Copom dovish ou hawkish? Ata sobre aumento da Selic divide mercado

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Flickr

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) dividiu opiniões. Alguns analistas apontam que o Copom foi mais agressivo na ata desta terça-feira (23) do que no comunicado emitido no dia 17, quando decidiu por uma elevação de 0,75 ponto percentual de uma só vez (de 2% para 2,75%). Já outra parte considera que o posicionamento do comitê foi mais ameno hoje.

Paulo Filipe de Souza, sócio e assessor naEQI Investimentos, disse que a ata surpreendeu o mercado para quem esperava um BC suave. “Na verdade, ela mostrou que o Copom será mais forte e agressivo no combate à inflação. Foi agressivo na alta e na mensagem”, comentou. Ele disse que a previsão é que os juros cheguem ao fim do 2021 em torno de 5% ao ano.

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Luis Felipe Laudisio dos Santos, da Corretora Renascença, ao contrário, considera que a ata foi menos agressiva do que o esperado. Principalmente quando se leva em conta que o movimento busca não contaminar o mercado para o ano que vem.

Copom: nova alta para maio

Para a próxima reunião, nos dias 16 e 17 de maio, o Copom adiantou que deverá promover novo aumento na Selic. Na próxima reunião, o comitê poderá pesar a mão novamente, a depender de fatores como o desenrolar da pandemia da Covid-19 e o prolongamento das políticas fiscais, que podem elevar os riscos. “Em última instância a decisão segue dependente de atividade, balanço de riscos e projeções de inflação”, aponta um trecho do relatório.

“O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, informa outro trecho.

Tom continuará forte, mas poderá ter reversão no segundo semestre

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o comitê manteve o tom hawkish adotado no comunicado. Isso é explicado pela elevação de 0,75 ponto percentual da taxa.

“Vale destacar que mesmo nos aspectos que poderiam ser considerados dove (pombo), a autoridade encontrou uma saída hawk (águia). Como por exemplo, no tocante à atividade e à pandemia que, apesar de afetar fortemente o crescimento do primeiro semestre, deverá ter reversão rápida e robusta no segundo semestre”, explica Sanchez.

A figura do pombo é usada no mercado financeiro para ilustrar quando o Banco Central é mais favorável a taxas de juros mais baixas, tendo menos preocupação com a inflação. Já a águia seria o oposto.

“De acordo com o BC, a redução do estímulo se faz prudente, mas não há sinalização para sua remoção. O que significa que o juro deverá permanecer abaixo do neutro com a conjuntura apresentada”, completou o economista-chefe da Ativa Investimentos.

Em outras palavras, de acordo com Sanchez, o BC desenha um cenário hawk para conjuntura, mas implica isso apenas em uma redução do grau de estímulo.

Para ele, segue a previsão de que o Copom deva manter o aumento da Selic em 0,75 ponto na próxima reunião. Em seguida, deverão ocorrer mais duas elevações de 0,5 ponto cada, em sua opinião. Assim, espera-se que a Selic chegue a 4,5% ao ano antes do fim do ano. Tal patamar deverá ser praticado ao longo dos 12 meses seguintes, passando a elevação até 6% apenas no último trimestre de 2022, ele acredita.

Foco deverá ser assegurar inflação na meta para 2022

Em relatório, a casa de análise Exame Invest Pro aponta que o tom adotado pelo Copom foi duro e assim deve permanecer. Mesmo que o isolamento social promova um primeiro semestre mais fraco para a atividade econômica. De acordo com o documento, o Copom dá mais peso para o fluxo das vacinas e para a recuperação prevista para o segundo semestre.

E segue com o viés de alta. Segundo a casa, a Selic deve encerrar 2021 em 5% ao ano. O documento pondera que será fundamental segurar a inflação neste ano. Isto para garantir que ela esteja dentro da meta para o ano que vem.

“Em todos os relatórios de inflação, reafirmamos que a preocupação maior do BC é com a ancoragem das expectativas em 2022”, afirma.

Ata do Copom e reflexo nos juros futuros

Os riscos citados pela ata do Copom já se traduzem na Confiança do Consumidor. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o índice geral caiu para 9,8 pontos. As expectativas tiveram recuo de 12,3 ponto em março.

E o comunicado do Banco Central também refletiu nos juros futuros nesta terça-feira (23). Na abertura do mercado, a DI para janeiro de 2022 registrava alta de 4,620%. Ontem (22), estava em 4,615%. Já a DI para 2023 abriu a 7,730%, chegando a bater a 7,810%. No ajuste da segunda-feira, chegou a 7,735%.

A DI para janeiro chegou a 8,230%, atingindo a máxima de 8,300%. No dia anterior, chegou a 8,180%. Já a DI para janeiro de 2029, abriu a 8,540%, batendo em seguida na máxima de 8,590%. Isso depois de fechar em 8,520% na última segunda.

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