Em ata, Copom confirma projeção de nova alta da Selic para maio

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Divulgação/Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (23) a ata de sua última reunião, realizada dias 16 e 17 de março.

Como no comunicado divulgado após o evento, o Copom reafirmou a elevação da taxa básica de juros, Selic, de 2% para 2,75%. E afirmou que alta se explica porque, diferentemente das constatações anteriores do comitê, “o cenário atual não prescreve grau de estímulo extraordinário”.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Até aqui, o Copom vinha mantendo a Selic em seu piso histórico baseado no compromisso de manutenção do teto fiscal e da meta da inflação.

Porém, agora, o Copom afirma que, apesar da aprovação de reformas importantes para o País no campo político, os riscos fiscais continuam elevados em função dos gastos decorrentes da pandemia de coronavírus.

Além disso, as projeções para a inflação também passaram a ficar acima da meta no horizonte. O Copom aponta uma projeção para o IPCA, indicador oficial de inflação, de 5% até o final do ano em um cenário básico.

“Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado. Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, pondera o Copom.

Segundo o comitê, o ajuste da Selic mais rápido mantém a ancoragem das expectativas para prazos longos.

Novo aumento projetado para maio

O comitê reiterou ainda que, na próxima reunião de maio, deve haver reajuste da Selic da mesma proporção, ou seja, mais 0,75 ponto porcentual. Mas salienta que a visão pode ser alterada se houver mudanças significativas no cenário econômico.

“O Comitê avaliou que, para a próxima reunião, seria adequada a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom lembrou que essa visão para a próxima reunião pode ser alterada caso haja uma mudança significativa nas projeções de inflação ou balanço de riscos, já que em última instância a decisão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação”, afirmou.

Cenário externo desafiador para emergentes

Por fim, sobre o cenário externo, o Copom afirma que Com relação ao ambiente internacional, o Comitê avaliou que os avanços na implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, os novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos e a comunicação dos bancos centrais das principais economias de que os estímulos monetários terão longa duração devem implicar crescimento econômico robusto durante o ano.

No entanto, o risco de alta da inflação antes da recuperação econômica plena tem causado aumento na volatilidade em alguns mercados. “A evolução desse processo de reprecificação de importantes ativos financeiros pode tornar o ambiente para as economias emergentes mais desafiador”, diz o comitê.

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo