Opções: o que são, para que servem e como operar nesse mercado

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Para investir na bolsa de valores, você não precisa, necessariamente, adquirir ações ou outros ativos financeiros. Nesse sentido, as opções são instrumentos financeiros interessantes, que podem proporcionar ganhos e proteção patrimonial ao mesmo tempo.

As opções são uma espécie de derivativo, que oferecem o direito de negociação de um determinado ativo. Continue a leitura e entenda o que é e para que serve o mercado de opções!

O que são opções?

Antes de falarmos sobre opções, é preciso entendermos o conceito de derivativos.

Os derivativos são contratos financeiros cujos preços derivam do valor de um bem ou de outro instrumento financeiro. Na prática, esses contratos utilizam algum ativo como referência. Isso significa que o valor do derivativo acompanha a oscilação do ativo ao qual está vinculado.

No artigo abaixo, entenda como funcionam os derivativos.

As opções são um tipo de derivativo, pois estão relacionadas a um determinado ativo. Em outras palavras, elas não são um ativo em si, mas sim um contrato que representa o direito de comprar ou vender determinado ativo.

Em um contrato de opção, o comprador possui um direito, e o vendedor, uma obrigação. A seguir, veremos na prática como isso funciona.

Como funcionam as opções

No momento em que é firmado um contrato de opção, já são determinados alguns pontos da negociação: o valor, o vencimento e o tipo de contrato, se de compra ou venda. Entenda agora como funciona cada um desses contratos.

Opção de compra (call)

Uma opção de compra (também chamada call) dá ao investidor titular o direito de comprar um determinado ativo um preço pré-estabelecido na data do vencimento.

Na prática, veja como isso funciona:

Imagine que um investidor acredite de que uma determinada ação estará mais cara daqui a 60 dias. Nessa situação, se ele comprar uma call com vencimento em 60 dias, terá o direito de pagar por essa ação o preço que acordou no dia da compra da opção. Em outras palavras, a call assegura que ele possa comprar a ação daqui a 60 dias pelo preço que negociou hoje, mesmo que, no vencimento da opção, a ação esteja mais cara.

É importante saber que a parte compradora não é obrigada a exercer a opção. Isso significa que, se em 60 dias a ação estiver mais barata do que o preço que foi contratado na opção, o investidor não é obrigado a exercer a opção de compra. Isso não trata nenhum prejuízo a quem comprou a call, exceto o preço pago pela opção não exercida.

Uma analogia que se pode fazer é com um prêmio de seguro. A cada ano, é renovado o seguro do automóvel, e ele só será acionado no caso de algum sinistro com o veículo. Se nenhum problema ocorrer durante o ano, não haverá perda financeira para o contratante que deixar de acionar o seguro. Nesse caso, seu único custo terá sido o valor pago pelo prêmio.

Opção de venda (put)

Para entender a opção de venda (put), é só pensar na situação contrária. Ou seja, ela é utilizada quando há expectativa de queda do preço de determinado ativo.

Digamos que, por algum motivo, um investidor acredite que uma ação de sua carteira vá se desvalorizar nos próximos meses. Em vez de vender imediatamente a ação (afinal, ele não tem certeza se o preço cairá), ele pode comprar uma opção de venda do título. Se, no vencimento da opção, a ação realmente estiver se desvalorizado, ele terá o direito de vendê-la pelo preço contratado na compra da put. Em outras palavras, venderá a ação por um preço acima do que ela estará valendo no vencimento da put, e lucrará com isso.

Termos utilizados no mercado de opções

Já vimos o que são call e put, porém existem outros termos próprios do mercado de opções. A seguir, conheça os principais:

Ativo objeto

É o ativo que será negociado no contrato de opção. Nos exemplos acima, as ações eram o ativo objeto tanto da call quanto da put. Porém, outros ativos também podem servir como base para esses contratos, como commodities ou moedas estrangeiras, por exemplo. Índices também podem ser objeto de opções.

Titular

É quem compra a opção. Ou seja, é a parte que tem o direito de comprar ou vender o ativo objeto pelo preço de exercício.

Lançador

Já o lançador é quem vende a opção para o titular. Por isso, ele é a parte do contrato que tem a obrigação de negociar o ativo objeto, se essa for a vontade do vendedor.

Prêmio

O prêmio é o preço pago pelo comprador da opção para ter o direito de comprar ou vender o ativo objeto. Quando paga o prêmio, o comprador não adquire o referido ativo. Ele só fará isso no vencimento da opção, se assim o desejar.

Strike

Strike significa preço de exercício da opção. Ou seja, é o valor pelo qual o ativo objeto será negociado se a opção for exercida.

Vencimentos das opções

O vencimento das opções ocorre na terceira sexta-feira do mês de vencimento do contrato. Em relação ao horário, o exercício da opção ocorre após o pregão regular, com 30 minutos de after market.

Caso não tenha pregão na data de vencimento, ele ocorrerá no próximo dia de operação na bolsa.

Vantagens e riscos das opções

Uma das principais vantagens das opções é que se pode ganhar tanto na alta quando na baixa dos ativos. Como vimos, a opção de compra (call) permite lucrar com a valorização dos ativos. Por sua vez, a opção de compra (put) proporciona ganhos na queda dos preços.

Além disso, as opções são bons instrumentos para proteção patrimonial e, também, permitem ganhos no curtíssimo prazo. Nesse sentido, são instrumentos financeiros bastante utilizados no day trade para a especulação.

Outro ponto positivo é a liquidez desses contratos. Como são negociadas em grandes volumes no mercado, dificilmente um investidor encontrará problemas se quiser vender seus contratos para liquidar posições.

Por outro lado, trata-se de um mercado bastante volátil. Logo, as chances de perdas também são grandes caso não se cumpra a expectativa do investidor. Além disso, é importante lembrar que o risco do vendedor da opção é sempre maior do que o comprador. Como vimos no início, o vendedor é a parte do contrato que assume a obrigação de comprar ou vender o ativo objeto, e isso será feito a critério do comprador.

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