Follow-on: o que é e como funciona essa negociação na bolsa de valores

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Existem duas maneiras de uma empresa ou um fundo imobiliário (FII) captarem recursos na bolsa de valores. Uma delas é a oferta pública inicial (ou IPO); a outra, é o follow-on, que é a oferta subsequente, ou seja, depois de realizado o IPO.

Basicamente, um follow-on é realizado para reforçar o caixa tanto das empresas quanto dos Fundos Imobiliários. No caso das empresas, esses recursos podem ser destinados a novos investimentos, ao fortalecimento de reservas financeiras ou, até mesmo, ao pagamento das ações de sócios que se retiraram da empresa.

Quando o follow-on envolve a emissão de novas ações, o processo é chamado de oferta primária. Nesse caso, o dinheiro fica na empresa, que o utilizará conforme as suas necessidades. Já quando não há emissão de novos títulos, estamos falando em uma oferta secundária de ações. Isso acontece quando as ações já existentes são negociadas entre os investidores.

Por sua vez, os Fundos Imobiliários podem utilizar os recursos para aproveitar boas oportunidades de compras no mercado imobiliário, ou para financiar projetos desenvolvidos nos próprios ativos que compõem o FII.

Como funciona o follow-on

O funcionamento de um follow-on de ações e de Fundos Imobiliários é muito semelhante. Isso porque o seu propósito é o mesmo, ou seja, a captação de novos recursos para a empresa ou para o patrimônio do FII.

No entanto, no caso das ações, existem algumas peculiaridades em relação ao tipo de oferta subsequente, que pode ser de dois tipos: pública ou privada.

No caso da oferta pública, como o próprio nome sugere, as ações são oferecidas a todos os investidores que desejarem participar do processo. Por ser aberta a todos os investidores, esse tipo de oferta precisa seguir as mesmas regras de um IPO.

Isso significa que o processo precisa ser validado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Além disso, deve ser submetido ao trâmite burocrático da bolsa de valores, definido pela Instrução CVM 400. Nesse caso, o público deve ter acesso a diversas informações sobre as ações. Por exemplo, tipo, preço, bancos que coordenam o follow-on, e assim por diante.

Por outro lado, na oferta restrita, as ações são disponibilizadas apenas a investidores qualificados.

Esse tipo de oferta, regida pela Instrução CVM 476, limita o número de participantes a 50 investidores. Pelo fato de ser mais simples do que a oferta pública, é também menos burocrática.

Vale a pena participar de um follow-on?

Não existe uma resposta única para essa pergunta. Tanto nas ações quanto dos Fundos Imobiliários, pode-se encontrar interessantes oportunidades de ofertas subsequentes. Porém, é preciso analisar com atenção algumas variáveis para conhecer o potencial e os riscos do investimento.

No caso dos FIIs, é importante saber como os recursos serão investidos. Tipo de imóvel a ser construído, localização, segmento, tipo de contrato, e várias outras que deverão constar no prospecto do fundo.

Em relação às ações, a primeira informação que se deve ter é sobre o tipo de oferta que a empresa está fazendo. Ou seja, é preciso saber se primária ou secundária.

Como vimos, na oferta primária os recursos vão para o caixa da empresa, ao passo que, na secundária, o dinheiro servirá para pagar o acionista. Teoricamente, sempre que investe em uma empresa, o objetivo não é dar dinheiro aos sócios, e sim aportar dinheiro no negócio.

Porém, desde que a empresa tenha bons fundamentos e perspectivas de resultados, a oferta secundária também pode ser uma opção interessante.

Outro ponto importante a ser conhecido no follow-on de ações e de Fundos Imobiliários é o direito de subscrição dos sócios e cotistas. Clique no link abaixo e saiba mais a respeito!

Direito de subscrição: como funciona? Vale a pena utilizá-lo? (euqueroinvestir.com)