecidos pelo mercado e escolher o melhor para você.

Vantagens de escolher esse investimento para aposentaria

Segundo Tatiane Porto, head de previdência da Órama Investimentos, na previdência privada, o cliente possui mais incentivos fiscais para poupar a longo prazo e os valores para aplicações tendem a ser mais acessíveis do que em outros produtos.

É possível programar contribuições mensais via débito automático, ferramenta que ajuda muito na consistência dessa poupança.

Além disso, uma das melhores características do produto é a possibilidade de portar a reserva para trocar de instituição e fundos caso o investidor não esteja satisfeito. Para isso, deve escolher outro fundo que tenha a mesma característica tributária. Se investir em um PGBL, por exemplo, deve escolher outro fundo deste tipo.

“Assim, o cliente ganha um ótimo aliado para realocar o nível de risco da carteira ao longo dos anos. No entanto, é muito importante planejar bem o investimento. As escolhas de tipo de plano, fundos, tabela de tributação, etc. Tudo isso deve ser escolhido de acordo com as características do cliente para que ele não tenha prejuízo financeiro”, recomenda a especialista.

Tipos de fundos de previdência privada

A previdência privada se divide em dois segmentos de fundos: fechado e aberto. O primeiro é composto por planos de benefícios administrados por Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC). E o segundo é administrado por Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC).

As EFPCs, conhecidas como Fundos de Pensão, são mantidas pelas contribuições do empregador e do empregado para, no futuro, serem revertidas em forma de renda no momento da aposentadoria.

Além do complemento à aposentadoria, elas podem garantir também proteção contra eventos não programados, como morte, invalidez, entre outros. Tudo a depender do regulamento do plano, é claro.

“Quando os fundos são oferecidos por associações ou entidades de classe, o processo é igual, mas as contribuições serão feitas apenas pelos associados. Caso o trabalhador saia da empresa, ele pode optar por solicitar o resgate da reserva, solicitar portabilidade, parar com as contribuições e permanecer com as suas reservas aplicadas até o momento da aposentadoria, ou permanecer no plano, assumindo as contribuições que antes eram feitas pela empresa. Para cada uma dessas opções, será necessário verificar quais regras estão estabelecidas no regulamento do plano em questão”, explica a especialista.

Já as EAPCs são oferecidas pelas seguradoras ou entidades abertas de previdência para complementar os benefícios concedidos pelo regime geral de previdência social. E ao contrário do Fundo de Pensão, elas possuem fins lucrativos e os seus planos são acessíveis a qualquer pessoa física.

Depois de selecionar os fundos, o investidor deve se atentar ao seu perfil fiscal. Ele pode escolher entre PGBL e VGBL e entre as Tabelas Progressiva e Regressiva.

Planos PGBL e VGBL

Os principais tipos de planos comercializados atualmente são: PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). Eles aplicam em fundos de investimentos que serão escolhidos pelo investidor no momento da contratação.

O PGBL é indicado para quem faz a declaração do Imposto de Renda pelo formulário completo e contribui para a Previdência Social. Com ele, é possível deduzir da base de cálculo do IR as contribuições feitas ao plano de previdência complementar até o limite de 12% da renda bruta anual.

Já no VGBL, não há dedução na declaração do Imposto Anual. Por isso, ele é destinado para aqueles que utilizam o formulário simplificado do IR ou não têm renda a declarar.

Em relação ao tipo de tributação, há o plano regressivo ou progressivo. “No regressivo, as alíquotas cobradas começam em 35% e vão caindo ao longo do tempo, chegando a menor alíquota de 10%. No progressivo, em caso de resgate, é cobrado imposto de renda antecipado na fonte com alíquota fixa de 15%. A diferença (12,5%) será ajustada na declaração anual do ano seguinte. É vantajoso para investimentos de longo prazo”, explica Márcia Silva.

Como escolher uma previdência privada?

Além de se atentar aos tipos de planos e fundos, outra dica importante na hora de escolher a sua previdência privada é ficar de olho no indexador.

“Você receberá o valor aplicado acrescido na rentabilidade de acordo com o mercado e com o índice escolhido na contratação do plano, que pode ser, por exemplo, o IPCA, CDI, SELIC ou IBOV. O indexador e a frequência dos aumentos devem constar no regulamento e na cláusula de atualização monetária”, comenta a gerente da Sicredi.

Além disso, cada fundo possui um benchmark, um parâmetro usado como referência de performance, como se fosse uma proposta de retorno ou meta que o fundo deve bater. O investidor deve se atentar em como está o desempenho do fundo em relação a esse parâmetro, recomenda Tatiana.

Lembre-se: quanto maior o risco, maior deve ser a possibilidade de retorno. Então, a possibilidade de retorno vai depender do perfil de risco do investidor. “Não seria justo comparar um IBOV com CDI, pois são propostas diferentes”, comenta a head de previdência da Órama.

Pontos a serem analisados na hora de escolher a sua previdência:

  1. Verificar qual é a seguradora responsável pelo produto. É importante escolher uma entidade sólida e de confiança;
  2. Escolher o fundo de investimento que esteja de acordo com o seu perfil de risco e objetivos;
  3. Analisar quais são as taxas cobradas no produto;
  4. Verificar quais são as carências do plano;
  5. Escolher o tipo de plano (PGBL ou VGBL);
  6. Escolher a tabela de tributação (Progressiva ou Regressiva);
  7. Escolher a forma de pagamento e periodicidade das contribuições;
  8. Definir a idade de aposentadoria;
  9. Definir os beneficiários;

Quando começar a investir?

Começar a investir cedo em previdência é um passo importante, recomenda Marcia Silva. “Não existe idade certa para começar. Quanto antes comprometer um valor da renda mensal com as parcelas da previdência, melhores são os ganhos”, enfatiza.

Confira alguns exemplos se considerarmos uma aplicação mensal de R$ 300 com média de rentabilidade de 5% ao ano e saída aos 65 anos:

Idade de início do planejamento: 18 anos
Tempo de contribuição: 47 anos
Valor na saída aos 65 anos: R$ 655.795,38

Idade de início do planejamento: 25 anos
Tempo de contribuição: 40 anos
Valor de saída aos 65 anos: R$ 444.757,41

Idade de início do planejamento: 30 anos
Tempo de contribuição: 35 anos
Valor de saída aos 65 anos: R$ 332.538,91

Idade de início do planejamento: 35 anos
Tempo de contribuição: 30 anos
Valor de saída aos 65 anos: R$ 244.612,78

Idade de início do planejamento: 40 anos
Tempo de contribuição: 25 anos
Valor de saída aos 65 anos: R$ 175.720,36

Viu como a idade em que você inicia o seu investimento para a aposentadoria faz diferença? Isso vale não só para a previdência privada, mas para qualquer tipo de investimento. Quanto mais tempo você tem, maiores são as suas chances de obter retornos significativos.

Lembrando que a média de rentabilidade pode variar para mais ou para menos de acordo com a gestão da carteira. A troca de indexadores é imprescindível para que o planejamento esteja de acordo com as necessidades futuras.

Com os juros baixos, vale a pena investir na previdência?

Segundo a head de previdência da Órama, tendo em vista que a previdência privada é um investimento de longo prazo e respeitando a orientação de sempre se ter uma carteira de investimentos diversificada, ela continua atrativa, mesmo com os juros baixos.

“O produto passou por muitas mudanças nos últimos anos, que foram bem positivas. Atualmente a previdência possui outra pegada, muito mais flexível e dinâmica em termos de alocação de ativos. Também tivemos uma grande entrada de gestoras independentes no mercado. Tudo isso colaborou para um portfólio mais amplo e diverso, que oferece boas oportunidades para os investidores mesmo com a redução da taxa básica de juros”, explica.

O ideal, nesse cenário, é que o investidor diversifique sua carteira com outros ativos para não depender apenas de um retorno CDI. Lembre-se: a previdência é um investimento de longo prazo.

“Um outro ponto importante é o investidor manter ao menos o poder de compra, ou seja, a sua reserva precisa ao menos ser atualizada pela inflação”, complementa Tatiana.

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