Paul Krugman: o keynesiano ganhador do Nobel de Economia de 2008

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

A década de 1990 e meados dos anos 2000 foram marcados por ideias predominantemente liberais no meio econômico. Nesse sentido, em 2008 o Prêmio Nobel de Economia inovou ao ir para o keynesiano Paul Krugman.

A Academia Sueca premiou a habilidade de Krugman em explicar os efeitos da globalização e do livre comércio. Além disso, o economista foi reconhecido também pela sua contribuição à Economia Geográfica, que analisava o aumento da população nas grandes cidades em detrimento do êxodo das zonas rurais.

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Mas essa não foi a primeira premiação do economista. Em 1991, Paul Krugman havia recebido a Medalha John Bates Clark, premiação concedida pela American Economic Association a economistas que se destacam antes dos 40 anos de idade. Depois disso, foi a vez do prêmio Príncipe de Asturias de Ciências Sociais, em 2004.

Crítico ferrenho da política republicana de George W. Bush, Paul Krugman lançou um novo olhar sobre o comércio internacional. Nesse sentido, suas ideias contrariavam duramente o padrão dos economistas neoliberais da época e as suas crenças nos “mercados estáveis”.

A seguir, saiba mais sobre a trajetória e contribuições de Paul Krugman para a economia mundial.

Paul Krugman – origem, formação e carreira

Paul Krugman nasceu em 1953 em Nova York. Conforme descrito na introdução de seu livro “A Consciência de um Liberal”, de 2007, criou-se em uma zona de subúrbio e, desde cedo, comprometeu-se com as causas sociais do momento.

Nas palavras do próprio Paul Krugman no livro, “pertenço à classe média norte-americana, uma espécie em desaparecimento”.

Estudou na Universidade de Yale, sendo que, aos 24 anos, já era doutor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Com o doutorado, passou a lecionar em Yale, no MIT e na Universidade de Stanford. Anos depois, em 2000, ingressou na Universidade de Princeton, como professor de Economia e Assuntos Internacionais.

O Nobel de Economia chegou a trabalhar na Casa Branca, entre 1982 e 1983. Na ocasião, integrou o Conselho de Economistas do governo de Ronald Reagan.

Mas foi alguns anos antes que o jovem economista começaria a desenhar as bases da teoria que revolucionou o entendimento da especialização comercial dos países desenvolvidos. Em 1979, aos 25 anos, Paul Krugman publicou um artigo chamado “retornos incrementais, competência monopolística e comercio internacional”. Em apenas 10 páginas, teve origem o que se chamou, anos depois, de “Nova Teoria do Comércio Internacional”, a qual veremos a seguir.

A Nova Teoria do Comércio Internacional

Antes de Paul Krugman, a ideia predominante entre os economistas era de que o comércio internacional se baseava no capital, mão de obra e diferenças de acesso à tecnologia. Segundo essa teoria tradicional, esses seriam os motivos pelos quais alguns países exportam commodities, e outros, produtos mais sofisticados.

No entanto, alguns países conseguiam importar e exportar o mesmo produto. Dessa forma, era um contrassenso pensar que os três motivos acima explicam o funcionamento do comércio internacional.

Por isso, Paul Krugman defendeu que uma das coisas que proporcionavam vantagens de um país sobre outro era o tamanho do mercado. Nesse sentido, incorpora ao seu estudo três variáveis: competição imperfeita, economia de escala e diferenciação de produtos.

Para entender melhor

Até então, o comércio internacional se explicava pelo conceito de vantagens comparativas. Ou seja, cada país exporta aquilo que, comparativamente, faz melhor do que os outros, e importa o que não faz tão bem assim.

Porém, em determinado momento, percebe-se os países desenvolvidos estão comercializando entre si o mesmo tipo de produto. Por exemplo, EUA e União Europeia comercializam entre si automóveis e outros bens sofisticados.

E como se explica esse comércio? Segundo Paul Krugman, já não é pelas vantagens comparativas, mas sim pelas economias de escala. Conforme aumenta o tamanho do mercado mundial, as empresas conseguem ampliar escalas. Dessa forma, reduzem custos e conquistam mercados de forma mais competitivas.

A globalização

Outro ponto importante levantado por Paul Krugman foram os efeitos da globalização na economia. Isso porque, com a abertura do comércio internacional no século XX, muitos países estabeleciam preços menores para as suas exportações. Dessa forma, os exportadores conseguiam vantagens em relação aos países que compravam seus produtos. Ao fazer isso, estabelecia-se uma concorrência desleal, chamada dumping. Ao apontar para essa prática, Paul Krugman mudou as bases tradicionais de estudo do comércio mundial.

A Geografia Econômica

Da mesma forma, Paul Krugman também questionava por que as forças de trabalho e de capital se encontram em determinados lugares, e não em outros. Essa foi mais umas das suas contribuições destacadas pela academia sueca. Nesse sentido, o economista explica a dinâmica dos processos de desenvolvimento e de concentração da atividade econômica. Ao fazer isso, mostra o rápido crescimento das megalópoles, rodeadas de zonas rurais cada vez mais despovoadas.

O legado de Paul Krugman

Além de produzir a teoria que revolucionou o estudo do comércio internacional, Paul Krugman teve o mérito de explicá-la de forma muito acessível.

Para explicar os problemas econômicos, Krugman tinha uma grande habilidade para desenvolver modelos matemáticos. No entanto, sua forma de comunicação (direta e cheia de exemplos), fazia com que todos conseguissem entendê-lo.

Por isso, a sua capacidade pedagógica era muito apreciada pelos alunos. Ele comentava e revisava teorias de outros economistas. Além disso, simplificava-as para que se fizesse entender, tanto em sala de aula quanto para o público em geral.

Em relação a sua nova teoria, Paul Krugman também defendia uma certa intervenção do estado no sentido de construir uma base industrial. Ou seja, medidas protecionistas por parte do governo poderiam ajudar industrias em desenvolvimento.

Na verdade, a Nova Teoria do Comércio Internacional é uma coleção de modelos econômicos. Nesse sentido, Paul Krugman teve o apoio de alguns outros economistas, como Masahisa Fujita, professor da Universidade de Quioto que também estudava Geografia Econômica.

O próprio Fujita destaca que nem tudo o que Paul Krugman trouxe era novo. No entanto, ele teve o mérito de mostrar a relação entre as disparidades regionais e o comércio internacional, um dos principais pilares de sua teoria.

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