Derivativos: entenda o que são, como funcionam e quando utilizar

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
1

Crédito: Pixabay

Os derivativos servem para proteger o patrimônio e, também, podem proporcionar boa rentabilidade para a carteira. A seguir, entenda o que são e como funcionam esses importantes instrumentos financeiros!

O que são derivativos?

Como o nome sugere, os derivativos são contratos financeiros cujos preços derivam do valor de um bem ou de outro instrumento financeiro.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Na prática, esses contratos utilizam algum ativo como referência, também chamado de “ativo-objeto”. Isso significa que o valor do derivativo acompanha a oscilação do ativo ao qual está vinculado.

Um contrato de derivativos é sempre realizado entre duas partes. Na negociação, ambas se comprometem a negociar determinado ativo em uma data futura por um preço pré-estabelecido. Um exemplo disso são os contratos futuros, nos quais se negocia um ativo com vencimento no futuro. Nesse caso, aposta-se na oscilação do valor do ativo, e é isso o que gera rentabilidade para as operações de derivativos.

Como funcionam esses contratos?

De forma simplificada, uma das partes vende o risco que acredita que o ativo-objeto tenha. Por sua vez, quem compra esse risco tem a expectativa de ganho financeiro com ele quando o contrato chegar no vencimento.

Um exemplo ajuda a entender melhor como funcionam os derivativos na prática.

Imagine que um produtor de café tenha começado a trabalhar no plantio da safra. Por sua vez, a safra só acontecerá daqui a alguns meses, porém há custos com a compra dos grãos e o com preparo da terra que precisam ser pagos no início da plantação. O produtor já está gastando antecipadamente, mas não sabe quanto estará valendo o café quanto tiver que entregar as sacas do produto. Ou seja, ele está tendo despesas mas não tem nenhuma previsibilidade em relação às suas receitas.

Suponha que hoje, enquanto o produtor está plantando o café, a saca esteja sendo negociada a R$ 100. Para garantir que não vá receber um valor abaixo desses 100, o produtor pode negociar um derivativo, chamado de contrato futuro.

Isso dará a certeza de que ele não receberá menos de R$ 100 quando tiver que entregar a mercadoria, independentemente do preço que estiver o café na data. Nesse exemplo, o valor do contrato deriva do preço do café. Porém, os contratos de derivativos podem ter vários objetos além das commodities, como moedas ou índices financeiros, por exemplo.

Funções dos derivativos

Há três funções básicas para os contratos de derivativos: hedge, especulação e arbitragem. A seguir, entenda como funcionam cada uma delas.

Hedge

Traduzido literalmente do inglês, hedge significa “cerca” e é o termo utilizado no mercado financeiro para operações de proteção patrimonial.

O exemplo do produtor de café é uma das formas de utilização de derivativos para fins de hedge. Quando fechou o contrato futuro, o produtor conseguiu garantir que não receberia menos pelo café do que ele vale atualmente no mercado. Ou seja, esse instrumento de hedge proporcionou previsibilidade às suas receitas e evitou uma possível perda caso o café se desvalorize até o vencimento da operação.

Além de proteger os ativos da desvalorização, o hedge também pode ser feito para impedir que uma dívida fique mais cara. Vejamos outro exemplo.

Imagine agora que um importador tenha comprado uma máquina dos Estados Unidos por US$ 50 mil. Quando realizou a compra, o dólar estava cotado a R$ 5,00. Ou seja, a sua dívida no dia da compra da máquina é de R$ 250 mil.

Conforme negociação com o fornecedor, o pagamento deverá ser feito em 60 dias após a compra. No entanto, tudo pode acontecer com o dólar nesse período. Pode ser que a moeda estrangeira caia e, dessa forma, a dívida ficaria mais barata. Porém, também é possível que, em 60 dias, o dólar dispare, e, dependendo da alta, isso poderá ocasionar um grande prejuízo ao importador.

Para se proteger das oscilações do câmbio, o importador pode comprar contratos futuros de dólar. Dessa forma, ele garante a cotação da moeda e evita surpresas na hora do pagamento ao fornecedor.

O hedge é um importante instrumento de proteção patrimonial. Saiba mais sobre o assunto no artigo abaixo.

Gestores apostam na alta, mas com hedge para proteger a carteira | Eu Quero Investir

Especulação

A especulação ocorre quando uma das partes assume o risco da variação de preços do ativo para tentar ganhar com isso. Voltando ao exemplo do café, o produtor que vendeu o contrato futuro fez isso para proteger o preço da sua mercadoria da desvalorização. Ou seja, a sua intenção era simplesmente fazer o hedge para não ter perdas caso o café se desvalorizasse.

Por outro lado, a parte que comprou o risco do produtor é o especulador, pois o seu objetivo é somente lucrar com a operação. No entanto, é importante lembrar que, assim como pode lucrar, o especulador pode apurar prejuízos. Tudo dependerá da forma como o mercado se movimentará até o final da operação.

Os derivativos para especulação são muito utilizados pelos day traders. Nesse caso, existem diversos contratos para os quais não é necessário todo o valor da operação. Em vez disso, o investidor só deposita uma margem de garantia e, no final do dia, recebe (ou paga) o ajuste da operação.

Na prática, isso se chama operar alavancado. Saiba mais sobre alavancagem financeira neste artigo.

Alavancagem financeira: o que é, para que serve e como utilizar (euqueroinvestir.com)

Arbitragem

De certa forma, a arbitragem assemelha-se à especulação, pois nela o objetivo também é lucrar com a diferença de preços. A diferença é que, nesse caso, o investidor compra um ativo em um mercado onde ele está mais barato e o vende em outro mais caro.

Nesse sentido, a arbitragem mais comum é a que joga com a oscilação de preços do mesmo ativo no mercado à vista e no mercado futuro. Para entender como isso funciona, vamos usar novamente o exemplo da negociação do café.

Atualmente, a saca do café vale R$ 100. Porém, um investidor descobriu que ela sendo negociada a R$ 120 no mercado futuro para seis meses. Nesse caso, como a sua intenção é arbitrar, ele comprará o café hoje a R$ 100 e venderá daqui a seis meses por R$ 120. Assim, terá lucrado R$ 20 por saca do produto. comprará o ativo e o guardará por seis meses. Dessa forma, quando for vender, lucrará R$ 10 por cada saca.

É assim que acontece a arbitragem no mercado futuro. Essa é mais uma das funções dos contratos de derivativos.

Vantagens e desvantagens dos derivativos

Quando começaram a ser utilizados, o objetivo dos derivativos era somente proteger o patrimônio contra os riscos das oscilações de preços. Dessa forma, tanto vendedores quanto compradores poderiam programar os seus resultados e desembolsos com mais previsibilidade.

Depois disso, a utilização dos derivativos passou a contemplar também as taxas de juros e o câmbio. Como exemplo, temos os contratos cheios e minicontratos de índice e dólar, negociados na bolsa de valores.

Atualmente, além do hedge, cada vez mais investidores utilizam derivativos na especulação e arbitragem, para obter ganhos financeiros. Sem dúvida, essas operações têm a vantagem de rentabilizar o patrimônio, especialmente quando há alavancagem. No entanto, é muito importante conhecer bem esses instrumentos e ter uma estratégia bem definida para utilizá-los de forma adequada. Caso contrário, podem levar a perdas financeiras expressivas, muitas vezes superiores ao valor investido (no caso de alavancagem).

Quer conhecer mais sobre derivativos, ou sobre outras possibilidades do mercado financeiro? Então, preencha o formulário para que um assessor da EQI Investimentos entre em contato!

 

 

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo