Open Banking: 2ª fase começa nesta sexta-feira; saiba o que muda

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pixabay

A exemplo do que já acontece em outros países, a tecnologia do Open Banking promete revolucionar o mercado financeiro brasileiro e facilitar a vida da população. A segunda fase da tecnologia começou nesta sexta-feira, 13 de agosto.

A primeira fase do projeto foi implantada em fevereiro deste ano. Nesse momento, as instituições financeiras compartilharão entre si informações sobre produtos, canais de atendimento e taxas praticadas. Ao serem comparados esses itens, será possível desenvolver soluções que aumentem a competitividade dos serviços financeiros.

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A seguir, entenda com detalhes o Open Banking, e saiba o que mudará na vida do sistema financeiro do país.

O que é o Open Banking?

O Open Banking é um conjunto de processos que permitirá o compartilhamento de informações de clientes entre as instituições financeiras. Atualmente, quem tem a posse dos dados dos clientes são os bancos. No entanto, o projeto parte da premissa de que o cliente é o verdadeiro dono das informações a seu respeito, e tem o direito de compartilhá-las com quem desejar.

Ao compartilhar os seus dados, o usuário tem a chance de melhorar a sua experiência. Isso porque passa a ter acesso a novos produtos e serviços, custos mais acessíveis e mais transparência nas informações financeiras.

Para que possam compartilhar informações entre si, as instituições financeiras precisam ter sistemas de tecnologia integrados. Porém, antes de qualquer compartilhamento, é necessária autorização do cliente, que manifestará isso conforme o seu interesse. Da mesma forma, o cliente poderá cancelar a autorização concedida a qualquer momento.

Todo esse fluxo de informações transitará em um ambiente seguro, do mesmo modo que ocorrem as transações financeiras online.

Exemplos práticos dessa tecnologia na vida das pessoas

Digamos que você tenha um histórico de anos com uma instituição financeira. Nesse sentido, você concentra todo o seu fluxo financeiro (salário, pagamentos e investimentos, por exemplo) em um único banco, e tem um bom histórico como cliente.

No entanto, você necessita de uma linha de crédito, e o seu banco não lhe oferece a melhor taxa do mercado. Com o Open Banking, você poderá “carregar” o seu histórico positivo para outra instituição financeira, sem precisar começar um relacionamento do zero.

Além de favorecer o cliente em termos de taxas de crédito e de investimentos, o Open Banking permitirá que sejam criados novos produtos. Isso porque, ao compartilharem informações, as instituições financeiras estarão mais alinhadas com as reais necessidades das pessoas.

Todas as instituições participarão do Open Banking?

De acordo com o Banco Central, somente as instituições autorizadas pela autarquia a funcionar poderão participar do ecossistema Open Banking.

No entanto, entre essas instituições, a lei prevê participantes obrigatórios e voluntários. Isso dependerá do porte da instituição e do tipo de dado ou serviço que ela está compartilhando. As maiores instituições financeiras do mercado, por exemplo, estão obrigadas a compartilhar dados via Open Banking.

Para conhecer todos os integrantes do ecossistema, basta consultar o portal da Estrutura de Governança do Open Banking Brasil. Essa estrutura foi criada pelo Banco Central, e reúne as entidades mais representativas que compartilharão dados e serviços. Entre elas, estão os bancos, financeiras, cooperativas de crédito e instituições de pagamento.

Benefícios do Open Banking

Como vimos, o Open Banking permite que o cliente disponha de suas informações cadastrais e financeiras da forma que desejar. Basicamente, isso lhe trará benefícios nos seguintes aspectos:

Aumento da concorrência

O compartilhamento de dados permitirá às instituições financeiras ofertarem produtos aos clientes de seus concorrentes. E quem ganha com isso é o consumidor, uma vez que terá acesso a condições mais vantajosas de negócios.

Serviços financeiros personalizados

Nesse sentido, há uma diversidade de serviços financeiros que podem ser usufruídos pelos clientes. Além de empréstimos e investimentos com taxas mais atrativas, há também os aplicativos de gerenciamento de gastos, por exemplo. Caso o cliente utilize algum desses aplicativos, poderá autorizar que ele se conecte ao sistema dos bancos. Dessa forma, as suas informações financeiras serão alimentadas e atualizadas automaticamente.

Facilidade para o gerenciamento do fluxo de caixa

Há clientes que, devido às suas atividades comerciais, precisam ter contas em várias instituições financeiras. Nesse sentido, o compartilhamento de dados facilitará o controle financeiro, pois unificará o fluxo de informações. Isso vale tanto para empresas quanto pessoas físicas, pois tornará mais ágeis e seguras as transações entre diferentes instituições financeiras.

Exemplo dessa tecnologia em outros países

O primeiro local a adotar um sistema semelhante foi o Reino Unido, em 2018. Na ocasião, os britânicos tiveram contato com as primeiras Interfaces de Programação de Aplicativos (APIs, na sigla em ingês). Essas APIs permitiram que as empresas pudessem ter acesso aos dados dos clientes de parceiros e concorrentes.

De lá para cá, o número de usuários desse sistema vem crescendo a cada ano. Em 2019, mais de um milhão de pessoas já haviam aderido às APIs, sendo que, no ano passado, o total de usuários chegou a 2,8 milhões. Isso significa que 5,3% de toda a população do Reino Unido utiliza o sistema.

Até fevereiro de 2021, já havia mais de 300 instituições financeiras autorizadas a compartilhar dados. Esse é o maior número entre todos os países da Europa.

Por ter sido o precursor dessa tecnologia na Europa, o Reino Unido serviu de modelo também para outras partes do mundo. Nesse sentido, Austrália, Hong Kong e Brasil foram alguns dos países que seguiram o mesmo modelo regulatório.

Fases de implantação do Open Banking

A implantação do Open Banking ocorrerá em quatro fases. A primeira, realizada em fevereiro, não contou com a participação dos clientes. Isso porque o objetivo era fazer com que as instituições financeiras divulgassem produtos e serviços. Dessa forma, eles poderiam ser consultados e comparados

Já na segunda fase os clientes poderão autorizar o compartilhamento de seus dados. Ao fazerem isso, ficarão disponíveis para as instituições integrantes do ecossistema Open Banking.

Na terceira fase, prevista para 30 de agosto de 2021, iniciam as transações de pagamento (inclusive por WhatsApp). Aqui acontecerá também o compartilhamento do histórico de crédito dos clientes.

Por fim, na quarta fase, prevista para 15 de dezembro de 2021, o compartilhamento alcançará todos os outros serviços. Dessa forma, finaliza-se a consolidação do sistema.

Nova fase do Open Banking: o Open Finance

Para Guilherme Assis, CEO da fintech Gorila, a nova fase do Open Banking – o Open Finance – deverá impactar profundamente os investimentos.

De acordo com o executivo, em pouco tempo, as próximas etapas da tecnologia devem revolucionar e democratizar o mundo dos investimentos, tal como as fintechs e as plataformas de investimento. Isso porque uma das principais mudanças da quarta fase de implementação é o compartilhamento de dados em setores que vão além dos bancários, como investimentos, seguros e previdência.

Por isso, o Banco Central estuda mudar o nome do sistema para Open Finance. Nesse sentido, segundo Guilherme, a ideia é que o compartilhamento de dados derrube barreiras e permita uma integração muito ampla.

Para Guilherme, o Open Finance permitirá que o mercado crie soluções que facilitam a vida dos investidores. Por exemplo: será possível integrar das carteiras de investimentos automaticamente com aplicativos consolidadores. Dessa forma, o investidor poderá monitorar facilmente a rentabilidade, cotações, preços e eventos de todas as aplicações. Assim, ele terá um acompanhamento mais detalhado sobre o desempenho de sua carteira.

Para a fintech, explica o executivo, um dos reflexos imediatos será em relação aos clientes de grandes corretoras. Com o Open Finance, o cliente decidirá com quem compartilhar seus dados. Dessa forma, poderá se beneficiar de uma infinidade de novos serviços oferecidos por outras empresas. Para isso, não haverá qualquer restrição em fornecer dados por parte das corretoras.

Mais liberdade

Guilherme Assis avalia que, com o Open Finance, o investidor não “pertence” mais à instituição “A” ou “B”. Em vez disso, ele passa a ser “do mercado” e de quem ele opta por ter relacionamento. Nesse sentido, essa liberdade deverá se refletir, inclusive, nas taxas e custos.

Com mais acesso às informações, os players poderão abordar os investidores de forma mais eficiente. Dessa forma, haverá mais proatividade das instituições em promover produtos mais diversificados, pensado em diferentes perfis. Isso significa ofertar serviços com mais assertividade, para que os investidores possam migrar de uma plataforma para outra de maneira fácil e inteligente.

“É um grande passo para um mercado que tem crescido exponencialmente no Brasil e contemplará toda a cadeia do mercado financeiro.  Nesse sentido, o que veremos será um cenário de competitividade de valores e um preço melhor para o investidor”, explica Assis.

O Gorila é uma das empresas que trabalha segundo a lógica do Open Finance. Isso porque a fintech cria soluções que permitem aos investidores uma visão completa da carteira de maneira simples e rápida.

Atualmente, com 350 mil usuários e mais de R$ 30 bilhões em ativos monitorados, o Gorila é uma das primeiras plataformas brasileiras a consolidar e controlar investimentos em um só ambiente. Seus três produtos, Gorila (B2C), GorilaPRO (B2B) e GorilaNET (instituições financeiras e Fintechs) proporcionam benefícios a investidores, assessores, consultores, bancos e corretoras.

(Por Carla Carvalho)

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