Fed vê inflação transitória e pode ajustar política de compra de títulos

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Fed

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou nesta quarta (19) a ata do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição, sobre a última decisão da instituição.

Nesse encontro, realizado em 27 e 28 de abril, o Fed decidiu manter as taxas de juros entre zero e 0,25% e as compras de títulos em US$ 120 bilhões por mês.

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O ponto central do comunicado desta quarta diz respeito às expectativas de inflação do Banco Central americano. O Fed considera a alta do preços transitória. Os dirigentes observaram que a atividade econômica avançou acentuadamente nos EUA, mas segue longe de metas de inflação  e emprego.

De acordo com o documento do Fed, os dirigentes concordam em buscar inflação” moderadamente acima de 2% por algum tempo”.

Segundo com o time Macro Research do BTG Pactual digital, apesar do comitê manter o discurso de que a meta de inflação média no longo prazo é de 2% e que para alcançar esse patamar o Fed aceitará uma taxa moderadamente acima desse valor por algum tempo, os dirigentes reconheceram riscos de que a inflação suba mais do que o esperado antes do começo de sua normalização monetária, principalmente se o descompasso na cadeia de produção demorar mais para ser resolvido.

Outro ponto importante, segundo o time de economistas, é o indício de um começo de debate sobre a redução da compra de ativos, já na próxima reunião.

“Os membros do Fomc concordaram que seria apropriado para o Federal Reserve continuar a aumentar suas participações em títulos do Tesouro em pelo menos US$ 80 bilhões por mês e títulos lastreados em hipotecas de agências em pelo menos US$ 40 bilhões por mês até um progresso substancial de acordo com as metas de emprego máximo e estabilidade de preços do Comitê “, diz a ata.

Adicionalmente, como mencionado no relatório Cenário de Câmbio de abril, o Fomc destacou o posicionamento do Banco Central do Canadá de reduzir o ritmo de suas compras, que antecipou sua previsão de quando subirão a taxa de juros.

Aperto monetário

A instituição está atenta às decisões de política monetária de seus parceiros, podendo esta ser uma sinalização de um movimento global de aperto monetário.

Os dirigentes esperam manter política acomodatícia até atingir metas de inflação e emprego. Calculam que haverá arrefecimento da pressão dos preços.

A reunião de abril ocorreu antes da divulgação dos números da inflação do mês.

As autoridades do Fed, como lembrou a análise da CNBC, tiveram uma visão bastante otimista da inflação na reunião, antecipando que as pressões de curto prazo sobre os preços diminuiriam com o decorrer do ano, de acordo com a ata da sessão divulgada na quarta-feira.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,8% em abril, ante projeção de 0,3%. Comparativamente, em março, o avanço foi de 0,6%. Os dados foram divulgados em 12 de maio pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

A variação anual é de 4,2%, quando o mercado aguardava 3,6%. O núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, subiu 0,9%, quando a projeção era de 0,3%.

“Os participantes da reunião de 27 a 28 de abril disseram que esperavam uma demanda crescente com uma reabertura econômica combinada com problemas da cadeia de abastecimento para empurrar os preços acima da meta de inflação de 2% do Fed”, observou a CNBC.

“Após o desaparecimento dos efeitos transitórios desses fatores, os participantes geralmente esperavam que a inflação medida diminuísse”, acrescentou o portal.

Atividade econômica

Na ata divulgada hoje, os dirigentes pontuaram que a atividade econômica avançou acentuadamente nos EUA. Mas os dirigentes disseram que a economia segue longe dos patamares.

Após a Ata do comitê trazendo indícios de um debate sobre o início do tappering, o DXY, indicador que compara a força da moeda americana contra uma cesta de moedas relevantes internacionalmente, continuou a tendência de alta, subindo aproximadamente 0,46%. Os juros das treasuries de 10 anos ampliaram sua alta, batendo 1,69%, alta de 2,60%. lembra o Macro Research.

Os membros do comitê voltaram a reiterar que a pandemia continua afetando a economia do país, apesar de os EUA terem vacinado mais de 60% da população adulta. Com o avanço da imunização,  medidas de restrição à mobilidade urbana foram amenizadas.

O comitê lembra que o apoio fiscal contribuiu para elevar indicadores econômicos: “As condições financeiras melhoraram modestamente à medida que os participantes do mercado continuaram a se concentrar no progresso em direção à reabertura econômica, bem como na política monetária e fiscal de apoio.”

O comitê reiterou estar comprometido em usar todas as ferramentas para apoiar a economia, já que as incertezas econômicas nos EUA seguem elevadas e dependem da evolução do coronavírus.

O Fed fez, ainda, alertas. Disse que a Covid-19 continua causando prejuízos humanos e econômicos, pressionando ainda a inflação, que subiu, refletindo em grande parte fatores transitórios.

Recuperação desigual

Apontaram gargalos na cadeia produtiva, apesar de os dirigentes concordarem que investimentos de empresas continuam fortes nos EUA. Para alguns dirigentes, gargalos produtivos podem não ser rapidamente resolvidos.

Ressaltaram que sistema financeiro demonstrou resiliência durante crise.

O Fed alerta que a recuperação do mercado de trabalho ocorre de forma desigual entre os setores da economia. Há, segundo a autoridade monetária, dificuldades para para atrair trabalhadores.

Por isso, os dirigentes disseram que ajustarão a política monetária caso surjam riscos que ameacem as metas do Fed. Acreditam que as expectativas de inflação continuam bem sustentadas.

Reação do mercado

A ata do Fed incluiu um novo fator de incerteza nos mercados, ao reconhecer que o Comitê de Política Monetária poderá iniciar o debate para a retirada dos estímulos, já que alguns dirigentes consideraram que uma política acomodatícia alongada pode ser um risco para alta mais forte da inflação.

Nova York aprofunda perdas, com o Fed: Dow Jones cai 0,02%; S&P recua 0,73%; Nasdaq, -0,40%

O Ibovespa passa a cair 0,72%, aos 122.017 pontos. O dólar volta à marca de R$ 5,30, a R$ 5,3237 (+1,16%)

 

 

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