Fundos multimercados com a Selic em alta: vale a pena?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

De acordo com a Anbima, os fundos multimercados registraram saída líquida de R$ 13,4 bilhões em setembro. Esse foi o pior desempenho que a classe de fundos teve desde o início da pandemia, em abril do ano passado.

De forma geral, os maiores resgates vieram dos investidores de varejo, de todos os portes. Nesse sentido, analistas afirmam que fatores como taxas de juros e volatilidade do mercado fizeram com que esses investidores alocassem seus recursos em ativos de menor risco nos últimos tempos.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Com a instabilidade dos cenários mundial e nacional, será que vale a pena investir em fundos multimercados hoje? Será que, com a Selic em alta, não seria mais interessante concentrar investimentos na renda fixa?

Sobre o tema, conversamos com Elias Wiggers, assessor e sócio daEQI Investimentos. A seguir, conheça a opinião do gestor sobre o atual momento do mercado financeiro.

Vale a pena investir em fundos multimercados com a Selic em alta?

Para Wiggers, o primeiro ponto positivo dos fundos multimercados é justamente a diversificação que proporcionam à carteira. Isso porque alocam recursos em diversos mercados, o que contribui para o equilíbrio do portfólio do investidor.

Em relação às ações, o risco desses fundos costuma ser mais controlado, pois existem diferentes categorias de fundos multimercados. Nesse sentido, há desde aqueles mais arrojados, que se assemelham a fundos de ações, até os mais conservadores, que só carregam o nome de multimercado devido à estratégia do gestor.

Ou seja, muitos desses fundos têm a maioria do patrimônio investido em ativos de renda fixa. No entanto, para não ficar limitado somente a esses títulos, o gestor aloca um percentual pequeno dos recursos de forma livre, visando obter ganhos acima da renda fixa. Essa abrangência de ativos permitida ao gestor já caracteriza o multimercado.

“Só por esse motivo, já daria para entender por que os fundos multimercados fazem sentido nesse cenário de alta de juros. Se o fundo for mais focado em renda fixa, com papéis atrelados à inflação, e buscando oportunidades nos juros e ganhos reais, certamente estará performando bem nesse momento,” diz Elias.

E quais os melhores multimercados para o momento?

Segundo o gestor, não são somente os fundos com foco em renda fixa que podem apresentar bons resultados nesse momento.

Para Wiggers, “mesmo aqueles fundos que estão no espectro de maior risco (com menos ativos de renda fixa) têm estratégias múltiplas, setoriais. Por isso, terão posições bem diversificadas, que abrangem, além da inflação, juros curtos, juros longos, dólar, ações de empresas anticíclicas, e assim por diante. No jargão do mercado, chamamos isso de ‘carteiras antifrágeis’. Logicamente, não dá para dizer que essas carteiras ganham sempre. No entanto, elas se saem bem em diversos cenários, mesmo nos mais adversos, por causa da diversificação”.

No mundo dos investimentos, existem momentos nos quais é bastante difícil se posicionar e tentar precificar ativos, em função de diversos eventos globais que ocorrem simultaneamente. Esse é exatamente o momento que vivemos hoje.

Para Elias, em momentos como esse, se há um fundo que o investidor deva ter na carteira é o multimercado puro. Ou seja, aquele intermediário no espectro de risco. Isso porque ele estará posicionado em diversos setores que poderão fazê-lo performar bem (mesmo que não seja o melhor) mesmo em um mercado tão desafiador quanto o atual.

Algumas opções de fundos multimercados

A seguir, confira três sugestões de Eduardo Salzo, head de fundos daEQI Investimentos:

BLP LSH1 FIC FIM

O BLP é considerado um fundo multimercado de baixa volatilidade. Seu objetivo é dar retorno aos cotistas investindo em cotas do fundo master BLP LSH1 FIM. Para isso, busca retorno principalmente na renda variável e renda fixa, podendo também incorrer em fatores de risco como juros pré e pós-fixados, índices de preços, índices de ações, variação cambial, entre outros.

O fundo busca superar o CDI no médio e longo prazo. Desde o seu início, em março de 2020, o fundo acumula rentabilidade de 19,42%, sendo 7,52% somente em 2021.

Características:

  • gestor: BLP Gestora de Recursos
  • administrador: BEM DTV
  • custos: taxa de administração de 1,437% a.a. + taxa de custódia de 0,063% a.a. + taxa de performance de 20% sobre o excedente do CDI.
  • aplicação / movimentação mínima: R$ 1 mil

DAO Multifactor FIM

O DAO Multifactor é um multimercado de média volatilidade. Desde o seu início, em março de 2021, o fundo acumula valorização de 21,5% sobre o Ibovespa e de 2,6% sobre o seu benchmark (IPCA + yield do IMA-B). No mesmo período, a volatilidade anualizada (risco) do fundo foi de 9%, contra 18% do Ibovespa.

Características:

  • gestor: DAO Capital.
  • administrador: BTG Pactual.
  • custos: taxa de administração de 2% a.a. + taxa de performance de 20% sobre IPCA + yield IMA-B)
  • aplicação / movimentação mínima: R$ 500

Vinland Macro Plus FIC FIM

Entre as três alternativas, o Vinland é o fundo que apresenta a maior volatilidade. Basicamente, ele busca retorno por meio de investimentos em diversos mercados, sem compromisso com concentração geográfica de ativos.

Seu patrimônio está alocado em ações, juros, moedas, créditos e outros ativos nacionais e globais. Desde o seu início, em dezembro de 2018, acumula rentabilidade de 52,83%.

Características:

  • gestor: Vinland Capital
  • administrador: Intrag DTVM
  • custos: taxa de administração de 1,9 a.a. (acrescida de 0,1% a.a) + taxa de performance de 20% sobre o que exceder o CDI.
  • aplicação / movimentação mínima: R$ 1 mil.

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