Dólar: o segredo escondido no payroll e a inflação nos custos de contratação

Alexandre Viotto
Colaborador do Torcedores
1

Crédito: Reprodução/iStock Photos

Na semana passada saiu o dado mais esperado para economia americana – e que mexe com o dólar no mundo – relativo a maio de 2021.

O chamado “nonfarm payroll”, nada menos que o Caged de lá… pois bem. Era esperada a criação de 675 mil novos postos de trabalho, só que o número veio em 559 mil. A imensa maioria do mercado entendeu que as coisas por lá estão menos aquecidas do que o imaginado. E ainda leram que o risco de alta de juros estaria por hora, afastado… Mas será?

Dólar x Inflação

Tem uma lógica nisso, é verdade. Os bancos centrais têm como papel principal “tirar o barril de chopp” (aumentar os juros) quando a festa está no auge (PIB subindo forte). Esta função de “chato da balada” se deve ao fato de que o crescimento fora de controle gera inflação. Por isso que a geração de menos empregos seria um sinal de que a economia estaria ainda patinando. Porém…

Vale a pena sair de casa?

Uma pergunta antes de continuar… Quanto custa para você sair de casa? Tem muito americano fazendo esta conta ultimamente. E com os cheques do “auxílio pandemia” chegando de graça, digamos que a “régua” subiu para muita gente. A lógica é simples, se o salário não for acima deste piso de cada um, por que valeria a pena vender a força de trabalho?

O fenômeno já está afetando vários setores, como o de restaurantes, por exemplo… A ponto de algumas empresas, tal como o McDonald’s, pagarem US$ 50 apenas para a pessoa ser entrevistada. Você leu direito… Receber apenas por se candidatar. Quem diria…

Lei da oferta e da procura

Portanto, uma parte deste número relativamente ruim do payroll pode esconder uma alta de preço de mão de obra. Está mais caro para contratar. E mais cedo ou mais tarde isso vai passar para o preço das coisas. As mesmas coisas mais caras demandam alta de juros…

Tal como a lei da gravidade, a lei da oferta e da procura ainda não foi revogada no planeta Terra. Por mais que uma parte dos economistas defenda isso ultimamente…

Dólar para baixo… mas até quando?

Neste contexto, continuo apostando em um dólar ainda para baixo no curto prazo. Por outro lado, o segundo semestre pode ser de Treasuries para cima. E aí sim podemos voltar a ter o real desvalorizado. Portanto, aos importadores, minha sugestão é “enjoy the moment”…

A dica do momento é que a janela para se fazer hedge com taxas de juros baixas pode estar se fechando. E não sou eu que estou dizendo… A própria Yellen “deu seta” mais uma vez este final de semana de que retomar os níveis de juros pré-pandemia seria benéfico para a população. Cada um com a sua visão de mundo, não é mesmo?

Fly to quality

E você já sabe. Se os títulos do governo dos Estados Unidos ficam mais atrativos, o investidor volta para o dólar… E não tem reza brava que segure. O vôo para qualidade é algo tão natural quanto o rio correr para o mar em finanças. E quem viver, verá… Mais uma vez. Basta olhar para o que aconteceu na década passada.

Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos