FMI prevê crescimento na economia, mas ainda vê riscos

Paulo Amaral
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Crédito: Yuri Gripas/Reuters

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento da economia global para 2021 e 2022. Segundo o órgão, as projeções subiram 0,8 e 0,2 pontos percentuais, passando a 6% para 2021 e 4,4% para o ano que vem, respectivamente.

A entidade, no entanto, ressaltou em sua nova edição do relatório “World Economic Outlook” que o Brasil, em especial, segue abaixo da média prevista.

Segundo o órgão, o crescimento do País para 2021 será de 3,7%, enquanto o ano que vem espera por uma alta de 2,6%, no máximo.

Apesar de estar abaixo do restante do globo, a previsão é melhor do que a feita em outubro, que era de 2,8% para 2021 e 2,3% para 2022.

O FMI apontou também que o Brasil, ou melhor, o brasileiro, fechou a década mais pobre que os principais países do mundo, mas acima da média da região da América Latina e do Caribe.

A queda de 4,1% no ano passado fez o país sofrer menos que os 7% da zona a que pertence.

Vacinação é a solução

Como fez em outras oportunidades, o FMI ressaltou que a chave para a recuperação global está na vacinação em massa.

Segundo o órgão, ela é tão importante que tem o poder de acelerar a recuperação em todo mundo. Para isso, pediu a cooperação entre os países.

“As políticas, portanto, terão que se tornar mais direcionadas para manter a capacidade de sustentar a atividade econômica durante este período incerto à medida que a corrida entre o vírus e as vacinas se desenrola”, pediu Gina Gopinath, economista-chefe do órgão.

Segundo ela, a economia dos Estados Unidos está em um bom caminho para a recuperação, mas outras economias importantes, como as europeias, que têm vacinação em atraso, só retomarão o patamar em 2022, enquanto os emergentes só trilharão esse caminho em 2023.

Risco de instabilidade financeira ainda é alto, alerta FMI

De acordo com a economista-chefe do FMI, apesar de as revisões terem, em média, melhorado, o risco de instabilidade financeira global ainda é alto, principalmente por conta das novas variantes do coronavírus.

Segundo ela, as compras de ativos financeiros pelos Bancos Centrais ao redor do mundo e os pacotes de estímulos ajudaram a prevenir um grande número de falências, mas as expectativas de inflação de médio e longo prazo “seguem ancoradas”.

“O aumento das vulnerabilidades no setor corporativo e não bancário pode colocar em risco a estabilidade financeira de médio prazo”, advertiu. “As condições financeiras ainda fáceis permanecem favoráveis, mas a volatilidade nos mercados financeiros e nos fluxos de portfólio apresenta riscos significativos. Os formuladores de políticas dos mercados emergentes podem enfrentar tempos difíceis pela frente, com espaço de política monetária mais restrito devido ao aumento da inflação, a menos que os efeitos colaterais positivos da economia global ressurgente assumam o controle”, finalizou.