EQI Talks: pandemia colocou o mundo em sincronia para retomar o crescimento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/EQI

Se algo de bom pode ser tirado da pandemia de coronavírus é que ela colocou todos os países em sincronia, rumo ao crescimento. Esta foi uma das conclusões da live EQI Talks “Cenário econômico x renda variável”, realizada nesta quinta-feira (10).

No evento, Juliano Custodio, CEO da EQI, Adeodato Neto, estrategista-chefe da Eleven, e Roberto Chagas, gestor de fundos, falaram sobre as perspectivas para o próximo ano. E, sim, elas são positivas.

Adeodato Neto lembrou que, antes do coronavírus, a China vinha desacelerando economicamente. Os Estados Unidos ameaçavam entrar em recessão. E a Europa vivia uma crise. O Brasil, por sua vez, buscava, mesmo que a passos lentos, engrenar em um caminho de crescimento.

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Veio, então, a pandemia, que derrubou os Produtos Internos Brutos (PIBs) globalmente. Mas, agora, todos caminham em direção única, buscando se reerguer do tombo.

Neste contexto, o Brasil é especialmente favorecido, por ser um exportador de commodities, demandadas por todos os continentes para a retomada.

“A pandemia tem essa variável positiva para os emergentes. O mundo inteiro tomou uma pancada violenta, mas com ela veio um o alinhamento cíclico das grandes economias. Todo mundo foi para trás e veio um tsunami de estímulos fiscais e monetários. Agora, todo mundo está sendo empurrado na mesma direção”, resume Neto.

Os dois convidados da live acreditam que a queda do PIB brasileiro em 2020 deve ficar em 4,5%. E que para o próximo ano a recuperação vai ocorrer, mas não a ponto de zerar as perdas. Pelos cálculos de Chagas, o crescimento em 2021 deve ser de algo em torno de 3,5%.

“A probabilidade é de cenário com crescimento e baixa inflação nos próximos dois anos”, avalia, afirmando que as commodities metálicas terão protagonismo na recuperação, especialmente pela demanda asiática.

Sem espaço para “brincadeiras políticas”

No entanto, eles ressalvam, a visão otimista não deve fechar os olhos do investidor para os riscos existentes. “A gente fez um esforço fiscal muito grande e não tem mais espaço para brincar”, diz Neto.

Ele reforça que o ecossistema de mercado e os novos investidores da bolsa têm papel fundamental em cobrar os políticos para garantir que as reformas necessárias sejam feitas e que o teto de gastos seja respeitado.

“Isso tem que ser agora. Não pode deixar para depois. Porque quando estiver faltando seis meses para começar a campanha eleitoral para presidência, pode esquecer qualquer chance de reforma”, alerta.

Perspectivas: câmbio

Quanto às perspectivas para o câmbio, Chagas afirma que ainda existe um certo risco de a “onda azul” democrata nos Estados Unidos se confirmar, caso o segundo turno para o Senado na Georgia confirme duas cadeiras para o partido.

“Até aqui, trabalhamos com a perspectiva de um presidente democrata (Joe Biden), uma Câmara democrata, mas um Senado republicano. Se o Senado também for democrata, haverá muito mais estímulo no mundo todo. E há chances de o dólar cair muito mais do que o esperado”, ele aponta. E arrisca que a moeda possa chegar até a R$ 4,50. “Trabalhamos hoje com um equilíbrio com dólar entre R$ 4,90 e R$ 5,10”, diz.

Em quais empresas apostar em 2021?

Para Neto, alguns setores que ficaram defasados durante a pandemia podem ser boas oportunidades de investimento, como varejo de rua, shoppings, bancos e empresas de educação. Mas será necessária uma seleção criteriosa de quais empresas investir em 2021.

Isto porque, ele diz, intrasetorialmente, haverá muita empresa boa e muita empresa ruim. “É preciso atenção às distorções. Se o consenso for muito positivo, é bom ficar de olho, porque pode haver um choque de realidade mais para a frente”, indica.

“Os shoppings, por exemplo, que estão penalizados hoje. Se você olhar no longo prazo, são espaços extremamente bem localizados, repletos de opções de entretenimento, em um momento em que ninguém mais aguenta ficar em casa”, diz.

Chagas aponta suas ações favoritas: Mercado Livre (MELI34), Arcos Dorados, Equatorial (EQTL3), Sequoia (SEQL3) e Globant.

Perspectivas: BDRs

Quanto aos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que espelham ações de empresas listadas no exterior, os convidados da live concordam que são uma excelente opção para quem quer diversificar e dolarizar o portfólio.

A dica é não ficar tão preso à cotação da moeda – “Uma vez que foi, pare de pensar no câmbio”, recomenda Neto. E ficar atento à liquidez, que ainda é baixa na modalidade.