Money Week: fundos de ações são opções a todo tipo de investidor

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Cesar Paiva, Roberto Chagas e Luciana Seabra foram selecionados a dedo para formar um painel de peso nesta quarta-feira (26), e levar aos inscritos na 4ª edição da Money Week os meandros e segredos que envolvem Fundos de Investimento em ações.

O trio abriu o 3º dia de palestras do maior evento sobre investimentos da América Latina, totalmente online e gratuito, com uma verdadeira aula sobre o tema que tem atraído cada vez mais a atenção das pessoas que se interessam por mercado financeiro no País.

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Para acessar as palestras e saber tudo que foi dito no terceiro dia da Money Week é só clicar neste link!

Os insights de Cesar Paiva, sócio-fundador da Real Investor, Roberto Chagas, Head de Gestão de Renda Variável da EQI Asset, e de Luciana Seabra, ex-sócia da Empiricus, e hoje à frente da Spiti, casa de análises que conta com mais de 15 mil assinantes, certamente ajudarão quem acompanhou o painel a entender um pouquinho melhor esse segmento.

“Existe uma gama muito grande de fundos, com estilos diferentes, mas não existe um fundo correto, mas sim um para cada apetite do investidor. Há um super cardápio, e o investidor tem que estudar ou recorrer aos profissionais que o ajudem a escolher o melhor produto”, comentou o Head da EQI Asset, dando a primeira pitada sobre tudo o que foi discutido no painel.

Confira a seguir os principais insights da abertura do 3º dia da 4ª edição da Money Week. Aproveite e inscreva-se, pois as palestras seguirão até sexta-feira, 28 de maio.

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“Porta de entrada, do meio e de saída”

Os três participantes do primeiro painel desta quarta-feira concordaram – e não poderia ser diferente – quando o questionamento foi se os fundos de investimentos em ações poderiam ser considerados a porta de entrada para os investidores.

Luciana Seabra, que revelou ter 30% de sua alocação estrutural em fundos de ações, confirmou ser fã da modalidade. “Fundos de ações podem ser porta de entrada, de meio e de saída. Para quem está começando, os fundos de investimentos são uma boa pedida, mas investidores sofisticados também aplicam por meio de fundos”, revelou.

“O fundo é um bom veículo para o investidor fazer uma parte do investimento. No nosso caso, o investidor que compra a nossa estratégia está comprando um time com experiência internacional. Tenho 20 anos de mercado, fiquei 10 anos no UBS em Zurique, na Suíça. Aprendi muito sobre transformação digital, pois vivi isso”, complementou Roberto Chagas.

Importância de um bom gestor é exaltada por trio na Money Week

Outro ponto em comum levantado pelos participantes do primeiro painel do dia foi sobre a importância de o investidor interessado em fundos de investimentos em ações procurar auxílio de um bom gestor.

“Quando o investidor não entende e não tem tempo para estudar, vale a pena delegar a gestão (do patrimônio). Em momentos, como no ano passado, de crise, isso fez diferença”, comentou Cesar Paiva, emendando um pouquinho de como atuou com os clientes da Real Investor durante a crise do novo coronavírus.

“Precisa tentar entender a gravidade, olhar para cada ativo do portfólio e ver se as empresas estarão aptas a sobreviver com o mercado fechado um ou dois anos. Depois de entender a situação da empresa, fomos olhar as melhores oportunidades que foram geradas. Conseguimos alocar 15% do patrimônio do fundo em renda fixa e conseguimos recuperar as perdas de uma das piores crises que enfrentamos desde 1928”, revelou.

Experiência também não faltou para o Head de gestão de renda variável da Eqi Asset, Roberto Chagas, que foi premiado por seu trabalho de gerenciamento em meio à crise que ainda não acabou.

“Conseguimos proteger o capital do investidor naquela queda. É risco e retorno. O fundo dá ao gestor ferramentas para se proteger mais na queda do que a pessoa física comprando e vendendo ação. É a construção de um bom muro. Não adianta jogar os tijolos e achar que o muro está feito. É um tijolo primeiro, depois outro tijolo, e aí fica firme”, comparou.

O trauma das taxas: serviço bom tem seu preço

Ao recomendarem para os investidores com menos tempo para estudar, ou que se sentem inseguros para caminhar sozinhos, o auxílio de um especialista, os participantes do painel da Money Week se depararam com um trauma relatado por um internauta no chat: As taxas que normalmente são cobradas para a administração dos fundos.

Luciana Seabra, que tem mais de 15 mil assinantes interessados em seus conteúdos na Spiti, foi clara: serviço bom tem seu preço, mas vale à pena.

“Entendo o trauma com taxas de administração, pois tem muitos produtos ruins no mercado. Quando você paga taxa por serviço ruim, acha caro. A nossa reserva de emergência tem que estar em tesouro Selic com taxa zero. E no crédito privado você tem que pagar pouco”, comentou, para, na sequência, explicar:

“Quando vai para a Bolsa, tem o clássico 2 x 20: 2% de administração e 20% de performance sobre o referencial. É padrão. Se você quer delegar esse serviço, procure a melhor equipe e tope pagar. Infelizmente esse é o preço. Só que quando você investe em um bom fundo, e que toma risco, com gestores bons, você nem vai ver esse custo acontecendo em janelas longas”.

Janelas longas, Long Biased: temas do painel da Money Week

Money Week

O painel sobre Fundos de investimentos em ações levou à mesa termos que, para quem não respira os ares do mercado financeiro, podem parecer estranhos: janelas longas, Long Biased…. Afinal, o que o trio quis dizer com isso?

Roberto Chagas, Head da EQI Asset, recomendou justamente o Long Biased, rotulado por ele como “o mais importante da casa”. Para quem não sabe, os fundos Long Biased podem, inicialmente, lembrar a estratégia dos fundos Long Short. Isso porque os Long Biased também podem ter posições vendidas e compradas. Mas há uma diferença importante.

A palavra “bias” em inglês significa “viés”. Assim, os fundos Long Biased podem ter posições vendidas, mas têm principalmente um “viés comprado”. Em outras palavras, é um fundo que tem mais flexibilidade e fica no meio termo entre o Long Only e o Long Short em relação à exposição líquida.

Outro termo bastante utilizado pelos convidados da Money Week foi sobre “janelas longas”, que nada mais são do que fundos com prazos maiores. E estes foram amplamente defendidos por todos os participantes do painel.

“Eu incentivo muito a terem uma carteira de fundos e deixarem para longo prazo com uma alocação estrutural bem definida. Não é algo para se mudar toda hora. Monte uma carteira com perfis diferentes. Cada um vai ter seu ciclo. Quando soma diferentes perfis, terá gestores melhores em alguns períodos e outros piores. No longo prazo, vão bater o Ibovespa de forma conjunta”, garantiu Luciana.

“Qualquer investimento em ações deveria ser em longo prazo. Ruído e cenário econômico é difícil de prever. Se está bom para a economia, a carteira vai performar bem. Você tem que pensar nos cenários ruins, em precisar de tal empresa para atravessar uma tempestade”, completou Roberto.

Cesar foi além e buscou inspiração em dois dos principais investidores de todos os tempos para sustentar a tese da janela longa. “O investimento bem feito em empresas é transformador. O jeito que a gente enxerga na Real Investor é que, através da Bolsa, a gente compra participações nas empresas para longo prazo. Não compramos com cabeça de especulador. Importante o investidor ter essa cabeça. Comprar um fundo porque gosta da filosofia do fundo, do processo de seleção. Estude um pouquinho sobre o Warren Buffett, o Peter Lynch. Faz sentido no longo prazo e certamente vai transformar seu futuro financeiro. Gaste um tempinho com isso, pois vale muito à pena”, prometeu.

Juro alto x bola de cristal

O cenário atual de juros no Brasil, com a taxa Selic projetada para passar da casa dos 6% até o fim do ano, também foi abordada durante o painel, assim como qual seria a melhor hora para o investidor entrar ou sair de determinado fundo.

O Head da EQI Asset foi bastante didático quando comentou sobre a expectativa pela alta do juro no País. E deu, na prática, exemplos para acreditar em um bom momento para o investidor.

“Eu não olho só o juro longo prazo, mas também o real. Se pegar nos EUA, tem juro real negativo. Bom para o mercado de ações, para a empresa de tecnologia. No Brasil, o juro está subindo, indo para uma normalidade. Estamos bem otimistas com o cenário brasileiro, apesar dos ruídos”, ponderou.

Luciana Seabra pegou carona com Roberto e já deu o aviso para quem, por ventura, esteja pensando em retornar para investimentos de renda fixa, como Poupança ou CDB. Não façam isso.

“Sobre cenário, eu estou nessa linha também. Apesar de o investidor olhar o juro subir e achar que vai viver na renda fixa, se olhar o Focus, está no patamar de 6%. Não é mais de 12%. Não tem como o Brasil viver em um mundo de juro estrutural baixo”, comentou. “Não vejo um prazo muito curto para o investidor voltar a se sentir confortável em uma carteira pura de renda fixa”, completou.

Sobre o timing certo para entrar ou sair de um fundo, Seabra também foi bastante clara: “Não existe isso de agora está ruim. Se ficar apostando em bola de cristal, a chance de errar é enorme. A hora de sair é analisar a gestão, a qualidade do fundo, mas eu recomendo sair de forma escalonada, até porque alguns fundos têm carência”, ponderou.

Coube a Cesar Paiva a palavra final sobre o assunto, encerrando com chave de ouro a participação do trio na Money Week. “Essa questão do timing é muito difícil. Se tivesse bola de cristal, seria fácil. Escolher um gestor é diferente de escolher uma empresa. Quando você investe por meio de um fundo, ele é um organismo vivo. Se a empresa não apresenta boa oportunidade, a gente vai vender e alocar em outra que se mostre mais interessante. Não deve ficar entrando e saindo, pois fica ineficiente”, finalizou.

(Por Paulo Amaral)