IPOs crescem 344% em 2020 e emissões de FIIs batem recorde, diz Anbima

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução / Flickr

As ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) cresceram 344,2% em valores no ano de 2020 com relação a 2019.

Segundo dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), os IPOS passaram de R$ 10,2 bilhões (2019) para R$ 45,3 bilhões (2020). O montante é o maior desde o boom dos IPOs, em 2007.

O número de operações, segundo a Anbima, também cresceu. Assim, saltou de 5, em 2019, para 27 negócios em 2020.

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“O mercado de ações se manteve aquecido no segundo semestre de 2020. Apesar do impacto da pandemia, o resultado positivo nos IPOs reflete a melhora dos aspectos estruturais do mercado, como juros baixos e os investidores diversificando as carteiras”, explica José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima.

Já os follow-ons (ofertas subsequentes de ações) tiveram queda de 7,3%. O volume foi de R$ 79,8 bilhões, em 2019, para R$ 74,0 bilhões, em 2020, e as operações caíram de 37 para 25.

Os fundos de investimentos detiveram a maior parte das ações nas ofertas públicas com praticamente a mesma participação de 2019 (43,0%), seguidos dos investidores estrangeiros com 34,1%.

 

Perfil dos subscritores dos IPOs

Emissões somaram R$ 369 bilhões

Segundo a Anbima, considerando as operações com todos os tipos de títulos, as emissões somaram R$ 369,8 bilhões no acumulado do ano. Ou seja, redução de 14,5% em relação a 2019.

“A queda se dá pelo período de incertezas trazido pela pandemia no primeiro semestre. O movimento de recuperação foi notado a partir de setembro, o que viabilizou o recorde de IPOs. E se intensificou em dezembro, o que dá uma perspectiva positiva para 2021”, avalia Laloni.

Nos três primeiros meses da pandemia, a média mensal das emissões era de R$ 21,6 bilhões contra R$ 34,5 bilhões do período entre junho e dezembro.

Vale ressaltar que o resultado mensal de dezembro (R$ 63,7 bilhões) foi o maior desde outubro de 2010, quando ocorreu uma oferta subsequente de ações da Petrobrás com volume de R$ 120,2 bilhões, e indica uma perspectiva positiva para 2021.

As ofertas em andamento e análise totalizam R$ 8,5 bilhões (desconsiderando o volume das ofertas de ações em análise).

Participação dos instrumentos no volume anual de ofertas públicas

Debêntures tiveram recuo de 17,8%

Em 2020, os títulos corporativos de dívida apresentaram a primeira queda no volume desde 2015.

As emissões tiveram retração de 33,9%, de R$ 184,7 bilhões em 2019 para R$ 122,1 bilhões no ano passado. Deste volume, 67,1% foi destinado para capital de giro, refinanciamento de passivos e resgate de debêntures da emissão anterior.

As debêntures incentivadas, emitidas sob a Lei 12.431 e com isenção de imposto para pessoa física, tiveram recuo de 17,8% em relação ao ano anterior. Passaram de R$ 33,8 bilhões para R$ 27,8 bilhões, acompanhadas de redução das operações – de 76 para 46 negócios.

Entre os compradores dos papéis, houve crescimento das instituições financeiras e demais ligadas à oferta, que passaram de R$ 40,6% para 64,5%. Por outro lado, os fundos de investimento reduziram sua participação de R$ 48,8% para 23,4% do total ofertado.

“O aumento da participação dos bancos comprando debêntures em oferta pública é um movimento que teve início no final de 2019 e que foi intensificado diante do momento de dúvida trazido pela pandemia. Entretanto, vale destacar que a demanda do mercado, principalmente pelos fundos de investimento, voltou aos poucos no segundo semestre do ano”, analisa Laloni.

Fundos Imobiliários e CRAs batem recorde

As emissões de Fundos Imobiliários bateram recorde em 2020, com R$ 44,1 bilhões frente a R$ 41,4 bilhões de 2019.

“O resultado mostra que o segmento imobiliário se manteve na trajetória de recuperação iniciada em 2019”, comenta Laloni.

As pessoas físicas são as principais compradoras desses ativos, detendo 41,9% do total, seguidas pelos fundos de investimentos com 28,1%.

Os CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) também alcançaram maior volume da série histórica, com R$ 15 bilhões em 2020. O resultado reflete alta de 20,1% frente aos R$ 12,5 bilhões de 2019.

Os demais produtos tiveram quedas de volume na mesma base de comparação.

Os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) foram de R$ 17,2 bilhões para R$ 14,5 bilhões. Já as notas promissórias de R$ 36,6 bilhões para 21,9 bilhões. E os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) de R$ 40,2 bilhões para R$ 32,1 bilhões.

Mercado externo teve 32 operações

Em 2020, o mercado externo registrou 32 operações, o mesmo que em 2019. Mas houve alta de 6,1% no volume acumulado, que cresceu de US$ 24,5 bilhões para US$ 25,8 bilhões.

Por fim, os bonds correspondem por 94,5% do montante. Na sequência vêm as operações com ADRs (american depositary receipts, ou recibos de depósitos de ações) com 5,5%.