Fundos Imobiliários: o pior da pandemia já passou?

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Crédito: Divulgação

A recente crise causada pela pandemia acertou em cheio o mercado de Fundos Imobiliários. Principalmente os chamados fundos de tijolo sofreram bastante com o acontecimento, pois muitas atividades econômicas foram impedidas de funcionar. Esse é o caso dos shoppings centers, que, com o fechamento, tiveram suas receitas muito reduzidas.

Para traçar um paralelo entre os acontecimentos recentes e as perspectivas do setor, trazemos este artigo. Nele, você obterá informações sobre o histórico dos últimos anos a respeito dos Fundos Imobiliários. Saberá como a crise da pandemia causou fortes impactos no ramo e terá um panorama a respeito das perspectivas futuras para esse que é um excelente mercado para investir.

Desejo que aproveite o texto. Tenha uma boa leitura!

Participação dos investidores nos Fundos Imobiliários

É fato: alguns setores de FIIs sofreram com a crise causada pela pandemia. Apesar disso, esse tipo de produto tem atraído cada vez mais brasileiros. A constatação é feita não só pelo número de investidores presentes nesse mercado, mas também pelo volume financeiro movimentado.

Para se ter ideia do apetite dos investidores, basta observar como sua participação tem crescido. Até o ano de 2018, a quantidade de participantes desse mercado girava em torno de 100 mil investidores. O primeiro grande salto se deu no ano citado, quando o número praticamente dobrou, ultrapassando 200 mil.

A partir daí os saltos foram ainda maiores: 2019 fechou com 645 mil investidores, 2020 com mais de 1,1 milhão e até agosto de 2021 já são mais de 1,3 milhão. Os números são da própria B3 e revelam uma migração de recursos da tradicional renda fixa para o mercado de FIIs. O movimento pode ser explicado pelos níveis mínimos históricos da taxa Selic. Nos últimos anos, com a queda dos juros, o retorno da renda fixa caiu.

Outra informação que mostra a força desse tipo de investimento é seu patrimônio líquido, disponível para consulta no site da B3. E o mais impressionante de tudo é que a grande evolução no valor acumulado em patrimônio se deu mesmo em meio ao período de pandemia.

Em março de 2020, o total de recursos somava R$ 95 bilhões. Um ano depois, o aumento verificado foi de mais de 50%, quando o patrimônio total bateu mais de R$ 144 bilhões.

É bem verdade que o montante subiu bastante por conta dos novos aportes, mas o setor como um todo amargou resultados ruins advindos da paralisação da economia em diversos aspectos que afetam os FIIs.

Como a crise causada pela pandemia afetou o mercado de Fundos Imobiliários?

De fato, a indústria de Fundos Imobiliários sentiu fortemente os efeitos da crise ocorrida em função da pandemia. Não é difícil perceber o motivo, pois entre as 18 classes de FIIs existentes, grande parte delas necessita do giro da economia para terem bons resultados. Com a paralisação das atividades econômicas em muitos setores (mesmo que temporariamente), algumas subdivisões apanharam bastante.

Esse é o caso dos Fundos Imobiliários ligados de alguma forma à shopping centers e lajes corporativas. Os primeiros representaram uma dos setores mais prejudicados, pois em muitas cidades os espaços comerciais nem sequer puderam funcionar. Imagine o estrago causado a fluxo de caixa de um shopping center que não pode abrir suas portas para vender. Pois é…

De modo geral, as perdas podem ser verificadas quando o desempenho em 2021 dos 18 subsetores dos Fundos Imobiliários são analisados. Apenas 4 deles estão hoje no azul, com destaque para os fundos ligados a imóveis residenciais e certificados de recebíveis imobiliários (fundos de papel).

Na contramão temos a grande maioria dos fundos da indústria. Dos 18 setores existentes, 14 estão com desempenho negativo em 2021. O destaque negativo vai para o setor de imóveis hoteleiros, com perdas de mais de 11% no ano. Seguindo a lista, temos o setor educacional, com desvalorização de mais de 8% em 2021, muito em parte explicado pela paralisação das aulas presenciais para todos os estudantes do país.

Quais são as perspectivas para o mercado de Fundos Imobiliários?

Não por acaso, os fundos de melhor destaque no ano devem continuar brilhando em meio aos Fundos Imobiliários. Estamos falando dos chamados “fundos de papéis”, que são fundos de investimento imobiliário que investem seus recursos em recebíveis de aluguéis e outros papéis de renda fixa ligados ao setor de imóveis. Esse tipo de aplicação é favorecida quando há elevação da taxa básica de juros e aumento de inflação.

Neste capo, destacam-se os fundos de CRIs de high yield que buscam superar o desempenho médio do mercado.

Outra explicação para o bom desempenho passado desses fundos e expectativa de continuidade de bons resultados é sua intrínseca ligação com o mercado de imóveis residenciais. No momento as compras estão aquecidas por ocasião da boa oferta e crédito imobiliário, dada as baixas taxas atuais.

Além dos fundos de papel, temos ainda os Fundos Imobiliários “de tijolo”. Esses fundos são aqueles que investem seu patrimônio em imóveis concretos. Nesse sentido, o desempenho depende muito do imóvel escolhido. Na pandemia, os fundos de galpão tiveram uma alta procura, pois cada vez mais pessoas passaram a comprar online.

Outros fundos de tijolo como os de shopping, porém, foram no sentido contrário. Seu desempenho foi muito afetado pela crise da pandemia, mas as expectativas são de retomada da recuperação mais forte a partir do último trimestre de 2021. Já se vê movimentos nesse sentido, mas sua concretização provavelmente se dará com a consolidação da campanha de vacinação atual.

Conclusão

O mercado de Fundos Imobiliários sofre forte impacto com a chegada da pandemia. No entanto, os investidores viram isso como uma oportunidade e reforçaram seus aportes, além de haver entrada de novos participantes. A maioria dos subsetores do ramo ainda apresenta retornos negativos no ano de 2021, mas espera-se uma recuperação com o avanço da vacinação. O destaque positivo fica por conta dos fundos de papel, que apresentam ganhos com aumento da inflação.

Interessado em investir em FIIs? Converse com um assessor para conhecer mais sobre o mercado. basta preencher o formulário abaixo.